terça-feira, 21 de outubro de 2014

Ao vencedor (das eleições) as batatas..

Transformada em discussão de futebol, com direito a cenas lamentáveis, nossa eleição, como sempre, tem uma característica interessante: absolvição total e irrestrita ao candidato em que vota o brasileiro.

Afundados, candidatos, aliados e partidos, em diversas acusações de falcatruas, seus eleitores preferem ignorar seus malfeitos para focar somente nos malfeitos do adversário. E parece ser, na verdade, a eleição menos pelas qualidades que pelas antipatias.

Os dois candidatos agridem sem  razão. Esgrimem argumentos que beiram à fabula; distorcem fatos e privilegiam a máxima que prega que “contra argumentos não há fatos”. Usam, ambos, argumentos de lógica difusa, senão ausente. Tentam parecer infalíveis, sentando sobre a cauda de seus próprios erros. Pródigos em indicar os erros alheios, são infalíveis em qualquer coisa que façam.

Cegos, os adeptos de cada candidatura apontam a cegueira alheia. Conveniente e direcionada, cada um se cega como quer.

As opções são péssimas. Ambos representam  que há de pior na política brasileira. De um lado, o “novo partido”, aquele que defenderia o trabalhador mas que cedo aprendeu que locupletar-se é melhor política. Do outro lado, a velha política, aquele que se disse “no limite da irresponsabilidade”, dizendo-se alternativa para a corrupção.

Fôssemos objetivos, riríamos de ambos. Teceríamos incontáveis piadas sobre cada um deles e seus partidos, e viraríamos as costas a eles, pois nenhum representa o melhor para o Brasil. Então, no meio dos hooligans eleitorais, adeptos de ambos as candidatos escolhem o menos ruim, distanciando mais ainda a resolução dos graves problemas que vivemos.

O triste é que vamos às urnas como se fosse pela salvação. Não é.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O menos pior–Eleições 2014

Todos têm razão e ninguém tem razão.

Desde sempre, o PSDB acumula denúncias de corrupção. Recentemente até o ícone Mário Covas foi vinculado à corrupção do metrô. Para ser diferente, o partido deveria apoiar as investigações. Preferiu criar obstáculos. Desmente até desmentidos e publica platitudes. Mas apoia a gritaria contra as malfeitorias petistas.

O PT, desde sua  criação, sempre se apresentou como o paladino da justiça. No poder, coligado aos antes inimigos, contaminou-se com o vírus da locupletação. Não só assumiu os defeitos dos que lá estavam, como ainda exacerbou outros malfeitos. E incentiva a gritaria contra as malfeitorias tucanas.

Em momento algum nenhum dos dois erra. Nada do que fazem merece reparo e não admitem críticas. E haja conspiração, má fé, distorção de palavras.

No primeiro turno desta eleição, Marina Silva foi preterida não pelas virtudes dos adversários, mas por estes mostraram seus pecadilhos. Aliás, parecia votação para santo…

O ponto é: por que as pessoas estão se digladiando pelos seus candidatos? Parece ser consenso que estamos votando no que consideramos o menos pior, não no melhor. Sabemos dos crimes cometidos por ambos os partidos e ainda assim os defendemos de forma figadal? Qual a lógica disso?

O PSDB, pelo seu histórico, não deveria ocupar a presidência. O PT idem. Mas a eleição é entre os dois. Escolha um para votar e brigue por ele?

Acho que não. Esperemos que o menos pior faça sua parte, mas bem feita. Qualquer um que ganhar estará sob suspeita. Não acho que devamos nos indispor uns com os outros por causa de uma classe que só se importa consigo mesma.

Paz entre os eleitores.