terça-feira, 26 de abril de 2016

Sobre o Uber

Cena 1 – No aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro (RJ), entro num táxi depois de uma longa espera na fila. Digo o destino e o motorista sai. Já no trajeto, ele pergunta se vou pagar com uma nota de cinquenta reais. Digo que sim. Ele diz que não tem troco, e que me deixaria na avenida para eu pegar outro táxi. Eu me recuso, e ele segue adiante xingando, resmungando e fazendo barbaridades no trânsito.

Cena 2 – Em Recife (PE), ao pagar uma corrida, o motorista diz não ter troco. Mas diz que a culpa não é minha, e sim dele, que deveria ter se preparado. Disponho-me a ir com ele trocar, e ele se nega. Diz que o passageiro não deve pagar por um erro dele.

Cena 3 – Ainda em Recife (PE), um motorista se confunde e diz que errou o caminho. Retoma o caminho correto e me diz que eu não sairia perdendo por um erro dele. Apura, pelo rádio, qual seria o valor da corrida e me cobra exatamente esse valor. Pede mil desculpas pelo erro.

É óbvio que no Rio de Janeiro eu preferiria o Uber. Os motoristas não se preocupam muito com ética, e o jeito brasileiro tenta se manifestar.

Já em Recife, uma das sedes da Copa do Mundo, os motoristas se preparam para atender o cliente. Ali, não há porque preferir o Uber, senão em termos financeiros. Mas a educação e simpatia dos motoristas de táxi torna difícil considerar qualquer outra opção.

O fato é que o Uber é uma inovação que tende a transformar a realidade do transporte de passageiros. Solicitação e pagamento por um app de smartphone, com regras bem definidas sobre os carros e motoristas, em algumas situações deixa mal os carrinhos populares com mais de 10 anos de uso que frequentemente se vê em táxis. E, como inovação, tende a ser combatido por aqueles que querem manter seu feudo.

Feudo esse, aliás, promovido pelo poder público, na medida em que as prefeituras tornam oneroso demais a propriedade de um táxi. Para fins de justiça, melhor seria o fim do custo da placa de táxi, comum em muitas cidades. Também o número limite de táxis deveria ser repensado, pois é medida que atrapalha o dinamismo que deveria ter o serviço. Em Florianópolis, por exemplo, é notória a falta de carros de praça, motivo pelo qual a espera é longa e penosa. E lá não adianta nem app.

Enfim, concorrência se dá pela qualidade do serviço aliado a preço. Se quiserem continuar ganhando no grito, os taxistas se aproximam de mafiosos que ganham na intimidação.

Uma sugestão aos taxistas: sigam os exemplos dos pernambucanos.

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