segunda-feira, 20 de maio de 2013

Estamos ganhando?

Crescemos e vivemos com aquela ideia, que nos acomete de forma muito natural, de que a raça humana evolui, está evoluindo e continuará assim, de forma que um dias as iniquidades inerentes a classe, cor, etc., sejam somente uma má lembrança.

Vivemos nessa crença de que o bem sobrepujará o mal, pois é a noção que nos foi inculcada desde a mais tenra infância, e que nos serve de lenitivo nas nossas crises existenciais.

Mas a pergunta se impõe: estaremos ganhando essa guerra? Será que o bem prevalece mais hoje que há 100 anos, por exemplo? Será que o mal sucumbe como as doenças infecciosas cederam aos avanços das ciências?

Não é uma resposta fácil e não há resposta certa ou errada.

Como se sabe, “bem” ou “mal” são avaliações subjetivas. O que é “bem” para uns pode ser mortalmente “mal” para outros. E há, ainda, aqueles que se situam, em diversas situações, na parte neutra da avalição: nem bem, nem mal.

Não transitamos pelo acostamento, não avançamos a faixa de pedestres. Jogamos o lixo no recipiente de cor certa, não sujamos a rua. Isso, para alguns, é “bem”. Para outros, que fazem essas coisas, pode ser nada, bobagens dos politicamente corretos.

Mas, assumindo-se que sejam bobagens, vamos a outros exemplos: não aceitamos propinas e não as oferecemos. Recusamos negócios escusos, e denunciamos aqueles que encontramos. Não colocamos nossos interesses acima dos interesses coletivos, e agimos sempre com base em valores aos quais aderimos firmemente.

Não, não é assim. Nos casos mais drásticos (propinas e denúncias), pode ser que ajamos assim mesmo. Mas os pecadilhos do dia-a-dia, ah, estes são os que nos assombram. Baixar músicas e filmes pela internet, mentir para pais e filhos, guardar o troco dado a mais, fazer aquela conversão em local proibido, parar “por um minutinho” em vagas de deficientes e idosos… Numa análise distanciada, essas coisas pareceriam daquelas a serem evitadas. Entretanto, convivemos com elas, seja em nossas ações, seja nas de pessoas bem próximas.

Na medida em que aceitamos que as coisas erradas (ao menos consideradas assim há alguns anos), estamos perdendo a guerra. Isso se reflete nos inúmeros exemplos de falta de respeito a professores e aos mais velhos, na falta de cerimônia com as coisas sérias, na falta de compromisso com a pessoa. Perdemos, e deixamos que pessoas queridas percam batalhas dessa guerra contra o mal.

A sensação mais forte é a de que a multiplicação da quantidade de pessoas na Terra afrouxou nossos valores, que estão se adequando na direção de aceitar coisas que nossos avós se esforçaram muito para que não permitíssemos. A luta de determinada classe profissional, que fecha ruas, agride pessoas, e destrói bens, que muitas vezes apoiamos, é um exemplo de como essas “coisas erradas” estão relativizadas.

Mas essa é uma guerra de pessoas unidas por um ideal, não por proximidade, raça, religião. Essa é uma guerra que só pode ser vencida com um verdadeiro pacto social e, mais, moral. É uma guerra de consciência, não de força bruta.

Até o momento, estamos perdendo. Aqueles que seriam crianças há cem anos estão matando. Os políticos já nem pejo têm, assumiram o lado sujo como se fosse o único. Compramos embalagens, mesmo que os produtos sejam ruins. E nos mobilizamos por futilidades, indo às ruas protestar por qualquer coisa, em vez de protestar pelas coisas certas. Opção de cada um? Verdade. cada um faz o que quer. Parece mais uma entropia comportamental, que nos levará, indefectivelmente, a uma crise da qual teremos de sair maiores, e com o ideal do “bem” renovado.

Mas estamos perdendo…

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