segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Os bancos, a tecnologia e os assaltos

bancoOs bancos são das empresas mais se preocupam com automação. Desde a era dos supercomputadores, entidades bancárias investem em milhões para tornar seus processos mais ágeis e seguros, e para isso contam com a tecnologia, frequentemente das mais modernas. Não por acaso, o registro de alienação de automóveis, que interessa fortemente a esse nicho de empresas, é totalmente automatizado, sendo destaque no Brasil pela “utilidade pública”. Seria o gravame de automóveis mais importante que o registro unificado de identificação do cidadão, por acaso? Ou ter CPF + RG + PIS/PASEP + PASSAPORTE + … é menos importante que saber se o carro tem pendências de financiamento?

A população brasileira sem conta bancária é ainda muito grande. Embora tenha havido aumentos nos últimos nove anos, perto de 36% dos brasileiros ainda não têm conta em banco.

Em paralelo, a quantidade de estabelecimentos – oficiais ou não – que não aceitam transações eletrônicas é alto. De um lado, o grande desinteresse da máquina oficial não disponibiliza opção para o cartão de débito. De outro lado, altas taxas das transações eletrônicas afugentam os pequenos comerciantes. Como resultado, a população ainda depende – e muito – do dinheiro físico.

Pois bem, é esse fato que faz com que o ciclo do assalto se estabeleça. Pessoas precisam portar dinheiro em espécie para pagar algumas (ou muitas) das suas transações comerciais. Portanto, há uma grande quantidade de pessoas depositando (ou portando) dinheiro, e muitas pessoas indo a bancos para saques. Como se estivesse pescando no aquário, ao bandido só basta esperar um desses peixes sair do banco. Ou, no seu empreendimento, ajuntar um pouco que baste para o droga de que necessita o bandido.

Um outro resultado dessa ação é que o próprio estabelecimento bancário voltou a ser alvo dos ladrões. Os ataques aos caixas eletrônicos mostram que os bancos não se safam dessa ciclo, ao contrário, são a parte mais visada. Os mesmos bancos que se valem de tecnologia em grande escala para outras coisas, ironia do destino.

Uma pergunta nos colocará diante da realidade fria do interesse do mercado bancário: se os bancos podem processar a TED (transferência eletrônica disponível, aquela transação que em questão de segundos/minutos já se processa), por que não podem aceitar cartões de outros bancos para pagar contas, por exemplo?

Interesses, claro.

Já há, há muito tempo, tecnologia disponível para que os bancos sejam interligados on line. Mas inexplicavelmente (do meu ponto de vista) não o fazem. Além disso, uma ação assertiva poderia garantir acesso aos cartões de débito a grande parte da população (maior abrangência que a de hoje), ao mesmo tempo em que uma pequena mostra de boa vontade poderia estabelecer taxas mais amigáveis para que os comerciantes e outros empresários aceitem mais as transações eletrônicas.

Resultado provável: menor quantidade de assaltos, menor quantidade de mortes por “saidinhas de banco”, menos ataque aos bancos.

Tem algum lado negativo?