segunda-feira, 25 de abril de 2016

“Futebolizando” a política

O ator, se sentindo ofendido, cuspiu na cara dos ofensores.

Dois grupos de ideologias diferentes se encontram e brigam entre si.

Parece até coisa de torcida de futebol, pois envolve 100% de paixão e zero de razão.

Será que a civilidade do povo brasileiro é tão precária que a política vai fazê-la em pedaços?

Onde está o respeito pela posição alheia? Para onde foi a fairplay de que tanto precisamos para manter o mínimo de cordialidade?

O povo brasileiro está estupefato pela situação. Alguns, com a monta da roubalheira. Outros, com o que chamam de golpe. Mas devíamos estar todos do mesmo lado, torcendo para que os transgressores da lei e da MORAL sejam julgados com a imparcialidade necessária e indispensável. Ao contrário, celebramos as demonstrações de força e os mentirosos desmentidos.

De um lado, os que estão sendo atingidos pela Lava Jato. São vários os partidos, mas em especial o PT. Mas os que são contra este não devem se esquecer de que há, em São Paulo, o escândalo da merenda escolar. E que o PSDB, tão faminto por justiça na esfera federal, esteja inapetente na esfera estadual. Sim, pois como os acusados são do PSDB, há que protegê-los, devem pensar. Assim, aquele deputado do PSDB que é apoiador de sempre do chamado golpe contra o PT, utilizando um discurso técnico e ético, vê-se pego no contrapé pela versão paulista do caso. Pergunta: alguém tem o que comemorar?

No caso de São Paulo, os atingidos diretamente são crianças. Pior que tirar o doce das crianças é negar-lhes comida de qualidade. No caso de Brasília, ficam os cacos daquela que já foi a maior empresa brasileira.

Quem comemora o resultado da votação do Congresso na questão Dilma deveria lamentar. Pois a conta, para lá de amarga, já está sendo cobrada através do desemprego, que atinge nossos familiares e amigos, quando não nós mesmos. E quem comera os problemas da merenda escolar de São Paulo deveriam lembrar-se de que estamos pagando por uma boa merenda, mas está sendo entregue uma qualquer.

Ser´s que poderíamos desvestir a camisa partidária para analisar racionalmente cada questão?

Há amigos brigados, há pessoas brigando. Famílias em que se veem os dois lados estão emudecidas, pelo medo da discórdia.

Isso é coisa de futebol. Ao menos neste, quando fora do campo, os torcedores se divertem provocando uns aos outros. O que está em jogo é o valor do ingresso. Mas na política o que está em jogo é muito mais. É como vamos gozar a aposentadoria, como vamos receber tratamentos médicos, como seremos protegidos de ladrões e assassinos.

Em suma, é triste o ponto em que chegamos. Precisamos voltar a pensar de forma independente. E os tais “formadores de opinião” devem se investir de responsabilidade social, mais que partidarismo, para chamar todos à razão.

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