sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O Congresso e os dias úteis

Mais uma vez, num feriadão, o Congresso Nacional incorpora a alma brasileira e emenda com uma superponte. De dez a treze dias sem nenhuma atividade, nem sequer cosmética, para dar a impressão de que ali há trabalho.

Nosso sistema de representação, com seu voto obrigatório, nos permite escolher quem é que vai nos indignar. Se pior que não fica, está, na verdade, muito ruim. O Código Civil, que atravessou décadas para ser votado, foi colocado em vigência já perto da caducidade. Parece que leis não faltam, pois nossos representantes não têm o que fazer. Ou têm, mas há coisas mais importantes que legislar.

Já é de se perguntar se a atividade legislativa realmente precisa ser exercida em todos os dias da semana. Mais longe, é de se perguntar se precisamos de representação para a atividade. Hoje em dia, com a tecnologia ao alcance de todos, pode haver votações com participação popular com o mínimo de tempo e sem desperdício de dinheiro. E, mais importante, é a vontade popular que se impõe, acima dos interesses partidários e estamentais. As votações que hoje obedecem aos conchavos entre os partidos políticos podem ser feitas pelo povo, diretamente. Mas a medida ameaça o poder dos nossos representantes, dos quais depende uma medida como essa. Tão importante como os aumentos dos próprios salários, a medida que lhes suprime poder não seria mesmo votada nem em uma centena de anos.

Somos reféns dos nossos salvadores. Quando os livros dizem que o Congresso foi fechado num golpe militar qualquer, é com estupefação e indignação, pelo descaso com a democracia. A pergunta é: com o autofechamento (os recessos-pontes), que falta faz o Congresso?

Onde estavam os deputados e senadores quando houve a tragédia do Pinheirinho? Defendendo quem? E contra os hospitais mal aparelhados, sucateados, sem profissionais? E onde estão no estabelecimento (e ação) na segurança pública? Onde estão na desgraça da educação, com nossos analfabetos funcionais e profissionais sem qualquer base para desempenhar suas funções? Não estão ali, nas trincheiras das batalhas que nos interessam. Estão alo, nos salões luxuosos de hotéis e palácios de governos, orquestrando, fazendo alianças e conchavos, planejando quem exercerá o poder na próxima legislatura/mandato.

Com tamanho desserviço, a tal custo, é de se estranhar que uma enfermeira que mata um cachorro cause mais revolta que o representante do povo que não exerce suas funções. Dezenas de senadores, milhares de vereadores, centenas de deputados… e a enfermeira é que é crucificada (não sem razão, mas, se depender de razão, há mais para que nos revoltemos contra os que se locupletam às nossas custas.

Enfim, mais um período em que o Congresso faz o de sempre: nada. Mas com as Casas absolutamente vazias…

Brasil, o país do futuro.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Aeroportos e o caos

O aeroporto era o de Recife. Horário do voo: 12h37min. Tempo bom, muito sol e céu limpo. Chegando na protocolar hora anterior à partida, fizemos o despacho das bagagens. No painel da Infraero, o aviso: atraso.

A partir daí, só desinformação. Atrasos mais atrasos daquele voo. Finalmente, fomos chamados à sala de embarque. Com um atraso de mais de 1h30min. Dentro da sala de embarque, nada de embarcarmos. E nada de informação. Até que os alto-falantes informam o cancelamento do voo. A partir daí, caos.

Funcionários chegam à sala com informações contraditórias. Era para sair pela porta de embarque. Era para sair pelo porta de desembarque. Era para pegar a bagagem. Era para deixar a bagagem…

Cada um por si, todos acabaram se aglomerando nos balcões da companhia aérea. E vinha um funcionário e mandava fazer uma fila de um jeito. Outro, mandava fazer a fila de outro. Um, no meio da confusão, anotava nomes e destinos e informava que iria distribuir os passageiros pelas companhias aéreas. Outro funcionário dizia que todos deveriam esperar. Um apareceu e convocou todos a irem para um hotel da região, pois o voo não sairia mais naquele dia. Nos balcões, funcionários estressados com o stress dos passageiros gritavam comandos confusos, ordens conflitantes com aquelas provindas de colegas ao seu lado!

