quinta-feira, 4 de julho de 2013

O direito de Renan Calheiros

Renan diz que tem direito de usar avião da FAB e se recusa ressarcir cofres públicos, segundo a Folha de São Paulo. A pergunta é: quem deu a Renan Calheiros esse direito?

Essa é uma daquelas coisas com que sonha a maioria dos brasileiros. Aumentar seu próprio salário, criar ressarcimentos de despesas que inexistem, ressarcir custos que são de sua própria responsabilidade, trabalhar quantos dias quiser, eliminar a necessidade de se justificar a quem quer que seja… Mas somente uns poucos têm essas prerrogativas. Alguns são donos de empresas, e pagam esses luxos com o lucro de seu empreendimento, ou arcam com o prejuízo. Outros são nossos representantes, que repassam as despesas aos cofres públicos, segundo sua própria vontade.

Eu não votei para isso acontecer. A esmagadora maioria do povo brasileiro não participou dessa negociata, senão indiretamente. Votamos em pessoas que julgamos, acertada ou erradamente, que iriam nos representar com equidade, justiça, bom senso, honestidade e outras quimeras. Mas fomos surpreendidos, ao longo dos sucessivos mandatos, com o aumento das benesses em benefício próprio.

Pois que nossos representantes têm autonomia para votar em que quiserem, e da maneira que quiserem. Observados os valores éticos, deveria mesmo ser assim. Mas estamos reféns da ganância desses nossos representantes que acham mais importante votar o aumento de suas verbas pessoas que o código civil brasileiro.

Renan Calheiros tem esse direito? Eu acho que não. E, principalmente, acho que não se foi autoconcedido. E, aqui, considero que todo o Congresso (ou assembleia, ou câmara) que vota em favor do seu estamento, autoconcede-se. Isso deveria ser errado, impedido, proibido. Mas esse impedimento depende da avaliação e votação dos nossos representantes, que só votam a favor daquilo que os favorece, gerando um evento tostines…

É disso que estamos falando. Queremos deputados, senadores, deputados estaduais, vereadores, juízes, etc., trabalhando cinco dias por semana, todas as semanas. Que suas férias sejam iguais às nossas, e também seus benefícios. Que seus carros não tenham placas diferenciadas, e que seu comportamento seja público, como é a carta branca que a eles concedemos.

Queremos que essas pessoas nos representem votando conforme nossa vontade, não conforme seu interesse. Queremos que nossa representação tenha uma finalidade maior, não que seja instrumento de locupletação pessoal. E, principalmente, queremos que essas pessoas tenham a capacidade de sentir vergonha, e que essa vergonha possibilite a eles concluir que seu comportamento é errado. Não queremos aquelas pessoas que vendem terrenos na lua, e que declarem com a maior desfaçatez que é absolutamente normal.

Enfim, queremos pessoas que entendam que seu maior direito, e que o que condiciona todos os demais, é o de traduzir a voz das pessoas que representa. E essa tradução não pode ser surda, ao contrário. Ela tem de ouvir a voz rouca, às vezes muda, mas sempre presente, dos cidadãos que lhe afiançam o poder.

Chega, Renan Calheiros!

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