segunda-feira, 27 de maio de 2013

Felicidade é uma decisão, um estado de espírito

Há aqueles que nunca estão satisfeitos, e não ser permitem isso. Acham que a vida é uma cenoura atrás da qual se deve correr sempre, e por mais que conquistem, querem sempre mais. Não estão errados, o objetivo do ser humano deveria ser sempre a conquista do algo mais, do quilômetro extra, do mais um pouquinho. Seja o que for esse mais: material, conhecimento, reconhecimento.

Mas há aqueles que, consolidada a conquista, não desfrutam de seus benefício, nem mesmo dos psicológicos. Porque conquistar uma meta pode ter nenhum componente financeiro, mas somente aquele gostinho especial de chegar aonde queria. Dentre estes, há uma parcela que se diz infeliz…

E há aqueles que não atingem metas, aqueles para quem a vida não é fácil. Não andam de carro importado, nem ao menos novo, não viajam ao exterior, talvez nem à praia. Sacolejam por horas, de manhã e à noite, para ir e vir do trabalho. Não têm bônus de desempenho, não têm vaga na garagem. Têm, com exceções, plano de saúde e vale-alimentação, e a vida não lhes sorri com muita frequência. Ainda assim, há uma grande parcela destas pessoas que se dizem felizes.

Pois eu acho que é isso mesmo: a felicidade não se traduz exclusivamente e conquistas, ou a questões financeiras. A felicidade deveria ser – e é, efetivamente, para algumas pessoas – um estado de espírito. É o exercício solerte da arte de olhar o lado bom, de enganar a dureza da vida, de encontrar motivos para rir e sorrir. É uma posição a priori, é uma atitude, é a firme decisão de alguém que não deixa que as pedras o afastem do caminho.

Um dos maiores exemplo de felicidade por decisão que já vi o do piloto Alex (Alessandro) Zanardi.Depois de perder as duas pernas num acidente da Fórmula Indy, teve forças para confortar a esposa ainda no hospital, e ainda ganhar medalha de ouro em uma competição de ciclismo para amputados anos mais tarde.

Alguns, perante a adversidade, se encolhem a uma fração do que realmente são, e soçobram aos problemas, às dificuldades, às angústias. Outros, sem se importar com as dificuldades, resolvem, escolhem ir em frente e mudar a realidade que se lhes apresenta. Ou seja, tomar a mais sábia decisão, a de ser feliz. A despeito de…, sem se importar com

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Estamos ganhando?

Crescemos e vivemos com aquela ideia, que nos acomete de forma muito natural, de que a raça humana evolui, está evoluindo e continuará assim, de forma que um dias as iniquidades inerentes a classe, cor, etc., sejam somente uma má lembrança.

Vivemos nessa crença de que o bem sobrepujará o mal, pois é a noção que nos foi inculcada desde a mais tenra infância, e que nos serve de lenitivo nas nossas crises existenciais.

Mas a pergunta se impõe: estaremos ganhando essa guerra? Será que o bem prevalece mais hoje que há 100 anos, por exemplo? Será que o mal sucumbe como as doenças infecciosas cederam aos avanços das ciências?

Não é uma resposta fácil e não há resposta certa ou errada.

Como se sabe, “bem” ou “mal” são avaliações subjetivas. O que é “bem” para uns pode ser mortalmente “mal” para outros. E há, ainda, aqueles que se situam, em diversas situações, na parte neutra da avalição: nem bem, nem mal.

Não transitamos pelo acostamento, não avançamos a faixa de pedestres. Jogamos o lixo no recipiente de cor certa, não sujamos a rua. Isso, para alguns, é “bem”. Para outros, que fazem essas coisas, pode ser nada, bobagens dos politicamente corretos.

Mas, assumindo-se que sejam bobagens, vamos a outros exemplos: não aceitamos propinas e não as oferecemos. Recusamos negócios escusos, e denunciamos aqueles que encontramos. Não colocamos nossos interesses acima dos interesses coletivos, e agimos sempre com base em valores aos quais aderimos firmemente.

Não, não é assim. Nos casos mais drásticos (propinas e denúncias), pode ser que ajamos assim mesmo. Mas os pecadilhos do dia-a-dia, ah, estes são os que nos assombram. Baixar músicas e filmes pela internet, mentir para pais e filhos, guardar o troco dado a mais, fazer aquela conversão em local proibido, parar “por um minutinho” em vagas de deficientes e idosos… Numa análise distanciada, essas coisas pareceriam daquelas a serem evitadas. Entretanto, convivemos com elas, seja em nossas ações, seja nas de pessoas bem próximas.

Na medida em que aceitamos que as coisas erradas (ao menos consideradas assim há alguns anos), estamos perdendo a guerra. Isso se reflete nos inúmeros exemplos de falta de respeito a professores e aos mais velhos, na falta de cerimônia com as coisas sérias, na falta de compromisso com a pessoa. Perdemos, e deixamos que pessoas queridas percam batalhas dessa guerra contra o mal.

