sexta-feira, 29 de novembro de 2013

O insulto do PSDB

O PSDB parece estar querendo nos insultar. Seus caciques vieram a público reclamar do Ministro da Justiça por causa do escândalo dos trens. Foi uma jogada mal ensaiada.

Parece que o que desagradou o partido foi o fato de a investigação estar andando. Talvez não nas melhores direções, nem na maior velocidade, mas está tendo sequências. Será que é disso que têm medo os caciques?

É de se lembrar que os mesmos não vieram a público reclamar quando a imprensa mostrou que o Suíça encerrou a investigação por falta de colaboração do Brasil. Estava nas mãos de quem, mesmo?

Uma cortina de fumaça para nos fazer olhar para o outro lado do mensalão mineiro? Parece que sim. Pois de concreto sua reclamação não teve nada.

Reclamam que o ministro da justiça é que quer que os olhares se desviem dos petistas presos. Ou seja, um lado reclama que o outro o está copiando, só pode ser isso.

Não estamos comemorando a prisão dos petistas. Estamos satisfeitos (os que estão, claro) com o fato de um crime envolvendo políticos ter chegado a tão surpreendente desfecho. Que paguem o que devem, não mais. Mas há outros nessa fila. Se há justiça, ela deve ser aplicada também para os casos de outros fatos de comprovado crime. Se envolve uma figura com a respeitabilidade de um José Genoíno, pode ser lamentável, mas deveria ser exemplar.

Os fatos não parecem agradar os peessedebistas. Quem se lembra da privatização “no limite da irresponsabilidade” de Fernando Henrique Cardoso? Mas as apurações não evoluíram. Assim como a compra dos votos da reeleição de outros menos famosos.

O Brasil está no momento em que os culpados já têm medo. Talvez não paúra, mas somente um medinho, mas já é uma mudança.

Esse comportamento daqueles que tentam desmentir o que já está confessado à justiça suíça ofende a inteligência dos eleitores. Parece que os caciques do PSDB estão a tratar com uma manada que, a seu comando, vai de um lado para outro sem poder de crítica. Parece que o “rebanho” não tem discernimento para separar o fato da versão.

Ofende minha inteligência quererem que acreditemos neles por causa de um teatro mal ensaiado.

Fica óbvio que os partidos políticos, no fundo e na superfície, são a mesma coisa. Discursam para atingir o poder. E agem para mantê-lo, a qualquer custo. Diferenças entre os partidos, se há, são ínfimas. Nada que lhes desminta os piores comportamentos.

Depois de tantos anos no poder, parece que PT e PSDB (além do PMDB, DEM, e outros) precisam é de um choque de votos. Ou do choque da falta de votos. O fato é que precisamos de novas cabeças, com novos objetivos. E com alguma moral. Não precisa muito, mas alguma moral já seria uma bela mudança.

PSDB: menos um voto!

domingo, 24 de novembro de 2013

Preso político ou político preso?

George Orwell retratou bem a classe política. Com seu Ministério da Verdade, o poder estabelecido editava a realidade, transformando seus venenos em puro mel.

José Genoíno e José Dirceu, braço esquerdo levantado, querem nos fazer acreditar que são presos políticos. Do governo do qual fizeram parte, sem que haja notícia de dissidência.

Os que defendem os políticos presos não apresentam senão tergiversações para embasar sua tese. Os que os repudiam aplaudem as medidas adotadas pelo nosso poder judiciário sem entrar no mérito, com adesismo a priori.

Se formos separar uns e outros por partidos políticos, teremos o PT e o PSDB. O primeiro clamando pelo julgamento do mensalão mineiro. O segundo defendendo as penas dos políticos já presos e negando o mensalão mineiro. E, de novo, grupos defendendo e atacando sem entrar no mérito da questão.

Do lado tucano, há a mal explicada denúncia do cartel do metrô. Que, embelezada pelos tucanos, parece ter sido uma demonstração cabal de lisura e honestidade.

