quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Pão e circo–a informação tratada como massa de modelar

Na transmissão da corrida de Fórmula 1 em Monza, neste domingo último (08/10), as notícias no paddock davam certa a saída de Felipe Massa da Ferrari. Um Galvão Bueno irritado afirmou, várias vezes, que o piloto lhe dissera que o presidente da Ferrari prometera a ele, Massa, que ele seria o primeiro a saber se a decisão de não renovar seu contrato fosse tomada.

E, ainda irritado com a propagação da notícia ruim para um brasileiro, reiterou várias vezes que não passava de boato.

Hoje, Felipe Massa anunciou sua saída da Ferrari.

E como fica a afirmação de Galvão Bueno? Não fica.

Uma reportagem de 16/06/2013 na Folha de São Paulo, um artigo exaltava as qualidades do jornalista Galvão Bueno, chamando de “gênio da comunicação”.

Traz também uma afirmação feita por Galvão à Revista Veja:

Eu sou um vendedor de emoções. O esporte é basicamente emoção. É o meu produto. Eu tento vendê-lo da melhor forma possível. Narrar é andar no fio da navalha. Usar tudo que você puder para passar emoção ao espectador sem faltar com a verdade dos fatos, a realidade.”

Se você esperava que as transmissões de eventos esportivos fossem notícia, se enganou. O resultado é notícia, mas a transmissão é circo. Puro circo. Senão, como ignorar que a Fórmula 1 está cada dia mais chata? Não. Os patrocinadores não aprovariam. Como dizer que o jogo de equipe é uma vergonha? Não, os patrocinadores (ao menos um em especial) não aprovariam.

E por aí vai. Como o jornalismo da rede de Tv que detém os direitos de transmissão da Copa vai poder se posicionar adequadamente contra os escandalosos estádios? Ou contra os barões do esporte, esse grupo que enriqueceu e montou um feudo todo seu?

Não, isso é notícia. O que importa é o “Hino da Vitória”, loas aos brasileiros (no plural? Desculpe, ato falho) restantes no decadente esporte de ex-garagistas.

Aliás, apoiando-se no ídolo maior de boa parte dos brasileiros, as transmissões são recheadas de menções ao “Ayrton”, o inesquecível. Falecido há dezenove anos, diga-se de passagem.

E quando a notícia, repetindo e frisando, notícia foi dada, Galvão, o vendedor de emoções, duvidou.

Conforme o site da Veja (aqui), essa é a reprodução da transmissão ao vivo:

Durante transmissão pela TV Globo do Grande Prêmio da Bélgica 2009, o jornalista Reginaldo Leme afirmou que Flavio Briatore, ex-chefe da ING Renault F1 Team, havia tramado o acidente de Nelsinho Piquet no GP de Singapura 2008 para beneficiar o piloto Fernando Alonso. O apresentador Galvão Bueno duvidou da informação e preveniu o companheiro de eventual processo.

Reginaldo Leme: Muita coisa ruim deve vir a tona nos próximos dias. Essa é uma delas.

Galvão Bueno: Peraí, você está querendo me dizer que o Nelsinho bateu o carro de propósito? Não pode ser. O Nelsão, o Nelsinho devem estar ouvindo a transmissão. Isso não é possível.

Galvão Bueno: Quem espalhar essa notícia vai levar um tremendo processo. Isso vai dar uma confusão, eu nunca ouvi uma história tão escabrosa na história da Fórmula 1.

A direção da transmissão, na sede da emissora no Rio de Janeiro, ordenou que dois encerrassem o assunto.

Informação boa, a verdade, pode não comover ou animar, mas, geralmente, não dá processo.Quando dá, ganha. Não se pode dizer o mesmo da censura.

Por Antonio Ribeiro

Duvidou e tripudiou. Mas admitiu seus poderes mediúnicos a Jô Soares, pois ele, Galvão, sempre sabe o que pensam jogadores de futebol, pilotos e outros esportistas, isso em plena transmissão. Notícia? Não, emoção.

Falar o que o outro quer ouvir: manipulação. Se “o outro” é toda a assistência, é circo.

Juntemos aos arroubos ufanistas de Galvão as novelas, as notícias pasteurizadas, o proteção conivente aos amigos do rei, e temos mais e mais circo.

O pão? Ora, o pão! Circo"!

Aqui, o vídeo da transmissão.

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