sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Esse trânsito me mata!

Logo que se aproximam feriados prolongados, cresce a expectativa pelo trânsito nas estradas. Sabe-se que muita gente vai morrer ou se ferir em acidentes nas rodovias do país. E as estatísticas, com variações para menos ou para mais em relação às anteriores, confirmam a tragédia: muitos mortos, outro tanto de feridos.

Mas a ação que está em tela é a do consumo de álcool. Inegável que há uma relação, mas é de se perguntar: será que há um “monopólio” causal? As notícias dos acidentes vêm acompanhadas pela informação de que o motorista fez ou não o teste do bafômetro. Mas de forma geral, há a informação de que um dos envolvidos desenvolvia alta velocidade ou foi negligente. Ênfase, entretanto, somente para os casos da bebida. O que me faz lembrar da piada sem graça do cientista e da aranha.

Um cientista fazia experimentos com aranhas.
Ele pegou uma aranha, e falou:
- Anda aranha!
A aranha andou.
Então o cientista arrancou uma das pernas da aranha e falou novamente:
- Anda aranha!
A aranha andou. A seguir, ele arrancou outra perna da aranha, e ordenou novamente:
- Anda aranha!
A aranha andou, com certa dificuldade.

Uma a uma, ele foi tirando as pernas da aranha, e ordenando que andasse. Cada vez com maior dificuldade, a aranha andava.
Até que o cientista retirou a última das pernas da aranha, e ordenou novamente:

- Anda aranha!

A aranha não se moveu.

O cientista ordenou novamente:

- Anda aranha!

A aranha não se moveu.

E o cientista concluiu que, sem as pernas, a aranha não escuta!

O fato é que o motorista bêbado mata, mas também porque o carro transforma-se numa metralhadora giratória em suas mãos. Qualquer carro tem potência suficiente para atingir grandes velocidades, mesmo os sucateados, e o fator velocidade deve ser considerado como um dos componentes dessa matança.

O Brasil tem estradas onde a velocidade máxima, em algumas poucas, chega a 120 km por hora. E isto são somente as melhores, em trechos selecionadíssimos. Nas demais, velocidades máximas de 110, 100 e 80 km por hora. Mas os carros vendidos atingem velocidades duas, três vezes mais que 120 km por hora. A pergunta é: porque a disparidade? Se é 120 km/h o máximo que se pode desenvolver, porque há carros muito mais velozes?

Infelizmente, nossos representantes legislativos não se ocupam desse tema. Ao volante de seus carros oficiais, de placas de bronze, para os quais não há velocidade, não há regras de ultrapassagem ou estacionamento, limitar a velocidade dos veículos poderia ser somente um atraso, literalmente, de vida.

Propagam-se virtudes de veículos que vão “de 0 a 100” em poucos segundos. E para que precisamos disso? Para que, sóbrios, cidadãos ao volante dessas máquinas abusem da velocidade e arrisquem sua vida e de outros pelo caminho. E para outros, alcoolizados, transformem esses bólidos em armas mortais, normalmente atingindo, em alta velocidade, cidadãos que transitam alheios ao perigo que a irresponsabilidade alheia lhes causa.

Em dois casos recentes, automóveis em alta velocidade atingiram outros e causaram mortes. É de se especular se as mortes teriam ocorrido se a velocidade fosse menor. Sim, com certeza ainda haveria avarias e até mesmo ferimentos. Mas a letalidade poderia diminuir e muito.

Em nossas estradas, povoadas de radares, já não se vê a polícia rodoviária. Com algumas exceções, esta se posta em lugares estratégicos (conhecidos) e ostenta sua presença, na (vã) esperança de isso seja intimidatório o suficiente para que todos dirijam mais conscientemente. Prova da ineficácia disso é o posto da polícia rodoviária da Rodovia dos Bandeirantes, sentido interior, logo na saída de São Paulo. Passagens em alta velocidade e ultrapassagens pela esquerda são bastante comuns ali, e basta ficar ali por quinze minutos para comprovar que nem o posto da polícia os motoristas respeitam mais.

