terça-feira, 1 de março de 2016

Refletindo sobre a troca do ministro da justiça

poc3a7o[1]Lula e petistas reclamaram do ministro da justiça, que não teria controle sobre a polícia federal. O que isto diz ao país?

A presidente aceitou trocar o ministro por força das pressões de autoridades. O que isto diz ao país?

O novo ministro é indicado pelo ministro da Casa Civil, que é aliado de Lula e petista. O que isto diz ao país?

Não diz muita coisa, porque somente uma pequena parcela no país está de fato ligada nesses acontecimentos. Todos festejam o sucesso da Operação Lava Jato, mas nem todos percebem que pode vir a ser uma vitória fugaz. As ações de membros do governo, de advogados dos réus, dos apaniguados e dos que se locupletam das benesses do poder vão acabar nivelando por baixo a moral do país. Juízes como Moro devem continuar sendo tratados como exceção, e pode ser mesmo que tudo volte a ser um grande pano para baixo de onde devem ser varridos todos os maléficos atos de corrupção.

Nesta Lava Jato vimos que até mesmo pessoas de caráter considerados ilibados se envolveram nos escândalos. Não que não tenhamos visto isso antes. Mas desta vez algumas personalidades supostamente poderosas enfrentaram as barras da prisão, com constrangimentos de algemas e tudo a que tem DEVER. Será que essa onde tem fôlego?

Não quero o juiz Moro candidato a nada. O que quero, mesmo, é ver outros juízes à altura deste. Que todos tenham discernimento e desprendimento para fazer a coisa certa. E que os justos que se ofendam com tal afronta, como essa da  troca do ministro, e venham a público para se manifestar.

Que os personagens tais como o caseiro, a secretária, o motorista, mesmo a ex-esposa que sabem das falcatruas as denunciem. Por que não há mal maior  que o silêncio, que implica em aceitação cúmplice.

Sempre fomos brindados com histórias de representantes do povo (vereadores, deputados estaduais, deputados federais, senadores e cargos majoritários) receberiam em troca de favores. Essa é uma afirmação comum e culturalmente, infelizmente, até aceita (lembra do “rouba mas faz”? Infelizmente não se faz mais nada, como é exemplo a situação dos hospitais no Brasil. Mas infelizmente, talvez mais ainda, é que ainda se roube. E a cultura do brasileiro faz com que mesmo os denunciados em grandes escândalos sejam reconduzidos ao cargo em eleições, mantendo a porta do malfeito e ganhando, adicionalmente, foro privilegiado.

Aqueles cidadãos, vítimas do caos da saúde, que choram sós, ou acompanhados da família, unidos, poderiam dar o primeiro passo. Não temos saúde. Pessoas morrem ou sofrem desnecessariamente por conta desse escandaloso SUS, que ainda não se mostrou mais que uma utopia. Mas, isolados uns dos outros, são fracos. São rechaçados pela polícia e pela direção de nossos catastróficos hospitais, que dizem, em notas oficiais protocolares, “que todos os procedimentos foram seguidos à risca”. E, no entanto, não há remédios, não há equipamentos, não há médicos.

Também assim aqueles que veem a polícia agir contra estudantes, mas veem os crimes aumentarem continuamente. E podemos discorrer aqui de inúmeros cidadãos que, às legiões, enfrentam problemas não de governabilidade, mas de governantes. Que, frise-se, podem ser do PT, ou do PSDB, ou de qualquer partido. Pensando no povo, poucos. Estadistas, nenhum.

O país é lindo. Acho que com esses políticos, mesmo isso um dia vai acabar. Porque nossos políticos, com nosso referendo, têm o grande talento de acabar com tudo.

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