A sensação mais forte é a de que a multiplicação da quantidade de pessoas na Terra afrouxou nossos valores, que estão se adequando na direção de aceitar coisas que nossos avós se esforçaram muito para que não permitíssemos. A luta de determinada classe profissional, que fecha ruas, agride pessoas, e destrói bens, que muitas vezes apoiamos, é um exemplo de como essas “coisas erradas” estão relativizadas.

Mas essa é uma guerra de pessoas unidas por um ideal, não por proximidade, raça, religião. Essa é uma guerra que só pode ser vencida com um verdadeiro pacto social e, mais, moral. É uma guerra de consciência, não de força bruta.

Até o momento, estamos perdendo. Aqueles que seriam crianças há cem anos estão matando. Os políticos já nem pejo têm, assumiram o lado sujo como se fosse o único. Compramos embalagens, mesmo que os produtos sejam ruins. E nos mobilizamos por futilidades, indo às ruas protestar por qualquer coisa, em vez de protestar pelas coisas certas. Opção de cada um? Verdade. cada um faz o que quer. Parece mais uma entropia comportamental, que nos levará, indefectivelmente, a uma crise da qual teremos de sair maiores, e com o ideal do “bem” renovado.

Mas estamos perdendo…

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Menoridade penal: a quem estamos protegendo?

Em sua coluna de 05/05/2013 (aqui, para assinantes), Elio Gaspari defende a adoção de algo como “Second Strike” para os hoje menores de idade. Pela ideia, baseada nas leis dos “Three strikes and you are out” americanas (Três chances e você está fora, na tradução do próprio), o menor de idade que cometer um segundo crime será tratado como adulto.

Meio-termo entre a menoridade aos 16 (mudança desejada por 93% dos paulistanos) e 18, como é a atual legislação, a proposta é inteligente e tentadora, no sentido de estabelecer uma terceira via na discussão apaixonada que se iniciou nos últimos dias.

Mas há fatores a considerar para enriquecer a discussão.

O menor de 18 anos é considerado pela lei penal como inimputável. Ou seja, ele não existe aos olhos dessa lei de 1940, remendada de lá até hoje pelos nossos laboriosos representantes legislativos. Resta a abordagem paternalista e inadequada hoje adotada, acreditando os políticos que a mudança de nome de FEBEM para Fundação Casa resolvem magicamente os problemas.

O fato de ser menor de 21 anos (e acima de 18, óbvio), na data do ato criminoso, é considerado pelo Código Penal como circunstância atenuante, sendo esse fato considerado pelo juiz singular para redução da pena.

Então, de um lado, os menores de 18 anos não têm punibilidade pelo Código Penal, e até os 21 a têm de forma reduzida. E as pessoas reclamam de crianças que se comportam mal nos shopping centers, dizendo que os pais não lhes dão limites.

Àqueles que defendem as condições sociais dos criminosos-mirins, seria conveniente lembrar que outras crianças/adolescentes, nas mesmas condições, ESCOLHERAM não delinquir. Passam pelas mesmas necessidades, pela mesma falta de estrutura familiar e pela mesma falta de oportunidades, mas resolveram que trabalhar é o caminho certo. E se sacrificam, por horas a fio, no trajeto para/do trabalho/casa, acreditando que o trabalho os diferenciará, não o cano de um revólver, fumegante ou não.

E é bom que lembremos, ainda, que a maior parte dessa população que estamos considerando mal amparada pela sociedade é composta por gente do último tipo, ou seja, estudantes e trabalhadores que não se entregaram à violência. Mas que são vítimas dela. E em grande número. São as vítimas de furtos e roubos, pequenos ou grandes, são as vítimas das chacinas do tráfico. Não punindo os delinquentes, expomos os estudantes trabalhadores a eles. Que noção de justiça será esse?

E há o fato de que os que roubam não são somente esses de vida menos favorecida. No caso da dentista morta por fogo, um dos rapazes usou o carro da mãe, um importado nada barato. O que dizer, neste caso, da falta de oportunidades?

Não defendo a menoridade aos 16 anos. Defendo que o juiz, ou uma junta, ou seja lá que mecanismo for, avalie se o indivíduo entendia ser criminosa sua ação, e mesmo assim a perpetrou. Vá lá, concedo essa proposta do Gaspari, pois ele mesmo a justifica: raramente o primeiro crime é um de grande potencial lesivo.

Nossas famílias, nossos amigos, amigos de amigos e familiares, enfim, essas pessoas que trabalham para pagar por seus desejos, sejam eles o que forem, estarão à mercê dos nossos “protegidos” se nos deixarmos envolver pelo paternalismo. Há situações que precisam ser mudadas, de fato. Mas não apagará os atos e as dores que esses criminosos precoces nos causaram. E que, infelizmente, não parece ter um horizonte de diminuição…