segunda-feira, 9 de setembro de 2013

A Rede Globo e a ditadura e Ricardo Boechat

Em tom contrito, a rede Globo admitiu, recentemente, ter sido um erro seu apoio à ditadura. Aparentemente, concordando com os motivos da intervenção limitar, o veículo de comunicação mais assistido do Brasil aderiu, de primeira hora, aos golpistas. Não seria problema algum se fosse um ato de pessoa física. Mas foi o posicionamento de uma poderosa empresa, formadora de opinião (queiramos ou não), e cujo alcance é o maior do Brasil, mesmo àquela época.

A pergunta é: e como isso alterou a vida do brasileiro?

Nunca saberemos. Só podemos mesmo especular. Por exemplo, que resultados teriam ocorrido se a Poderosa divulgasse, com toda sua força televisiva, as manifestações pelas Diretas Já? teria sido diferente a votação da emenda Dante de Oliveira? O resultado manteve a eleição indireta no país, contrariamente à vontade do povo e de interesse direto do governo militar. Como exercício de imaginação, visualizemos o ocorrido no Rio Centro, em 1981, sendo objeto de longas e demoradas análises sobre imagens dos militares mortos no ocorrido. Será que o monstro acordaria ali?

Pelas suposições do que sabemos, extrapolamos para o que não sabemos. O que mais teria escondido da população essa empresa concessionária de comunicação? A chave aqui é o termo concessão. Quem concede é o governo, ao qual aderiu adrede. Medo de perder poder?

E falamos aqui de esconder, ou mal mostrar. E o que dizer daquele debate entre Lula e Collor, cuja reportagem, manipulada, mostrou um delles vitorioso e ou outro cabisbaixo? O que mais estava na pauta da rede Globo para ser também manipulado? Onde mais a informação foi maltratada e transformada conforme o interesse da Poderosa?

Toda manhã, por hábito, escuto o jornal da BandNews, que tem em Ricardo Boechat seu âncora. E ele abra o jornal todos os dias com uma arenga sobre um caso qualquer do Brasil e do mundo. É editorialista, e trata-se de opinião. Nada mais. Nem sempre é possível concordar com tudo o que fala Boechat, sendo mais provável que discordemos mesmo de muita coisa. Mas é um alívio à alma ver um respeitado jornalista falar o que pensa. Fugindo do padrão estéril dos âncoras de telejornais mais sérios, que comunicam sua aprovação ou a falta dela somente com um movimento das sobrancelhas (que deselegante!).

(Claro que não vamos colocar num mesmo patamar os programas policialescos que assombram as tardes e noites do Brasil).

O resultado é que dialogamos com as informações, levados pelo raciocínio do Boechat, a favor ou contra. Suas opiniões trazem a ele tanto elogios como críticas. Mas o destacam por dar profundidade à notícias, mesmo contra o senso geral de que as redes de comunicações, ávidas pelo dinheiro de propaganda do governo, calam-se onde deveriam gritar.

Claro, nem tudo são flores mesmo na rede Bandeirantes. Mas esta rede cresceu, e muito, desde o nosso primeiro presidente eleito pelo voto direto.Esperamos que a mesma força assole as demais emissoras. E que a Globo, arrependida, faça jornalismo total, e não aquele que serve a senhores de seu interesse.

Dá-lhe Boechat.

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