terça-feira, 10 de julho de 2012

Dia de cassação?

Está marcada para hoje a votação do processo de cassação do senador Demóstenes Torres. Por uma interessante coincidência, ele foi considerado o paladino da moralidade, assim como Collor era o matador de marajás. O discurso diluiu-se nas próprias palavras, apanhadas nas gravações de suas conversas com Carlinhos Cachoeira. Se são culpados de algum crime, não se sabe.

Em pelo menos dois momentos importantes personagens desconhecidos vieram à cena para acusar poderosos. Num dos casos, um motorista e uma secretária (Eriberto França e Sandra Fernandes de Oliveira). Noutro caso, o caseiro Francenildo Costa. Três brasileiros enojados com o que fizeram e o que alegaram acusados de participação em esquemas destinados a desvios de recursos públicos.

Mais de uma vez ex-esposas também vieram a público para lavar a roupa suja, e no caso de Collor ainda teve o irmão, que deu início a tudo.

O que chama a atenção no caso de Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira é que não apareceu, neste caso, nenhum motorista, nenhuma secretária, nenhum caseiro. Ninguém que, com seu salário minguado, se indignasse com o que viu e sabe, a ponto de vir a público apresentar sua versão dos fatos. Mas pela quantidade de pessoas supostamente envolvidas, assim como os valores, é de se duvidar que não existam pessoas nessas condições. É mais lógico pensar que são pessoas que têm medo de represálias, ou que receberam sua justa paga.

Se o senador vai ser casso, ainda não se sabe. Sabe-se que ele provocou incômodo nos seus colegas, com seu discurso sempre acusatório, e que agora se vê flagrado em “pecado”. O senador pode tanto ser perdoado, como pediu às paredes do Congresso, como pode perder seu cargo pelo tom espinhoso de sua atuação.

Eu esperava que ainda houvesse um brasileiro que, abrindo portas ao suspeito, entregando malas, ou simplesmente testemunhando, soubesse dos fatos e os apresentasse.

Torço pela cassação.

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