terça-feira, 13 de maio de 2014

Dos infanticídios…

Quando minha filha nasceu, as imagens se gravaram tão indelevelmente que mesmo após minha extinção estarão lá. Um bebê, com olhinhos preguiçosos e desacostumados à luz, tentavam firmar-se em algo. Gosto de acreditar que eles procuravam aquele que lhes falava desde cedo, ainda no aconchego da barriga da mãe.

Uma pessoa me disse logo após, ao saber de minha grande felicidade, que eu nunca mais dormiria sem nela pensar. Dito e feito.

Eu a embalava sob o som de músicas inventadas. E falava com ela como se fosse gente grande, o que me custou muitas e muitas críticas.

Nunca, em nenhum momento,quis senão o seu bem. A ponto de me dar por uma noite, como nas ocasiões em que a cólica atacava, e eu, entre dormente e vigilante, massageava suas costas sobre minha barrida. Por horas e horas…

Enquanto crescia, pouca coisa mudava em minha determinação em protegê-la. Como ela não pediu para estar aqui, desdobrava-me em cuidados, sempre cuidando para não exagerar (concluo que nisto não tive sucesso: me excedi em cuidados).

Hoje, se ela precisa de um coração, dou o meu Pulmão, rim, fígado… Enfim, minha vida pela dela. Ela, uma amiga fiel e companheira de diversos momentos, ultrapassa a tudo quanto possa almejar num relacionamento com uma filha/filho.

Portanto, não posso compreender como um pai/mãe, mesmo um padrasto/madrasta conseguem sequer imaginar a morte de uma criança. A morte! Eu, que a cada resfriado me via em preocupações mil com minha criança, não posso compreender tal falta de afeição.

Ok, minha filha, minha carne. Seria, então, compreensível com enteados? Não posso acreditar. O ser humano não foi munido com tal egoísmo, ao menos não após algumas centenas de anos de civilização.

Mas a realidade, por menos que a aceitemos, é cruel. Ainda há aqueles que valorizam demais a si mesmos, em detrimento de qualquer outra coisa. E, neste mundo financeiro, qualquer empecilho, qualquer um, é somente um mero empecilho.

O que será que anda errado com essas pessoas dos infanticídios? Talvez o egoísmo lhes tenha impedido de viver a mais maravilhosa e completa experiência: a de amar as crianças. E os filhos.

Ainda bem que dessa água não beberei.

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