quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Balanço 2014

happy-new-year-groovy-notebook-doodles-vector-28440665 Acho que foi a mesma coisa para todo mundo. Só acho…

 

 

 

 

 

2014:

  • 12 meses;
  • 52 semanas;
  • 365 dias;
  • 8.760 horas;
  • 525.600 minutos;
  • 31.536.000 segundos; e
  • Sete gols da Alemanha!

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Petrobrás: e se…?

stock-photo-29356924-thief-stealing-computer Dilma manteve Graça Foster no comando da Petrobrás, apesar das muitas denúncias. Duas linhas de raciocínio podem explicar essa situação.

Na primeira delas, a faxina ética iniciada teve resultados positivos e a presidente da república considera bem feito o trabalho. Os bilhões (supostamente) desviados seriam, neste cenário, valor muito pequeno se comparado ao que teria se esvaído sem a graciosa intervenção ética.

Se isso for verdade, é de se imaginar qual seria o verdadeiro rombo. Aliás, é inimaginável. É impensável que uma empresa mundialmente reconhecida por sua solidez não tenha controles efetivos com relação aos seus gastos. A governança corporativa neste caso é obrigatória, para que não aconteça um novo escândalo Enron. Isto posto, concluímos tristemente que nossas empresas, mesma a maior estrela, não atende à Lei SarbOx (ou SOx).

Filas de políticos esperando na fila para tirar um quinhão das gastanças da Petrobrás formam uma cena dantesca, mas viável, nesse contexto.

O que pensarão disso os acionistas minoritários?

Na segunda linha de raciocínio, a faxina ética foi seletiva. Afinal, uma das exigências era a de que houvesse contribuição formal à campanha da reeleição. Teriam perdido o emprego (ou a glândula mamária a que se penduravam) somente pessoas sem vínculo partidário ou com esse vínculo com partidos não-governistas.

Neste caso, o escândalo também é grande. Ao permitir seletivamente a rapinagem, o governo  compactou com os meliantes, e lhes deu aval para continuar na prática (ao que parece, usual, quase uma tradição) deituosa.

Diretores com patrimônios de milhões de dólares, desviando bilhões de dólares… nunca a comissão foi tão oportuna.

Em ambos os cenários, o currículo mais deslustrado foi a da presidente da Petrobrás, que assumiu como uma competente gerente e sai com uma ambiguidade: ou não é competente o suficiente para perceber desvios, mesmo vultosos, ou os percebeu e nada fez, apesar do discurso ético.

Há muito tempo a Petrobrás passa a imagem de empresa séria e confiável. Bastaram poucos anos para que governos destruísse essa aura, trazendo a empresa das páginas do noticiário econômico para as noticias policiais.

Acionistas têm o poder/direito de irem à justiça. Já é alguma coisa. E naqueles casos em que não há acionista, mas tão somente o contribuinte?

Já dizia o poeta: que país, o nosso.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Ao vencedor (das eleições) as batatas..

Transformada em discussão de futebol, com direito a cenas lamentáveis, nossa eleição, como sempre, tem uma característica interessante: absolvição total e irrestrita ao candidato em que vota o brasileiro.

Afundados, candidatos, aliados e partidos, em diversas acusações de falcatruas, seus eleitores preferem ignorar seus malfeitos para focar somente nos malfeitos do adversário. E parece ser, na verdade, a eleição menos pelas qualidades que pelas antipatias.

Os dois candidatos agridem sem  razão. Esgrimem argumentos que beiram à fabula; distorcem fatos e privilegiam a máxima que prega que “contra argumentos não há fatos”. Usam, ambos, argumentos de lógica difusa, senão ausente. Tentam parecer infalíveis, sentando sobre a cauda de seus próprios erros. Pródigos em indicar os erros alheios, são infalíveis em qualquer coisa que façam.

Cegos, os adeptos de cada candidatura apontam a cegueira alheia. Conveniente e direcionada, cada um se cega como quer.

As opções são péssimas. Ambos representam  que há de pior na política brasileira. De um lado, o “novo partido”, aquele que defenderia o trabalhador mas que cedo aprendeu que locupletar-se é melhor política. Do outro lado, a velha política, aquele que se disse “no limite da irresponsabilidade”, dizendo-se alternativa para a corrupção.

