domingo, 24 de novembro de 2013

Preso político ou político preso?

George Orwell retratou bem a classe política. Com seu Ministério da Verdade, o poder estabelecido editava a realidade, transformando seus venenos em puro mel.

José Genoíno e José Dirceu, braço esquerdo levantado, querem nos fazer acreditar que são presos políticos. Do governo do qual fizeram parte, sem que haja notícia de dissidência.

Os que defendem os políticos presos não apresentam senão tergiversações para embasar sua tese. Os que os repudiam aplaudem as medidas adotadas pelo nosso poder judiciário sem entrar no mérito, com adesismo a priori.

Se formos separar uns e outros por partidos políticos, teremos o PT e o PSDB. O primeiro clamando pelo julgamento do mensalão mineiro. O segundo defendendo as penas dos políticos já presos e negando o mensalão mineiro. E, de novo, grupos defendendo e atacando sem entrar no mérito da questão.

Do lado tucano, há a mal explicada denúncia do cartel do metrô. Que, embelezada pelos tucanos, parece ter sido uma demonstração cabal de lisura e honestidade.

Se dependesse das declarações dos envolvidos, nada errado foi feito. Até mesmo o dinheiro que transitou por becos e vielas é honesto. Mas n nós, cidadãos, o interesse deveria ser bem outro. Deveríamos estar engajados na busca da verdade. A verdadeira, não a embelezada, num mundo surreal em que a verdade se pauta pelas versões, não pelos fatos.

Assim, aos tucanos não interessaria se denúncia é contra seu partido. Interessaria, sim, apurar se procede. E, procedendo, interessaria a imediata punição dos envolvidos. Assim como aos petistas. Que, podendo se gabar de prender políticos envolvidos em tramoias, prefere atirar contra o sistema judiciário composto por seus indicados.

Sim, apoio a prisão dos petistas. Não por serem petistas, mas porque passaram por processo lega e foram condenados. Assim como apoiarei a prisão de tucanos, se o tribunal entender que há razões para tal. Paixões à parte, o Brasil ainda é uma grande coleção de capitanias hereditárias, em que todos são amigos do rei e os reis se protegem e a seus amigos.

Vivemos num ecossistema de partidos políticos. Lula abraçando Collor parece ser o exemplo mais representativo disso. Quando nos livraremos disso? Não se sabe sequer se sairemos.

Mas a mudança parece exigir que nossos posicionamentos sejam menos futebolísticos e mais objetivos. Cometeu ato criminoso? Punição! Independente de suas cores ideológicas.

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