Finalmente, fomos devolvidos às salas de embarque. O avião seguiria viagem. O motivo da parada, um problema técnico, tinha sido resolvido. E fomos para a sala de embarque.

Lá, nada de informações, o que parece ser hábito nesses casos. E a comportamento dos funcionários, ao tratar dos pedidos de informações, poderia ser classificado como o mais típico dos piores funcionários públicos de nosso folclore: uma solene ignorada!

E como o embarque demorava demais, todos começaram a especular se o problema técnico ressuscitara. Era mais prosaico do que isso. A tripulação tinha sido dispensada, e estava no hotel, já de malas desfeitas. Tiveram de refazer as malas e voltar, e isso levou um tempo enorme. Claro que a tripulação não tinha culpa, mas menos culpa ainda tinham os passageiros. E finalmente levantamos voo.

Presenciei essa mesma cena em outra companhia aérea, num problema semelhante. Voo cancelado, passageiros desinformados.

Não há plano de contingência (ou menos parece não haver) nas companhias aéreas. Se há problemas, cada qual enfrenta o problema com seu bom senso. Ou com a falta de. Locais para prestar orientações e informações, procedimentos padronizados para cada situação, porta-voz treinado ´para lidar com situações de stress… Planos que oferecessem a mínima organização aos problemas enfrentados.

Não há.

E agora, às vésperas da Copa, alguns aeroportos foram privatizados. Justo aqueles em que até estacionar é difícil, o que dizer voar de fato. Não se espera que resolvam os problemas, pois o comando ainda é da Infraero, aquela mesma em que a maior resposta a uma grave crise foi a da Ministra do Turismo: relaxa…

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

1° Encontro CEPRE–Clube Recreativo de Pescaria, Recreação e Entretenimento

Evento CEPREO nome, CEPRE, era uma brincadeira. Foi feito na primeira pescaria da turma principal, em que teve até caderno de música, que o Paulo e o Zema (mais o Mário) bolaram. A imagem do encontro, outra brincadeira, para acompanhar o nome.

O que foi real, entretanto, foi a verdadeira confraternização de amigos, (muitos) após 17 anos sem notícias uns dos outros.

Trabalhámos juntos, e esse tipo de relação sempre dá margem a pequenos desentendimentos. Que desapareciam magicamente nos momentos de pescaria. E que não estiveram presentes na nossa confraternização.

Anos idos, as cãs já estabelecidas, exceto em alguns que fugiram (Minori, desconfiamos que seja tintura; Mário, divorciou-se das vasta cabeleira). Mas todos invariavelmente com o mesmo entusiasmo.

Quando íamos pescar, as tarefas estavam bem divididas. Eu dirigia e pescava. E obrigava os outros a se rodiziarem, para ver quem ficava comigo na beira do rio (os perdedores do sorteio). O Mário, cozinhava, quando deixávamos. O Edson coordenava, comia, e era nosso cicerone. O Paulo, cantava… e assim vai.

O que a confraternização deixou claro é que a camaradagem que existia ainda está viva. E foi com real emoção que nos reencontramos, buscando nas feições já trabalhadas pelos tempos nossos rostos conhecidos.

Alguns não puderam ir (viagens, compromissos anteriormente assumidos). Um não quis ir. Os demais, todos estavam presentes. Vieram de Brasília, ou do estado do Pará, ou de perto mesmo, mas vieram. Tiramos fotos, contamos piadas, relembramos “causos”, inventamos fatos (afinal, encontro de pescadores é para quê?).

Saí do encontro revigorado e rejuvenescido. E com uma certeza: a amizade é mais bonita que flores, pois nem precisa de água. Basta um Black Label e uma Skol de vez em quando, para que ela se mantenha firme e forte.

Aos amigos, vida longa e próspera (não resisto…).