Fôssemos objetivos, riríamos de ambos. Teceríamos incontáveis piadas sobre cada um deles e seus partidos, e viraríamos as costas a eles, pois nenhum representa o melhor para o Brasil. Então, no meio dos hooligans eleitorais, adeptos de ambos as candidatos escolhem o menos ruim, distanciando mais ainda a resolução dos graves problemas que vivemos.

O triste é que vamos às urnas como se fosse pela salvação. Não é.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O menos pior–Eleições 2014

Todos têm razão e ninguém tem razão.

Desde sempre, o PSDB acumula denúncias de corrupção. Recentemente até o ícone Mário Covas foi vinculado à corrupção do metrô. Para ser diferente, o partido deveria apoiar as investigações. Preferiu criar obstáculos. Desmente até desmentidos e publica platitudes. Mas apoia a gritaria contra as malfeitorias petistas.

O PT, desde sua  criação, sempre se apresentou como o paladino da justiça. No poder, coligado aos antes inimigos, contaminou-se com o vírus da locupletação. Não só assumiu os defeitos dos que lá estavam, como ainda exacerbou outros malfeitos. E incentiva a gritaria contra as malfeitorias tucanas.

Em momento algum nenhum dos dois erra. Nada do que fazem merece reparo e não admitem críticas. E haja conspiração, má fé, distorção de palavras.

No primeiro turno desta eleição, Marina Silva foi preterida não pelas virtudes dos adversários, mas por estes mostraram seus pecadilhos. Aliás, parecia votação para santo…

O ponto é: por que as pessoas estão se digladiando pelos seus candidatos? Parece ser consenso que estamos votando no que consideramos o menos pior, não no melhor. Sabemos dos crimes cometidos por ambos os partidos e ainda assim os defendemos de forma figadal? Qual a lógica disso?

O PSDB, pelo seu histórico, não deveria ocupar a presidência. O PT idem. Mas a eleição é entre os dois. Escolha um para votar e brigue por ele?

Acho que não. Esperemos que o menos pior faça sua parte, mas bem feita. Qualquer um que ganhar estará sob suspeita. Não acho que devamos nos indispor uns com os outros por causa de uma classe que só se importa consigo mesma.

Paz entre os eleitores.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Os 7 x 1 da humanidade

Em ficção científica, espera-se que a raça humana evolua com o passar do tempo. Foras as catastrofistas, imagina-se o ser humano que domou a violência, a guerra, acabou com a iniquidade, venceu as tentações e controlou seu temperamento.

Isaac Asimov outros autores foram a inspiração de muito inventos que beneficiaram a raça humana, ao imaginá-los com antecedência de muitos anos, assim como Leonardo da Vinci.

Se voltassem da morte hoje, esses autores, imagino, ficariam estarrecidos. Pois o homem conectou de tal forma ao resto do mundo, e com tamanha competência e tecnologia que é difícil crer que ainda haja guerra em algum canto. A guerra envolve facções de seres humanos contra outras facções do mesmo ser humano. Essa divisão não é, entretanto, previsível. Num dia, juntam-se torcedores de um time contra os de outro. Ideologias, religiões, posse de bens, tudo é motivo para uma guerra, grande ou pequena. E, em alguns lugares, aquele sonho de hegemonia ainda teima em florescer em algumas mentes mais fracas.

E eis que, morrendo um, poucos, ou muitos, é a guerra se eternizando no meio humano. Algumas duram décadas e acumulam tanto ódio que nenhuma solução parece factível. Outras, as guerrilhas urbanas, fazem cidadãos reféns dos que vivem, essencialmente por iniciativa própria, apensa tangenciando as regras. São os que colocam-se a favor do pior da humanidade: drogas, roubos, mortes.

E, infelizmente, dentre esses há aqueles que deveriam proteger. Sejam policiais, pais, cônjuges, pretensos amigos. Perpetram atos violentos como se o mundo fosse apenas uma tela de televisão. Mais e mais nos surpreendemos com crimes dessa natureza, e imagino a reação das vítimas, ao se verem golpeadas por aqueles que deveriam protegê-las.

E temos a guerra das pessoas públicas, ainda inseridas no último grupo, mas merecendo um estarrecimento especial: falam em nome de honra, verdade, honestidade. Mas agem em nome dos atos mais corruptos em nome próprio, em nome da própria locupletação.

