terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Petrobrás: e se…?

stock-photo-29356924-thief-stealing-computer Dilma manteve Graça Foster no comando da Petrobrás, apesar das muitas denúncias. Duas linhas de raciocínio podem explicar essa situação.

Na primeira delas, a faxina ética iniciada teve resultados positivos e a presidente da república considera bem feito o trabalho. Os bilhões (supostamente) desviados seriam, neste cenário, valor muito pequeno se comparado ao que teria se esvaído sem a graciosa intervenção ética.

Se isso for verdade, é de se imaginar qual seria o verdadeiro rombo. Aliás, é inimaginável. É impensável que uma empresa mundialmente reconhecida por sua solidez não tenha controles efetivos com relação aos seus gastos. A governança corporativa neste caso é obrigatória, para que não aconteça um novo escândalo Enron. Isto posto, concluímos tristemente que nossas empresas, mesma a maior estrela, não atende à Lei SarbOx (ou SOx).

Filas de políticos esperando na fila para tirar um quinhão das gastanças da Petrobrás formam uma cena dantesca, mas viável, nesse contexto.

O que pensarão disso os acionistas minoritários?

Na segunda linha de raciocínio, a faxina ética foi seletiva. Afinal, uma das exigências era a de que houvesse contribuição formal à campanha da reeleição. Teriam perdido o emprego (ou a glândula mamária a que se penduravam) somente pessoas sem vínculo partidário ou com esse vínculo com partidos não-governistas.

Neste caso, o escândalo também é grande. Ao permitir seletivamente a rapinagem, o governo  compactou com os meliantes, e lhes deu aval para continuar na prática (ao que parece, usual, quase uma tradição) deituosa.

Diretores com patrimônios de milhões de dólares, desviando bilhões de dólares… nunca a comissão foi tão oportuna.

Em ambos os cenários, o currículo mais deslustrado foi a da presidente da Petrobrás, que assumiu como uma competente gerente e sai com uma ambiguidade: ou não é competente o suficiente para perceber desvios, mesmo vultosos, ou os percebeu e nada fez, apesar do discurso ético.

Há muito tempo a Petrobrás passa a imagem de empresa séria e confiável. Bastaram poucos anos para que governos destruísse essa aura, trazendo a empresa das páginas do noticiário econômico para as noticias policiais.

Acionistas têm o poder/direito de irem à justiça. Já é alguma coisa. E naqueles casos em que não há acionista, mas tão somente o contribuinte?

Já dizia o poeta: que país, o nosso.

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