segunda-feira, 26 de março de 2012

A democracia, um engodo

Já atingimos a maioridade cronológica com a democracia brasileira. Ainda ainda estamos muito longe daquela clássica definição “do povo, pelo povo, para o povo”.

Nós ainda não respeitamos a opinião alheia. Nem no futebol, que dirá na política. Por isso, num e noutro, a violência física corre solta, de vez em quando. Nós participamos da política como do condomínio: somente quando nossos interesses são diretamente atingidos. Reagimos às agressões contra um cachorro (que merece nossa reação), mas não reagimos contra os desmandos daqueles que nos representam (roubalheiras e ação em causa própria). Não reagimos nem contra aqueles que, simbolizando a justiça, valem-se de chicanas para nos achincalhar.

Eleição após eleição, votamos naqueles que nos roubam. E não nos importamos com isso. Às vezes, nem lembramos em quem votamos ou quem nos rouba. Taí, uma nação de memória curta merece seus representantes de olho comprido que tem.

E nossa inação acarreta grande parte de nossos problemas. Nossos representantes passam a maior parte de seu tempo defendendo uma agenda política, e nada de agenda de realizações. E, nas suas ações representativas, somente as em interesse próprio. E nossos governantes, em nome da governabilidade, não somente permitem essa situação como fazem parte do problema.

Ao virarmos as costas para a corrupção, fazemos com que nos mais de 30% de nossos dinheiro sejam deslocados para a boa vida de alguns. Em vez de virarem bens comuns, como hospitais, escolas e etc., viram castelos, land-rovers, apartamentos de luxo. E pagamos a escola particular da família dos corruptos, seu plano de saúde, suas viagens internacionais, seus carros importados. Diria o psicólogo que damos um “reforço de comportamento”.

A democracia (esta, ao menos) nos encurrala e nos torna reféns de nossos representantes. Não apensa reféns de nós mesmos, porque nossa salvação passa pela mudança de regras constitucionais, o que passa… pela aprovação pelos nossos representantes.

É hora de dar um basta nessa ilusão de democracia e partir para uma concretização da democracia. Impondo aos representantes nossa regra, nosso ponto de vista. Isto, se no nosso debate concluirmos que precisamos de fato de representantes. Que precisamos votar naqueles que, sob a calada da noite, urdem para nos tirar o pequeno poder que ainda temos. A continuar nesse passo, não me surpreenderei se ainda sentirmos falta da ditadura. Nela, ao menos, sabemos quem são os inimigos.