Assim, os celulares de tamanho mínimo, os satélites superpoderosos, redes de telefonia cada vez mais rápidas, carros que se dirigem, tecidos que simulam pele humana é a evolução visível. Da tecnologia. Pois do lado humano, o que se vê são os que crescem e se esforçam por crescer, e os que reeditam comportamentos e ambições de um tempo já passado.

Uma pena, mas a humanidade está perdendo de goleada. E a culpa  não é de outro.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Panis e futebolensis

Por um período, o mundo, em geral, e o Brasil, especificamente, relegaram problemas a segundo plano para dar enfoque no futebol.

Seduzidos pela mídias, os brasileiros acompanhavam um quase reality show dos jogadores. Plantões direto do hotel informavam se dormiam, comiam, treinavam. O que comiam, o que bebiam, o que treinavam. E o que pensavam, por incrível que pareça.

Numa dessas noites, zappeando pelos canais brasileiros e já cheio de tanto futebol, parei na CNN para ver o que acontecia pelo resto do mundo: crise no Iraque, crise no Oriente Médio, expulsão do chefe da CIA na Alemanha. Mas, nos canais locais, tudo o que se falava era sobre a seleção e seu caminho à glória do hexacampeonato.

Não basta ser um megaevento, de megaobras, de uma entidade mega-autoritária. Tinha de ser também um fato arrebatador, daqueles que põem o país nas ruas para torcer e celebrar.

Notícias? Uma cos canais mais importantes do Brasil relegou a segundo plano a queda de uma obra (com vítimas fatais). Outro canal, o mais assistido, dedicou mais de 90% de seu tempo ao futebol e seus arredores.

O povo, quando seu ídolo se machucou, se mobilizou. Ofendeu o “agressor”, defendeu linchamentos e estupros, preencheu a blogosfera de palavras de ordem. Tal não se viu contra os corruptos, os corruptores, ou contra aqueles que se apropriam do bem público.

Não, em época de copa só importam os gols perdidos e os tomados. Os heróis se forjam nessas circunstâncias, e também são postos na berlinda com direito ao apedrejamento virtual.

Aqueles que eram inquestionáveis passaram os vilões, como se nunca tivessem sido outra coisa.

Tenho medo do que aprontaram nessa copa aqueles que se locupletam enquanto não há ninguém olhando. Por exemplo, quem viajou nas asas da FAB? Talvez a imprensa não saiba, pois estava ocupada com outras coisas.Em que projetos estavam nossos políticos? Em projetos futebolísticos, talvez um megatelevisor.

Mas os problemas (os  normais) não se preocuparam com a Copa do Mundo. Continuam lá os assassinatos, os roubos, os furtos. As filas de hospitais não diminuíram (talvez tenham aumentado). As escolas não se construíram, os hospitais não se aparelharam. Mas o assunto do dia é o chinelo do Maradona…

Que país, o nosso…!!!

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Medo dos que têm certeza…

Uma das maiores barreiras na comunicação é a certeza. Aqueles que têm certeza têm também o comportamento típico daqueles que têm o poder. Pelo bem e pelo mal.

Dessa forma, quando estabelecemos – ou tentamos estabelecer – uma comunicação com o detentor de uma ou mais certezas, cedo ou tarde colidiremos com o muro da verdade. Aquelas verdades absolutas, que não admitem controvérsia ou contestação. Aquelas certezas que embora sem fundamento, se impõem aos fatos. E não permitem a presença da racionalidade. A triste certeza das convicções.

É assim a verdade que envolve religiões, esportes, ideologias políticas. E, em microambiente, são as certezas que envolvem o relacionamento das pessoas. Aqui, percepções e suspeitas ganham ares de postulados, de ciência provada e comprovada. Traições, sentimentos, intenções, tudo se traduz em certezas. E, como tal, incontestáveis.

Os que têm certeza não se permitem reavaliar suas posições. Não se permitem admitir uma hipótese contrária à sua própria convicção. São, portanto, os que têm a Terra como centro do universo, até que a morte os leve.

Não discutem racionalmente, não analisam os fatos, apaixonam-se pelo próprio apego ao que considera verdade. Não erram nunca, portanto nunca aprendem nada. Mas apreendem parte do universo para comprovar seu credo.

Os que têm certeza matam o diálogo, inibem o contraditório, subjugam a arte de conjugar ideias em prol de evolui-las.