Se dependesse das declarações dos envolvidos, nada errado foi feito. Até mesmo o dinheiro que transitou por becos e vielas é honesto. Mas n nós, cidadãos, o interesse deveria ser bem outro. Deveríamos estar engajados na busca da verdade. A verdadeira, não a embelezada, num mundo surreal em que a verdade se pauta pelas versões, não pelos fatos.

Assim, aos tucanos não interessaria se denúncia é contra seu partido. Interessaria, sim, apurar se procede. E, procedendo, interessaria a imediata punição dos envolvidos. Assim como aos petistas. Que, podendo se gabar de prender políticos envolvidos em tramoias, prefere atirar contra o sistema judiciário composto por seus indicados.

Sim, apoio a prisão dos petistas. Não por serem petistas, mas porque passaram por processo lega e foram condenados. Assim como apoiarei a prisão de tucanos, se o tribunal entender que há razões para tal. Paixões à parte, o Brasil ainda é uma grande coleção de capitanias hereditárias, em que todos são amigos do rei e os reis se protegem e a seus amigos.

Vivemos num ecossistema de partidos políticos. Lula abraçando Collor parece ser o exemplo mais representativo disso. Quando nos livraremos disso? Não se sabe sequer se sairemos.

Mas a mudança parece exigir que nossos posicionamentos sejam menos futebolísticos e mais objetivos. Cometeu ato criminoso? Punição! Independente de suas cores ideológicas.

sábado, 16 de novembro de 2013

Ressaca moral: o mensalão e o PT

Foram presos os condenados pelo mensalão. Mais precisamente, alguns dos condenados. Dentre eles, próceres de nossa república em algum momento histórico.

Diante da reação dos acólitos dos presos, duas possibilidades emergem: o poder judiciário militou contra o PT, ou o PT não reconhece o poder para o qual mais indicou ministros desde a ditadura.

No primeiro cenário, estamos à beira do caos jurídico. Se a mais alta corte do Brasil milita, e não o faz em nome do direito e da justiça, é preciso intervir. É preciso resgatar aquele sentimento que todos temos de que, no fim das contas, justiça será feita. Ou, no mínimo, que a lei será aplicada. Mas se outras ideologias ou interesses norteiam as decisões de nossos magistrados, o cidadão está desamparado. E não digo aqui cidadão “comum” porque o adjetivo perde a força perante o de que um político (tido, principalmente pelos próprios, como cidadão especial) foi condenado e iniciou cumprimento de pena.

No outro cenário, estamos à beira do caos, igualmente. Se o partido que tem onze anos no mais alto cargo legislativo do Brasil e alianças com 99% dos partidos não consegue mudar a realidade do poder judiciário, composto por pessoas que indicou, conclui-se que o Brasil não tem jeito mesmo. As alianças seriam somente para outros fins, não para reformas e assuntos importantes, como estruturação do país. E interesse nessa mudança o PT tem, pois seus pessoas importantes em sua história foram vítimas desse desvio de objetivos.

O fato é que o cidadão continuará a acreditar no poder judiciário. É ele quem deve nos socorrer em nossas necessidades e é a ele que sempre recorremos quando nos sentimos injustiçados. Sem essa crença, o indivíduo teria ganas de fazer justiça pelas próprias mãos, e o pior cenário se apresentaria.

E fato também é que o PT precisa espernear contra as decisões do Supremo Tribunal Federal. A alternativa seria admitir que o que fizeram seus membros é aceitável e alguma forma. Admissão, aliás, que as turbas avermelhadas parecem assumir. “Condenados políticos”, é sob essa definição que foram homenageados os neopresos. Se até  líder máximo alegou que “todos fazem”…

O fato é que é triste ver as prisões daqueles que já foram esperança de milhões. Representantes do partido que lutou contra a ditadura, e que instaurou sua própria, sem violência física, mas ditadura. A coincidência das prisões com o dia da Proclamação da República não poderia ser mais emblemática: a república assumiu uma democracia imperfeita, que beneficia e transforma aqueles a quem confere o poder.

Triste!