quarta-feira, 2 de julho de 2014

Medo dos que têm certeza…

Uma das maiores barreiras na comunicação é a certeza. Aqueles que têm certeza têm também o comportamento típico daqueles que têm o poder. Pelo bem e pelo mal.

Dessa forma, quando estabelecemos – ou tentamos estabelecer – uma comunicação com o detentor de uma ou mais certezas, cedo ou tarde colidiremos com o muro da verdade. Aquelas verdades absolutas, que não admitem controvérsia ou contestação. Aquelas certezas que embora sem fundamento, se impõem aos fatos. E não permitem a presença da racionalidade. A triste certeza das convicções.

É assim a verdade que envolve religiões, esportes, ideologias políticas. E, em microambiente, são as certezas que envolvem o relacionamento das pessoas. Aqui, percepções e suspeitas ganham ares de postulados, de ciência provada e comprovada. Traições, sentimentos, intenções, tudo se traduz em certezas. E, como tal, incontestáveis.

Os que têm certeza não se permitem reavaliar suas posições. Não se permitem admitir uma hipótese contrária à sua própria convicção. São, portanto, os que têm a Terra como centro do universo, até que a morte os leve.

Não discutem racionalmente, não analisam os fatos, apaixonam-se pelo próprio apego ao que considera verdade. Não erram nunca, portanto nunca aprendem nada. Mas apreendem parte do universo para comprovar seu credo.

Os que têm certeza matam o diálogo, inibem o contraditório, subjugam a arte de conjugar ideias em prol de evolui-las.

As verdades, imutáveis que são, passam a ser muitas e diversas em torno de um único aspecto, encerrando os que as detêm na caverna platoniana das sombras da vida.

Prefiro a companhia dos inseguros, que se permitem avaliar e reavaliar suas próprias certezas. Estes são os mais maleáveis, os mais palatáveis, os mais abertos ao crescimento pessoal. São os que regam as ideias, aparam os excessos e ajustam sua percepção de vida.

Tenho certeza disso.

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