Caminhões em alta velocidade são o cenário normal. Hoje, a 110 km/h nessa mesma Rodovia dos Bandeirantes, já próximo ao Rodoanel, um caminhão me ultrapassou (pela direita) e rapidamente me deixou para trás. Bem à frente de uma câmera de vigilância da concessionária.

E a velocidade e irresponsabilidade não são privilégio dos caminhões, é democrática: carros “populares”, sedans de luxo, SUVs, carros sucateados, todos se sentem na obrigação de correr e ultrapassar pela direita.

A fiscalização, como se disse, não existe ou é somente burocrática. Em épocas de festas ela aumenta, sem aumento proporcional de eficácia. É preciso mais.

A questão “dirigir após ingestão de bebidas alcoólicas” está bem encaminhada. O que falta agora é coragem. A coragem de limitar a velocidade dos automóveis e coragem para punir centenas de motoristas que fazem das estradas (e ruas) uma roleta russa, apontando seus carros para os outros e atirando. Eventualmente o tiro sai pela culatra. Mas normalmente são os outros que recebem o tiro sem misericórdia.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Sr. Governador Geraldo Alckmin: sobre a segurança em São Paulo

Em primeiro lugar, que fique claro: o senhor teve meu voto.

Suas declarações sobre a violência reinante em São Paulo, entretanto, deixaram-se na dúvida se foi bem dirigido esse meu voto.

Seria mentira dos órgãos de comunicação toda essa quantidade de assassinatos? Será que TODOS se uniram numa conspiração ardilosa para inventar uma crise de segurança? Será que os corpos, fotografados e filmados, são mera encenação? A julgar pelas declarações de representantes do governo, sim.

Então é isso, governador, que se espera da confiança em si depositada? Que o transformemos em contador de histórias, uma espécie de Forrest Gump governamental ? Que transforma os fatos em belos contos da carochinha, embelezando-os na medida de sua vaidade?

Eu me sentiria muito melhor, governador, se o senhor reconhecesse a crise. Pois do reconhecimento poderia (ênfase: PODERIA) vir uma ação corretiva. Mas se essa ação corretiva é apenas uma hipótese na aceitação do problema, ela parece ser uma impossibilidade no seu não reconhecimento. Afinal, se não existe problema, para que agir?

Há os que agem assim, governador. Negam o(s) problema(s) acreditando que isso os resolverá. Houve até aquele que “denunciou” que o Holocausto não existiu… Mas nem mesmo magicamente os milhões que nele sucumbiram voltaram à vida. Mas esse autismo fático não poderia ser traço de comportamento de alguém que, institucionalmente, representa milhões de pessoas. Essa miopia dirigida, escolhendo somente enxergar coisas boas, é comum aos escritores de auto-ajuda, que não seu caso.

Receio, governador, que passemos a ouvir discursos de que a saúde vai muito bem, obrigado. Que no estado de São Paulo ninguém mais morre de câncer, ou que os hospitais atendem, em menos de cinco minutos, aqueles que os procuram. E, como tal, que escolas têm vagas para todos, e que todos saem delas aptos para vida, com um aproveitamento excepcional, o suficiente para acabar com o desemprego no estado. Mas sabem os que vida é muito mais cruel que a vocação do governo em embelezar coisas.

