segunda-feira, 16 de abril de 2012

Balanço de contas–avaliações

Em determinados momentos, vemos-nos perante fatos que nos levam a nos questionar sobre os nossos atos. Poderia ser atual e mandatório, como uma declaração de imposto de renda. Mas pode e deve ser mais frequente que isso.

Agora mesmo, olhando da janela do hotel (aguardando um compromisso) de uma cidade paradisíaca, me retornar alguns atos meus que me trouxeram aqui, nestas circunstância. E não consigo deixar de me arrepender de alguns e me orgulhar de outros.

Desculpem-me aqueles que dizem nunca se arrepender de nada. Não acredito nisso. É a própria contradição da condição humana da falibilidade. Quem declara que, conhecendo os resultados (ruins, neste caso), tomaria a mesma decisão, só pode estar de bravata. É a própria essência humana aprender de seus erros, mas isso se torna impossível sem reconhecer que erros houve.

Arrependo-me de muita coisa. “Esqueçam o que escrevi”, pediu Fernando Henrique. Faço o mesmo. Pois, como já disse alhures, esse é um processo de crescimento e posicionamento cíclico, em que nós nos questionamos e concluímos coisas diferentes de outrora, porque outras são as condições ou condicionantes. Enfim, é o homem tomando banho num rio diferente, embora seja no mesmo lugar de sempre.

Faria algumas (muitas) coisas de forma diferente, para evitar aqueles fardos que não são deles, mas que pessoas carregam por contas de nossos atos e decisões. Ou seria eu muito egocêntrico (por paradoxal que seja) achar que meus atos não influem a vida de de outras pessoas. O simples fato de chegar mal-humorado para trabalhar, e mal cumprimentar as pessoas já causa nelas uma consequência que, segundo a Teoria dos Sistemas, terá suas consequências.

Assim, é claro que me arrependo de algumas coisas.

Mas muito me orgulho de outras, sabendo que estas tiveram efeito contrário nas pessoas. Não foi um fardo, foi uma presença oportuna. Foi uma contribuição, uma colaboração. Sem más intenções sempre, às vezes remunerada (atos profissionais), mas sempre com o enorme cuidado de não agredir, não insultar, embora quase sempre com aquela ponta de vontade de chocar.

Como animais “pavlovnianos”, repetimos o que nos dá prazer e evitamos o que nos causa dor. Como, então, não reconhecer que erros cometemos, se é esse reconhecimento que nos leva à dor moral da causalidade? E como não nos orgulhar do que nos fez feliz, se esta é a busca de todo ser humano?

Assim sendo, declaro: há erros, e deles me arrependo. Há acertos, e deles me orgulho. E, humanamente, declaro que mais erros virão, mais acertos também. E, com ambos, o processo de aprendizagem.

Um comentário:

  1. "O homem e o seu destino seguram-se um ao outro, evocam-se e criam-se mutuamente. Não é verdade que o destino entre cego na nossa vida, não. O destino entra pela porta que nós mesmos abrimos, convidando-o a passar."
    Sándor Márai
    Erros, tropeços, desvios, obstáculos, tsunamis... em geral são tolices, que um dia achamos ser um marco em nossa existência e no dia seguinte nem lembramos mais delas.
    Todavia, só os nobres acusam os golpes e os lavam em publico. Parabens! Mas lembre-se: amanha é um outro dia, e o que vai ficar mesmo é o que você ressaltou: aprendizado. Não gaste mais do que poucos minutos para maturar o passado. Não vivemos nele.
    Forte abraço.
    Guilherme.

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