sábado, 16 de novembro de 2013

Ressaca moral: o mensalão e o PT

Foram presos os condenados pelo mensalão. Mais precisamente, alguns dos condenados. Dentre eles, próceres de nossa república em algum momento histórico.

Diante da reação dos acólitos dos presos, duas possibilidades emergem: o poder judiciário militou contra o PT, ou o PT não reconhece o poder para o qual mais indicou ministros desde a ditadura.

No primeiro cenário, estamos à beira do caos jurídico. Se a mais alta corte do Brasil milita, e não o faz em nome do direito e da justiça, é preciso intervir. É preciso resgatar aquele sentimento que todos temos de que, no fim das contas, justiça será feita. Ou, no mínimo, que a lei será aplicada. Mas se outras ideologias ou interesses norteiam as decisões de nossos magistrados, o cidadão está desamparado. E não digo aqui cidadão “comum” porque o adjetivo perde a força perante o de que um político (tido, principalmente pelos próprios, como cidadão especial) foi condenado e iniciou cumprimento de pena.

No outro cenário, estamos à beira do caos, igualmente. Se o partido que tem onze anos no mais alto cargo legislativo do Brasil e alianças com 99% dos partidos não consegue mudar a realidade do poder judiciário, composto por pessoas que indicou, conclui-se que o Brasil não tem jeito mesmo. As alianças seriam somente para outros fins, não para reformas e assuntos importantes, como estruturação do país. E interesse nessa mudança o PT tem, pois seus pessoas importantes em sua história foram vítimas desse desvio de objetivos.

O fato é que o cidadão continuará a acreditar no poder judiciário. É ele quem deve nos socorrer em nossas necessidades e é a ele que sempre recorremos quando nos sentimos injustiçados. Sem essa crença, o indivíduo teria ganas de fazer justiça pelas próprias mãos, e o pior cenário se apresentaria.

E fato também é que o PT precisa espernear contra as decisões do Supremo Tribunal Federal. A alternativa seria admitir que o que fizeram seus membros é aceitável e alguma forma. Admissão, aliás, que as turbas avermelhadas parecem assumir. “Condenados políticos”, é sob essa definição que foram homenageados os neopresos. Se até  líder máximo alegou que “todos fazem”…

O fato é que é triste ver as prisões daqueles que já foram esperança de milhões. Representantes do partido que lutou contra a ditadura, e que instaurou sua própria, sem violência física, mas ditadura. A coincidência das prisões com o dia da Proclamação da República não poderia ser mais emblemática: a república assumiu uma democracia imperfeita, que beneficia e transforma aqueles a quem confere o poder.

Triste!

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