Neste ponto, em que praticamente metade de seu mandato atual se completa, arrependo-me amargamente de meu voto. Gostaria que existisse um dispositivo que me possibilitasse retirá-lo e oferecê-lo ao seu concorrente. Mas o jogo democrático não é assim. Diz ele que, com o meu voto, passei-lhe um cheque em branco, pelo período de quatro anos. Mas, governador, quatro anos ouvindo que o rei não está nu parece-me um tempo longo demais. parece-me que esse fair play é ameaçador demais para nossa condição. Aceitando placidamente seu cruzar de braços pode fazer com que eu mesmo entre na linha de tiro da violência. Ou, menos egoísta, nos impedirá de fazer com que vidas sejam desperdiçadas. Tudo porque um muro foi construído para que a rainha não veja a favela…

A julgar pelo andamento dos fatos, senhor governador, minha disposição é de não mais confiar no que o senhor diz (ou seus assessores). Sim, ingenuamente ainda tinha essa visão. Mas os recentes fatos e versões me mostram que, não importa quem ocupe a cadeira, os discursos são motivados exclusivamente por interesses partidários e (contra)propaganda.

Por isso, senhor governador, no que depender de mim, o senhor não terá outra oportunidade em cargos eletivos. E nem fará seu sucessor.

Minha utopia de democracia me leva a confiar, cegamente até, que um dia ainda elegeremos alguém corajoso, que coloque os interesses comuns acima dos interesses estamentais. Que o projeto político seja o do bem comum, não o projeto de poder pelo poder.

Ainda assim, senhor governador, apelo à sua propalada veia pública: faça o que tem de ser feito. Mostre para nós que o senhor sabe que o problema existe, e que ele deve ser enfrentado. Como disse aquele filósofo de seu partido, “não se apequene” diante da crise. Reaja. E, por favor, não insulte minha inteligência. Estamos vendo o que está acontecendo. Negar os fatos, prezado governador, somente me aprofundará a sensação de que desperdicei meu voto.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Dia de cassação?

Está marcada para hoje a votação do processo de cassação do senador Demóstenes Torres. Por uma interessante coincidência, ele foi considerado o paladino da moralidade, assim como Collor era o matador de marajás. O discurso diluiu-se nas próprias palavras, apanhadas nas gravações de suas conversas com Carlinhos Cachoeira. Se são culpados de algum crime, não se sabe.

Em pelo menos dois momentos importantes personagens desconhecidos vieram à cena para acusar poderosos. Num dos casos, um motorista e uma secretária (Eriberto França e Sandra Fernandes de Oliveira). Noutro caso, o caseiro Francenildo Costa. Três brasileiros enojados com o que fizeram e o que alegaram acusados de participação em esquemas destinados a desvios de recursos públicos.

Mais de uma vez ex-esposas também vieram a público para lavar a roupa suja, e no caso de Collor ainda teve o irmão, que deu início a tudo.

O que chama a atenção no caso de Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira é que não apareceu, neste caso, nenhum motorista, nenhuma secretária, nenhum caseiro. Ninguém que, com seu salário minguado, se indignasse com o que viu e sabe, a ponto de vir a público apresentar sua versão dos fatos. Mas pela quantidade de pessoas supostamente envolvidas, assim como os valores, é de se duvidar que não existam pessoas nessas condições. É mais lógico pensar que são pessoas que têm medo de represálias, ou que receberam sua justa paga.

Se o senador vai ser casso, ainda não se sabe. Sabe-se que ele provocou incômodo nos seus colegas, com seu discurso sempre acusatório, e que agora se vê flagrado em “pecado”. O senador pode tanto ser perdoado, como pediu às paredes do Congresso, como pode perder seu cargo pelo tom espinhoso de sua atuação.

Eu esperava que ainda houvesse um brasileiro que, abrindo portas ao suspeito, entregando malas, ou simplesmente testemunhando, soubesse dos fatos e os apresentasse.

Torço pela cassação.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

A cômoda impotência da sociedade

No processo do impeachment de Collor, a sociedade saiu às ruas, de caras-pintadas ou de camiseta preta, para protestar contra a situação. Mas não foi isso que fez o presidente ser cassado. Senão, teriam sido cassados outros próceres envolvidos em tantos escândalos desde então.

