quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

As amizades Tambaqui - Republicação

No Livro da Jângal, Kippling narra uma deliciosa estória sobre animais indianos. E tem os nobres e os não tão nobres. Dentre estes, o Tambaqui, que vem a ser a hiena que borboleteia Shere-Khan, o tigre vilão.
Sabemos da amizade que a hiena tem com os tigres: ela se apodera das carcaças deixadas pelos tigres, roendo o que sobrou dos ossos. E é tão somente isso a amizade entre eles. Enquanto há osso, há amizade.
Na crueza da vida, temos vários desses amigos-Tambaqui. Quem nunca reparou que há amigos que se aproximam nas horas boas, jurando amizade eterna e que somem na hora da necessidade?
Numa era em que são poucos os afortunados, e em que o tráfico de influência é grande, é de se esperar que as hienas se aproximem, não somente dos tigres, das de qualquer um que lhes dê oportunidade de roer ossos, ou mais, que lhes permita sair dessa vida. As hienas não querem trabalhar, não querem construir, querem pronto para desfrute, e apostam nas amizades, espúrias ou não, para lhes proporcionar essa vida.
É pelo espírito do Tambaqui que aconteceram grandes escândalos nacionais: o irmão do presidente, a esposa do vice-prefeito, o presidente do partido… todos que tinham seu quinhão de osso, e mais, mas que foram contrariados com a subtração desse óbolo. Viraram, então, em inimigos mortais, negando a amizade recém-finalizada.
Não dá para saber quem são, infelizmente só se descobre esse tipo de amigo quando eles somem. E, quer saber? Melhor mesmo que sumam.

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