domingo, 16 de junho de 2013

O governador Alckmin e sua polícia orwelliana

O governador afirmou que vai apurar “eventuais excessos” da polícia paulista nas manifestações. Tentando dizer “ se houve” algum excesso…

George Orwell descreveu a polícia em 1984 da forma mais fiel à realidade, a Polícia das Ideias. Mas, como crime não havia, essa polícia cuidava somente de oprimir, buscando patrulhar inclusive pensamentos. No estado de São Paulo crimes há, e aos montes. Não só pequenos crimes, mas também os imensuráveis. A polícia é inepta para enfrentá-los, sejam do tamanho que forem. Mas enfrentar manifestantes é diferente, é a ocasião propícia de achar os “inimigos” agrupados, sendo desnecessário até mesmo mirar.

Geraldo Alckmin não viu problema no comportamento da polícia. Com seu discurso, suas ações e, principalmente, suas omissões, reforça o comportamento de um grupo várias vezes mais poderoso que o dos manifestantes. Com armas de efeito moral, esse grupo é imoral na sua utilização: manifestantes, transeuntes, o cidadão que está em casa, todos são alvos. Fáceis, diga-se.

O comandante dessa tropa deveria ser o governador do estado. Mas os acontecimentos mostraram que poderia não haver comando algum. Desde a agressão gratuita dos que andavam até a destruição de patrimônio público, a polícia parece que se divertiu em mostrar seu poder àqueles que clamavam por ausência de violência. Pedindo, portanto, para que ela eclodisse?

Alckmin tratou logo de acionar seu Ministério da Verdade (secretaria, no caso). Maquiando os fatos, faltou somente negar a presença da polícia, acreditando que acreditaríamos. Como na guerra a primeira baixa é a verdade, não se furtou em apresentar sua versão dos fatos. Claro, tão logo voltou de Paris. Mas o Big Brother que imaginou Orwell evoluiu nesta nossa verdade, e as teletelas estão presentes também nos smartphones dos manifestantes, que filmaram e fotografaram os desmentidos ao que afirmou o governador. A polícia batendo e perseguindo manifestantes. A contraprova necessária, a dos manifestantes em baderna, não foram apresentadas pela polícia ou pelo governador.

Mas voltando à questão do comando, concluímos que a violência é, conceitualmente, decorrente de opção do governador. Se não por ordem direta nesse sentido, pela falta de ordem direta contra. Se o comandante não age, nem ao menos reage, a tropa tende a repetir sua violência. Mário Covas deve estar se revirando no túmulo vendo seu pupilo tão à mercê.

Em meio aos manifestantes, parentes e amigos nossos. Ou no seu caminho, o que os torna, ao menos aos olhos da polícia e do governador, baderneiros e criminosos, merecedores no mínimo de agressão por cassetete, se pouco.

Sim, este desabafo tem motivação política. Pois sou eleitor do nosso atual governador, e ele esta rasgando o compromisso comigo com esse patrocínio da covardia.

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