O fato é nem as Diretas Já tiveram o desfecho que a grande maioria queria. A opinião popular foi derrotada no Congresso pelos… seus representantes.

Os representantes do povo, investidos como tais, tratam de representar seus próprios interesses. E a de seus compadrios, estejam onde estiverem. Assim, votam enfurecidamente seus aumentos de salários, suas equiparações com outros poderes, tudo que se relacione a seus privilégio. Enquanto o Projeto do Código Civil passou décadas para ser aprovado, e o foi já com um tanto de anacronismo em suas letras.

Aliás, se dependesse da quantidade de pendências legislativas, a semana legislativa não teria três, mas trinta dias por semana. Sob a desculpe de estar com suas bases eleitorais (seja lá o que isso significa) o Congresso se transformou numa espécie de clube, ao qual se vai para defender interesses próprios ou (mal) cumprir uma obrigação.

E a sociedade?

Acidentes de trânsito matam em níveis absurdamente altos. Decorrência direta de abusos de velocidade, de bebida e de irresponsabilidade. Cada vez que um acidente grave chacoalha a nação, surgem umas vozes, mal abafadas, clamando por melhorias. Vozes que logo se calam. Legisladores e governantes se omitem, a barbárie continua, e mais e mais mortes é o que se pode esperar.

E a sociedade?

O tráfico de drogas chega a ser um poder, clandestino, mas de presença maior que o estado. Afinal, procure-se um deputado ou um governante, e raríssimo será achá-los. Mas procure um traficante, sempre haverá quem indique um. E, nesse ponto, a contradição da sociedade é doída. Ao tempo em que criticam e atacam o tema “drogas”, faz passeatas pela legalização da maconha, o que, presume-se seja consumido por esses defensores. Como não é legal, de onde se compra? Dos traficantes, por certo. Esquecem-se aqueles que consomem a droga que ela é provida pelos mesmo traficantes de cocaína, de heroína, de crack, e de tantos outros males, inclusive a violência de assaltos, que às vezes terminam em mortes.

E a sociedade?

Nossos representantes, sejam eles legisladores, sejam governantes, têm vida muito calma. Amealham seus bens em nossa representação, e ninguém lhes cobra coerência com propostas de campanha. Aliás, quem se lembra de promessas de campanha além dos jornais? Aliás, quem se lembra em quem votou nas últimas eleições legislativas? Aliás, quantos votaram somente por ser obrigatório? Estamos todos delegando àqueles que queremos que sejam defenestrados o poder sobre nossas vidas. Nossos impostos então entre os mais altos do planeta, nosso IDH provocaria vergonha em países subdesenvolvidos, nossa segurança, saúde e educação são assuntos secundários para o governo, mas o que fazemos? O que a sociedade faz?

A sociedade, hoje, nada mais é que o oposto de governos e políticos. Não é uma entidade organizada, é um conceito moldado por exclusão. Ela deveria ser conhecida e reconhecida como a forma que elege pessoas para, em seu nome, identificar e resolver os grandes problemas nacionais. Mas de coletivo nada há, e o indivíduo, nesse quesito pensa como tal: nas suas próprias e exclusivas necessidades. Abre mão de ter contato com seus representantes, abre mão de brigar por seus direitos. Mal participa de reuniões de condomínio, que dizer dos grandes temas nacionais? Briga apaixonadamente por seu time, mas não toma conhecimento dos problemas de gestão de sua prefeitura.

O indivíduo – e por extensão a sociedade – delegou seus problemas. Mas no sentido imperfeito do termo. Delegou mas não acompanha, não cobra. Mas não se sente responsável pelo que daí decorre. Reza a ladainha do mau político, e senta-se sobre o problema do mau eleitor. Entra no comportamento multitudinal (somente assim) de que a culpa é dos outros – políticos, empresários, governantes, parlamentares - e não age nem reage contra esses problemas.