As verdades, imutáveis que são, passam a ser muitas e diversas em torno de um único aspecto, encerrando os que as detêm na caverna platoniana das sombras da vida.

Prefiro a companhia dos inseguros, que se permitem avaliar e reavaliar suas próprias certezas. Estes são os mais maleáveis, os mais palatáveis, os mais abertos ao crescimento pessoal. São os que regam as ideias, aparam os excessos e ajustam sua percepção de vida.

Tenho certeza disso.

terça-feira, 10 de junho de 2014

A insustentável irracionalidade do ser

Em política, somos torcedores. Errado dizer que somos eleitores, porque quem elege utiliza o voto. Mas o brasileiro usa a paixão, poucas vezes a emoção.

Paixão pelo politico, pelo partido ou pelo Bolsa-Esmola, tanto faz (esclarecendo que aqui, não cabe distinção: o PSDB reclama a paternidade, o PT reclama a criação).

O fato é que, nas discussões políticas, mesmo mais que nas de futebol ou religião, imperam as opiniões a priori. Quem votou em fulano o defende à morte. Mesmo se esse fulano foi apanhado com moda sonante na roupa íntima (vulgarmente chamado de dinheiro na cueca).

Então, o torcedor-eleitor distorce a realidade, ignora fatos, cria factóides, se revolta contra quem “torce” para o outro lado

Mas que outro lado, há que se perguntar?

Precisamos lembrar que a democracia, salvo alterações sobre as quais não recebi memorando algum, é aquilo “do povo, pelo povo, para o povo”… Piegas e mentiroso…

O governador que elegemos instiga, por ação ou omissão, as tropas sobre manifestantes pacíficos? E daí, e o seu candidato que mentiu? O membro do partido desviou recursos? E daí, e o seu candidato que viajou de avião?

Enfim, deixamos de avaliar cada caso e cada situação, como se fôssemos pau (que nasce torto) e não pudéssemos mudar nosso voto.

Nunca antes nesse país… as avaliações foram tão insensatas. Ministros, deputados, senadores, políticos sem cargos eletivos, amigos de políticos, familiares de políticos, todos se locupletando, e com milhares nas ruas e pelo ciberespaço defendendo cada ato, cada descalabro, cada discurso enviesado…

Costumo dizer que a ditadura, com meus milhões de defeitos, criou obras primas artística em uníssono contra a violência ao cidadão. Depois de finda a ditadura, nunca mais um Cálice ou um Clube de Esquina. Mas Seguramos o Tchan, lamentamos Ai, Ai, Ai, se eu te pego e gingamos leque, leque, leque…

Contribuímos com meses de salário (ou ganhos pessoais) para que nossos representantes façam o básico: representar-nos. Mas parece que nos interessamos somente por viagens; não queremos novas leis; estamos satisfeitos com os menores que roubam e matam impunemente; não precisamos de hospitais; tornamos-nos todos autodidatas; e não precisamos de segurança alguma, pois todos têm alma pura e bondade em seus corações.

Precisamos é tirar as vendas partidárias e exercer a criticidade em relação àqueles que elegemos. Precisamos é cobrar e agir, para que a cobrança se concretize e se transforme em realidades desejadas. Precisamos deixar de tratar política como time de futebol.

Porque, ao que se sabe, as ações propaladas como estando “no limite da irresponsabilidade” se perpetuam, mesmo sem a confissão cândida do político ingênuo…

Precisamos debater, sem discutir e sem paixões, nossos caminhos. Porque estamos deixando aos nossos filhos e netos somente uma herança de usurpação. Logo, enriquemos os defendidos enquanto tiramos, paulatinamente, o futuro das próximas gerações.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Sheherazadeando…

Tempos difíceis, em que as palavras são torcidas e torturadas, até que digam o que queremos ouvir…

Qual foi mesmo o problema da declaração de Raquel Sheherazade? Ela disse que “é até compreensível a atitude dos vingadores” naquele caso  do marginal amarrado ao poste. Foi linchada pela imprensa e pelas mídias sociais.

Vejamos: um “menor” comete crimes sabendo que, por causa dessa condição, terá nenhuma ou poucas consequências, e que logo voltará às ruas. E, pior, esse crime não se restringe aos pequenos: chega ao assassinato, com tantas agravantes quantas forrem possíveis. E é solto ou da delegacia, ou da ex-FEBEM, hoje Fundação Casa… livre para voltar ao crime.

