segunda-feira, 3 de junho de 2013

A preguiça essencial

A preguiça é a mãe do progresso; se o homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda.

Mário Quintana

 

É verdade que muitas das grandes invenções foram por acaso ou por vontade de deixar a vida mais fácil. Deveríamos seguir essa máxima em nossos relacionamentos interpessoais (com o perdão ao Shinyashiki pela apropriação do título).

Senão, vejamos.

Quando temos à frente uma pessoa que defende suas ideias de forma obstinada, emocionada, apaixonada, dificilmente teremos sucesso em apresentar a ela um argumento oposto. Não digo nem convencer, que é uma utopia nestes casos. A simples menção de alguma discordância coloca essa pessoa em alerta, e aí a razão sucumbe.

Essas pessoas se dizem autênticas, de opinião firme, convictas. Na verdade, acho que beiram a falta de educação, pois não é raro que nem ouçam argumentos contrários à sua posição. Contra argumentos não fatos, disse o poeta. Então, entrar numa discussão com pessoas assim, no auge da paixão, me dão uma tremenda preguiça psicológica. Além do que mostra a experiência que não adianta.

Assim, mesmo por preguiça, é melhor deixar que a temperatura esfrie, que os ânimos se acalmem, e que a pessoa baixe sua guarda nesse assunto. E, tal qual um predador, quando ela menos espera, terçar um argumento que a faça conversar sem contaminações.

Algumas pessoas são mestres nisso. E conseguem muito mais convencimento que aquelas que, ofendida a sua verdade, partem para o ataque, atacando e revidando argumentos viscerais e nada racionais

Claro que não estou falando daqueles momentos em que a busca da verdade se impõe. Pois há esses momentos, em que a verdade exige sair à luz, precisa ser desvendada. Mas a tensão envolvida nessa exploração é grande, pois cada um tem sua verdade, pode ser que nenhum esteja errado, como naquela estória clichê dos cinco cegos e o elefante.

Mas também há os momentos em que é preciso deixar passar, em nome de algo melhor. Nada de passar para sempre, mas para depois. É a preguiça a favor das relações interpessoais.

Não é que não devamos dar murros em ponta de faca. Mas, ao menos, escolhamos as facas que valem a pena ser esmurradas.

Tinha mais para escrever, mas deu preguiça…

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