Ninguém se importa se hoje as pessoas mais votadas não são necessariamente as eleitas. Nem que uma pessoa com mil votos seja conduzida a cargo legislativo em vez de uma com cinquenta mil votos. Neste caso, mil votos valem mais que cinquenta mil? Parece que sim, mas ninguém se importa. Como não se importarão com o voto em lista, em que finalmente delegaremos (por omissão) aos atuais coronéis de partido a decisão de decidir em quem vamos votar.

Mas importar-se para quê? Importar-se causa incômodo, é mais fácil ignorar e reclamar.

Cada povo tem a democracia que merece.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Balanço de contas–avaliações

Em determinados momentos, vemos-nos perante fatos que nos levam a nos questionar sobre os nossos atos. Poderia ser atual e mandatório, como uma declaração de imposto de renda. Mas pode e deve ser mais frequente que isso.

Agora mesmo, olhando da janela do hotel (aguardando um compromisso) de uma cidade paradisíaca, me retornar alguns atos meus que me trouxeram aqui, nestas circunstância. E não consigo deixar de me arrepender de alguns e me orgulhar de outros.

Desculpem-me aqueles que dizem nunca se arrepender de nada. Não acredito nisso. É a própria contradição da condição humana da falibilidade. Quem declara que, conhecendo os resultados (ruins, neste caso), tomaria a mesma decisão, só pode estar de bravata. É a própria essência humana aprender de seus erros, mas isso se torna impossível sem reconhecer que erros houve.

Arrependo-me de muita coisa. “Esqueçam o que escrevi”, pediu Fernando Henrique. Faço o mesmo. Pois, como já disse alhures, esse é um processo de crescimento e posicionamento cíclico, em que nós nos questionamos e concluímos coisas diferentes de outrora, porque outras são as condições ou condicionantes. Enfim, é o homem tomando banho num rio diferente, embora seja no mesmo lugar de sempre.

Faria algumas (muitas) coisas de forma diferente, para evitar aqueles fardos que não são deles, mas que pessoas carregam por contas de nossos atos e decisões. Ou seria eu muito egocêntrico (por paradoxal que seja) achar que meus atos não influem a vida de de outras pessoas. O simples fato de chegar mal-humorado para trabalhar, e mal cumprimentar as pessoas já causa nelas uma consequência que, segundo a Teoria dos Sistemas, terá suas consequências.

Assim, é claro que me arrependo de algumas coisas.

Mas muito me orgulho de outras, sabendo que estas tiveram efeito contrário nas pessoas. Não foi um fardo, foi uma presença oportuna. Foi uma contribuição, uma colaboração. Sem más intenções sempre, às vezes remunerada (atos profissionais), mas sempre com o enorme cuidado de não agredir, não insultar, embora quase sempre com aquela ponta de vontade de chocar.

Como animais “pavlovnianos”, repetimos o que nos dá prazer e evitamos o que nos causa dor. Como, então, não reconhecer que erros cometemos, se é esse reconhecimento que nos leva à dor moral da causalidade? E como não nos orgulhar do que nos fez feliz, se esta é a busca de todo ser humano?

Assim sendo, declaro: há erros, e deles me arrependo. Há acertos, e deles me orgulho. E, humanamente, declaro que mais erros virão, mais acertos também. E, com ambos, o processo de aprendizagem.

segunda-feira, 26 de março de 2012

A democracia, um engodo

Já atingimos a maioridade cronológica com a democracia brasileira. Ainda ainda estamos muito longe daquela clássica definição “do povo, pelo povo, para o povo”.

Nós ainda não respeitamos a opinião alheia. Nem no futebol, que dirá na política. Por isso, num e noutro, a violência física corre solta, de vez em quando. Nós participamos da política como do condomínio: somente quando nossos interesses são diretamente atingidos. Reagimos às agressões contra um cachorro (que merece nossa reação), mas não reagimos contra os desmandos daqueles que nos representam (roubalheiras e ação em causa própria). Não reagimos nem contra aqueles que, simbolizando a justiça, valem-se de chicanas para nos achincalhar.