O magistrado é solto por causa da idade. Ou se livra porque o tempo, que tudo conserta, aliou-se à lei e determinou que ele não mais merecia punição.

O ex-diretor de estatal é solto no mais puro exemplo do que é “matar a vaca para matar o carrapato”. O juiz mandou soltar cem, depois mandou não soltar noventa e nove…

O tribunal que condenou se renova, e de novos ares perdoa o crime que recentemente propôs punir…

O partido que apoia a criação de uma CPI contra a petrolífera não quer uma que apure os trens. E um e outro se revezam com os argumentos e contra-argumentos, aparentemente não percebendo a própria bipolaridade…

Aquele que recebe dinheiro diz que não sabia… O que não sabia nem conhecia…

Em tempos de futebol no quintal, “o que tinha que ser roubado já foi roubado”…

Velhos inimigos se abraçam, fraterna e amigavelmente, mostrando que amizade tem preço…

Jornalistas e comentaristas esbravejam contra juízes que cumprem (estritamente) a lei em um caso, enquanto criticam desarvorados outros juízes que não obedecem à lei…

Sim, preciso concordar com a jornalista. Compreendo o que leva as pessoas a desabafarem pelos punhos e pés quando um desses coitados é pego de jeito. É a representação daqueles que, arma em punho, nos sequestram, nos matam, nos roubam os bens conseguidos com esforço. É aquele momento em que o pensamento já não existe, mas aquele sentimento que leva o animal (que somos) a reagir, sem outra opção, pois que, de pouco em pouco, ou de uma vez, nos levam os bens ou a vida.

Sem segurança, sem justiça, sem aplicação de leis, e sem representantes de fato, quem é que está realmente seguro? Ou protegido? Ou devidamente representado?

Pode ser que tenha me juntado à Raquel Sherazade somente porque fui assaltado recentemente. Talvez. Mas os que passaram pela experiência que digam o sentimento que nos invade quando um outro ser humano, de arma em punho, nos obriga à entrega de bens pessoais em troca de não morrer? E, pior, no momento da entrega, em que nunca sabemos se essa troca realmente vai se dar?

É o país dos “de menor”, dos doleiros, dos lobistas, dos amigos da corte, dos governantes vazios de ação mas cheios de oratória, dos que condenamos sem nunca julgar…

Sim, sou um dos que acha “compreensível”. Estou incitando à violência? Não, não estou. Estou somente dizendo que estamos voltando àquela era em que a segurança era nossa primeira necessidade, aquela coisa básica lá do tal de Maslow…

Quem nunca sofreu uma violência sem ter achado compreensível que atire a primeira pedra… Ops, não no bandido, senão…

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Manual do amigo que quero ser

Como amigo, devemos ser sinceros. Assim, não espere que eu lhe conte mentiras diplomáticas. Acho que assim não o ajudo. Então, uso a verdade. Procuro usar a verdade de maneira gentil, sem deixar que ela ofenda, por mais agressiva que seja. Mas espere sempre a verdade. Mesmo que isto custe nossa amizade.

Sou um amigo de poucas palavras. Somente as necessárias. E sem floreios. Sem rodeios. A não ser que seja para conversar. Aí, não tenho limites. Falamos de tudo, e de todos. Mas não espere de mim paixão. Ao menos aquela paixão de torcedor, de acólito, de sabedor.

Todas as minhas opiniões estão sujeitas a revisão. Nem por isto, erradas. E, também nem por isto, certas.

Não imponho minha amizade, assim como não imponho ajuda. Amizade é bom, mas deve ser desejada, nunca imposta. Acredite em mim, por que eu acreditarei em você quando você me disser que não precisa de ajuda. Respeito sua solidão, respeito seus desejos. Respeito até mesmo seu desrespeito. Mas não espere que eu invada seu espaço, mesmo que seja para ajudar. Se precisar, peça.

Se somos amigos, é porque respeito sua opinião. Assim, não hesite em me oferecê-la. Mas, lembre-se: nossas opiniões podem não ser iguais. Nem mesmo semelhantes. Assim como nossas verdades, que, afinal, determinam essas opiniões. Ou são por elas determinadas, sei lá. Mas, enfim, que, amigos que somos, possamos conviver com nossas diferenças, que é o que faz grande nossa amizade.

