sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Opções do poder–o verdadeiro líder

O poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente.

Lord Acton

A história a seguir, do Livro “Os Sete Hábitos de Pessoas Altamente Eficazes”, de Stephen Covey, ilustrará o que quero dizer:

Dois navios de guerra, realizando uma missão de treinamento da esqua­dra, estavam no mar havia vários dias, enfrentando mau tempo durante as manobras. Eu servia no navio líder, e estava de sentinela na ponte ao cair da noite. A visibilidade era quase nula, devido ao nevoeiro, de modo que o capitão permanecia na ponte, atento a todas as atividades. Pouco depois do escurecer, o vigia da ponte avisou: - Luz à proa, a boreste.

- Parada ou movendo-se para a popa? - perguntou o capitão.

- Parada, capitão - o vigia retrucou.

Significava que estávamos em perigo; em rota de colisão com o outro navio. Imediatamente o capitão chamou o sinaleiro:

- Avise aquele navio: estamos em rota de colisão. Altere curso em 20 graus.

- É melhor vocês alterarem o curso em 20 graus. - A resposta veio logo.

- Envie a mensagem: Aqui é o capitão, mude a rota em 20 graus – o capitão retrucou.

- Aqui é um marinheiro de segunda classe. - Foi a resposta. - É melhor vocês alterarem o curso em 20 graus.

- Envie a mensagem: Este é um navio de guerra. Mude o curso em 20 graus - o capitão, àquela altura, já furioso, disse rangendo os dentes.

- Este é um farol terrestre - o homem sinalizou de volta.

Nós mudamos o rumo.

Não é raro percebemos um componente comportamental diferente em pessoas que conhecemos, e não é raro que essas mudanças aconteçam com pessoas que, de uma forma ou de outra, detenham algum poder. Basicamente, políticos apresentam esse componente, que é a arrogância. Mas supervisores, gerentes, diretores e presidentes de empresa também passam por esse processo. Que, como no caso dos políticos, começa com a arrogância.

O problema é que o poder vem cheio de adjetivações. Entende-se que o “poderoso” tenha que saber tudo, que ter resposta a tudo e, pior, muito pior, que tenha se antecipado a tudo. Por isso, conversar com um “poderoso” pode ser uma tortura sem fim. A arrogância atrai o que há de pior no ser humano, e torna-se difícil conviver com uma pessoa que se define pelo poder em si.

Porque o líder tem poder. Mas é um poder diferente do poder que procura subjugar. Em vez de mandar, convence. Em vez de desconfiar, aposta. E normalmente ganha. Em vez de diminuir seus circunstantes, transfere seu poder a eles, para que eles possam crescer, pessoal e profissionalmente. É o poder de sedução, de chamar a atenção, de ser ouvido. É o poder de ter a palavra e, utilizando-a, arrebanhar parceiros para seus caminhos. E, líder que é, não se sente obrigatoriamente certo. É humilde, reconhece seus erros, ouve os demais, ajusta suas percepções. E caminhos. Mas é líder por opção, não como meio de vida. Percebe seu poder de transformar, para melhor, a vida de seus liderados. E convive com o medo de estar errado, sem permitir que isso o paralise. Arrisca, dá seus passos, lembra-se de cada derrota, pois em cada uma há um aprendizado. E descarta suas vitórias, para evitar a soberba, e porque a vitória tem vida curta mesmo.

Podia optar pelo poder negativo. Podia obrigar, mandar, exigir. Podia humilhar, mas sua opção é o contrário. São pessoas que não necessariamente têm cargos, posses ou influências políticas traficadas. Mas são pessoas que, com seu sorriso, asserção e extrema atenção, nos fazem querer fazer parte de alguma coisa. Sua responsabilidade é dar vida a essa coisa. Pois há pessoas que ali dependem dele.

Aos poderosos líderes, vida longa. Aos poderosos egocêntricos, nada.

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