Eleição após eleição, votamos naqueles que nos roubam. E não nos importamos com isso. Às vezes, nem lembramos em quem votamos ou quem nos rouba. Taí, uma nação de memória curta merece seus representantes de olho comprido que tem.

E nossa inação acarreta grande parte de nossos problemas. Nossos representantes passam a maior parte de seu tempo defendendo uma agenda política, e nada de agenda de realizações. E, nas suas ações representativas, somente as em interesse próprio. E nossos governantes, em nome da governabilidade, não somente permitem essa situação como fazem parte do problema.

Ao virarmos as costas para a corrupção, fazemos com que nos mais de 30% de nossos dinheiro sejam deslocados para a boa vida de alguns. Em vez de virarem bens comuns, como hospitais, escolas e etc., viram castelos, land-rovers, apartamentos de luxo. E pagamos a escola particular da família dos corruptos, seu plano de saúde, suas viagens internacionais, seus carros importados. Diria o psicólogo que damos um “reforço de comportamento”.

A democracia (esta, ao menos) nos encurrala e nos torna reféns de nossos representantes. Não apensa reféns de nós mesmos, porque nossa salvação passa pela mudança de regras constitucionais, o que passa… pela aprovação pelos nossos representantes.

É hora de dar um basta nessa ilusão de democracia e partir para uma concretização da democracia. Impondo aos representantes nossa regra, nosso ponto de vista. Isto, se no nosso debate concluirmos que precisamos de fato de representantes. Que precisamos votar naqueles que, sob a calada da noite, urdem para nos tirar o pequeno poder que ainda temos. A continuar nesse passo, não me surpreenderei se ainda sentirmos falta da ditadura. Nela, ao menos, sabemos quem são os inimigos.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O Congresso e os dias úteis

Mais uma vez, num feriadão, o Congresso Nacional incorpora a alma brasileira e emenda com uma superponte. De dez a treze dias sem nenhuma atividade, nem sequer cosmética, para dar a impressão de que ali há trabalho.

Nosso sistema de representação, com seu voto obrigatório, nos permite escolher quem é que vai nos indignar. Se pior que não fica, está, na verdade, muito ruim. O Código Civil, que atravessou décadas para ser votado, foi colocado em vigência já perto da caducidade. Parece que leis não faltam, pois nossos representantes não têm o que fazer. Ou têm, mas há coisas mais importantes que legislar.

Já é de se perguntar se a atividade legislativa realmente precisa ser exercida em todos os dias da semana. Mais longe, é de se perguntar se precisamos de representação para a atividade. Hoje em dia, com a tecnologia ao alcance de todos, pode haver votações com participação popular com o mínimo de tempo e sem desperdício de dinheiro. E, mais importante, é a vontade popular que se impõe, acima dos interesses partidários e estamentais. As votações que hoje obedecem aos conchavos entre os partidos políticos podem ser feitas pelo povo, diretamente. Mas a medida ameaça o poder dos nossos representantes, dos quais depende uma medida como essa. Tão importante como os aumentos dos próprios salários, a medida que lhes suprime poder não seria mesmo votada nem em uma centena de anos.

Somos reféns dos nossos salvadores. Quando os livros dizem que o Congresso foi fechado num golpe militar qualquer, é com estupefação e indignação, pelo descaso com a democracia. A pergunta é: com o autofechamento (os recessos-pontes), que falta faz o Congresso?

Onde estavam os deputados e senadores quando houve a tragédia do Pinheirinho? Defendendo quem? E contra os hospitais mal aparelhados, sucateados, sem profissionais? E onde estão no estabelecimento (e ação) na segurança pública? Onde estão na desgraça da educação, com nossos analfabetos funcionais e profissionais sem qualquer base para desempenhar suas funções? Não estão ali, nas trincheiras das batalhas que nos interessam. Estão alo, nos salões luxuosos de hotéis e palácios de governos, orquestrando, fazendo alianças e conchavos, planejando quem exercerá o poder na próxima legislatura/mandato.

