quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Choque de consciência–o caos pelo indivíduo

Não se sabe, nunca se saberá, em que momento se deu, mas os seres humanos desistiram. Essa é a única conclusão a que podemos chegar.

O que explicaria, então, que pessoas que se reúnem para assistir a uma partida de futebol agridam umas às outras, depredem carros e imóveis, saqueiem casas comerciais? Se o propósito era assistir a um espetáculo esportivo, porque então de deslocam (com frequência) desse objetivo para se arriscar a ferimentos e outros riscos maiores?

Não é, infelizmente, caso isolado. Mais e mais casos se espalham pelo mundo, torcidas que, mais do que brigar, agendam as brigas como se fossem compromissos a serem honrados.

Fosse somente em casos de insanidade multitudinária, seria menos grave. Mas o trânsito prova que o indivíduo, isoladamente, também está sem controle. Pessoas de boa índole, disciplinadas e afáveis não raramente ignoram as mais básicas regras do trânsito e colabora, atomicamente, para o caos sistêmico, o que gera mortes e mutilações tantas que emula, com muita competência, uma guerra civil, Poder-se-ia dizer que a falta de fiscalização e sua consequente punição seriam as responsáveis por essa catástrofe. Não, não é verdade. A origem da catástrofe está no indivíduo, que escolhe ignorar as regras que pretender lhe dar segurança. Velocidade, ultrapassagens arriscadas, manobras irresponsáveis são apenas alguns dos pecadilhos. O maior deles é a transmutação do automóvel em arma, podendo mais aqueles que têm a maior. Não é raro que a incivilidade provoque ataques de automóveis contra outros, ou mesmo pedestres.

Culpa? Não sei se há que falar em culpa. Mas em falta de consciência. Pois aqueles que provocam, quando vitimados, aparecem no muxoxo da “injustiça social” e outras mazelas. A vítima do excesso de velocidade, em que pensa ao transitar pelo acostamento, passar pelo sinal fechado, avançar na faixa? Pecadilhos menores, talvez? Sim, mas que progridem. Rudy Giuliani, ex-prefeito de Nova Iorque, nos mostrou os excelentes resultados da intolerância zero.

Quem são esses que abdicaram do pacto social? São os esquecidos, os necessitados, os marginalizados? Não. São apenas pessoas que se deixaram sequestrar pelos seus instintos mais obscuros. São aqueles que, ao problema, fazem birra. São os analfabetos sociais, no sentido de que não prezam a vida em sociedade, mas somente a satisfação de suas necessidades pessoais, pois mais que doentias.

Como resolver? Podemos exigir leis e ações do governo, ou atuação intensiva da polícia. Isso mesmo aquelas famílias que recebem em suas casas, depois dos atos tresloucados, seus autores, e os defendem, pois família é isso. Mas o problema somente se resolverá se cada um, e todos, resolverem. Se cada um decidir que precisamos fazer o que é certo, e não o que queremos, aí então haverá horizontes por perseguir. Até lá, lamentemos a falta de consciência que grassa nesta “sociedade”, doente e carente.

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