Espero que mantenhamos contato. De minha parte, aguarde uns telefonemas, mais telegráficos, de alguns segundos, apenas, e saiba que ele é para dizer que estou vivo e bem, e para saber se você está vivo e bem. Pressa? Talvez, nossa vida não está fácil. Mas um segundinho para falar com os amigos, isto sempre podemos arranjar.

Às vezes esquecerei seu aniversário. Mas no máximo uma vez por ano. Não quer dizer que esqueci de você. E sei que você também não se esqueceu de mim. E, se esqueceu, tudo bem: talvez eu não tenha merecido ser lembrado. Por isto, permita que eu o lembre de mim.

Coisas tristes, muitas vezes não falarei delas. Coisas alegres, talvez fale até demais. Por isto, quando nos encontrarmos, depois de um longo tempo, perdoe-me se fico falando de tempos idos, de lembranças adormecidas, dos bons momentos. Mesmo que eu fale muito disto. É porque isto nos fez amigos. Merece lembrança.

Não se incomode se eu ficar olhando muito para você. As marcas do tempo estão em todos nós, e precisamos guardar essa imagem do “eu” atual. Assim, não o olharei por espantado com sua aparência. É para atualizar sua imagem, para ficar mais fácil reconhecer você da próxima vez. E eu saberei que você não estará olhando para minhas cãs, já tantas.

Perdoe, assim, se a vida nos reservou algo diferente daquilo que projetamos. A vida é assim, e talvez para todos ela seja uma surpresa. Mas, surpresa ou não, os rumos da vida não podem mudar uma coisa: nossa amizade, se assim quisermos. E, conclamo, não deixemos que a vida determine o grau de nossa amizade, o tamanho de nosso apreço. Com tantas variáveis incontroláveis nesta vida, a amizade pode ser uma âncora.Façamos dela essa fortaleza.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Dos infanticídios…

Quando minha filha nasceu, as imagens se gravaram tão indelevelmente que mesmo após minha extinção estarão lá. Um bebê, com olhinhos preguiçosos e desacostumados à luz, tentavam firmar-se em algo. Gosto de acreditar que eles procuravam aquele que lhes falava desde cedo, ainda no aconchego da barriga da mãe.

Uma pessoa me disse logo após, ao saber de minha grande felicidade, que eu nunca mais dormiria sem nela pensar. Dito e feito.

Eu a embalava sob o som de músicas inventadas. E falava com ela como se fosse gente grande, o que me custou muitas e muitas críticas.

Nunca, em nenhum momento,quis senão o seu bem. A ponto de me dar por uma noite, como nas ocasiões em que a cólica atacava, e eu, entre dormente e vigilante, massageava suas costas sobre minha barrida. Por horas e horas…

Enquanto crescia, pouca coisa mudava em minha determinação em protegê-la. Como ela não pediu para estar aqui, desdobrava-me em cuidados, sempre cuidando para não exagerar (concluo que nisto não tive sucesso: me excedi em cuidados).

Hoje, se ela precisa de um coração, dou o meu Pulmão, rim, fígado… Enfim, minha vida pela dela. Ela, uma amiga fiel e companheira de diversos momentos, ultrapassa a tudo quanto possa almejar num relacionamento com uma filha/filho.

Portanto, não posso compreender como um pai/mãe, mesmo um padrasto/madrasta conseguem sequer imaginar a morte de uma criança. A morte! Eu, que a cada resfriado me via em preocupações mil com minha criança, não posso compreender tal falta de afeição.

Ok, minha filha, minha carne. Seria, então, compreensível com enteados? Não posso acreditar. O ser humano não foi munido com tal egoísmo, ao menos não após algumas centenas de anos de civilização.

Mas a realidade, por menos que a aceitemos, é cruel. Ainda há aqueles que valorizam demais a si mesmos, em detrimento de qualquer outra coisa. E, neste mundo financeiro, qualquer empecilho, qualquer um, é somente um mero empecilho.

O que será que anda errado com essas pessoas dos infanticídios? Talvez o egoísmo lhes tenha impedido de viver a mais maravilhosa e completa experiência: a de amar as crianças. E os filhos.

Ainda bem que dessa água não beberei.