Com tamanho desserviço, a tal custo, é de se estranhar que uma enfermeira que mata um cachorro cause mais revolta que o representante do povo que não exerce suas funções. Dezenas de senadores, milhares de vereadores, centenas de deputados… e a enfermeira é que é crucificada (não sem razão, mas, se depender de razão, há mais para que nos revoltemos contra os que se locupletam às nossas custas.

Enfim, mais um período em que o Congresso faz o de sempre: nada. Mas com as Casas absolutamente vazias…

Brasil, o país do futuro.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Aeroportos e o caos

O aeroporto era o de Recife. Horário do voo: 12h37min. Tempo bom, muito sol e céu limpo. Chegando na protocolar hora anterior à partida, fizemos o despacho das bagagens. No painel da Infraero, o aviso: atraso.

A partir daí, só desinformação. Atrasos mais atrasos daquele voo. Finalmente, fomos chamados à sala de embarque. Com um atraso de mais de 1h30min. Dentro da sala de embarque, nada de embarcarmos. E nada de informação. Até que os alto-falantes informam o cancelamento do voo. A partir daí, caos.

Funcionários chegam à sala com informações contraditórias. Era para sair pela porta de embarque. Era para sair pelo porta de desembarque. Era para pegar a bagagem. Era para deixar a bagagem…

Cada um por si, todos acabaram se aglomerando nos balcões da companhia aérea. E vinha um funcionário e mandava fazer uma fila de um jeito. Outro, mandava fazer a fila de outro. Um, no meio da confusão, anotava nomes e destinos e informava que iria distribuir os passageiros pelas companhias aéreas. Outro funcionário dizia que todos deveriam esperar. Um apareceu e convocou todos a irem para um hotel da região, pois o voo não sairia mais naquele dia. Nos balcões, funcionários estressados com o stress dos passageiros gritavam comandos confusos, ordens conflitantes com aquelas provindas de colegas ao seu lado!

Finalmente, fomos devolvidos às salas de embarque. O avião seguiria viagem. O motivo da parada, um problema técnico, tinha sido resolvido. E fomos para a sala de embarque.

Lá, nada de informações, o que parece ser hábito nesses casos. E a comportamento dos funcionários, ao tratar dos pedidos de informações, poderia ser classificado como o mais típico dos piores funcionários públicos de nosso folclore: uma solene ignorada!

E como o embarque demorava demais, todos começaram a especular se o problema técnico ressuscitara. Era mais prosaico do que isso. A tripulação tinha sido dispensada, e estava no hotel, já de malas desfeitas. Tiveram de refazer as malas e voltar, e isso levou um tempo enorme. Claro que a tripulação não tinha culpa, mas menos culpa ainda tinham os passageiros. E finalmente levantamos voo.

Presenciei essa mesma cena em outra companhia aérea, num problema semelhante. Voo cancelado, passageiros desinformados.

Não há plano de contingência (ou menos parece não haver) nas companhias aéreas. Se há problemas, cada qual enfrenta o problema com seu bom senso. Ou com a falta de. Locais para prestar orientações e informações, procedimentos padronizados para cada situação, porta-voz treinado ´para lidar com situações de stress… Planos que oferecessem a mínima organização aos problemas enfrentados.

Não há.

E agora, às vésperas da Copa, alguns aeroportos foram privatizados. Justo aqueles em que até estacionar é difícil, o que dizer voar de fato. Não se espera que resolvam os problemas, pois o comando ainda é da Infraero, aquela mesma em que a maior resposta a uma grave crise foi a da Ministra do Turismo: relaxa…

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

1° Encontro CEPRE–Clube Recreativo de Pescaria, Recreação e Entretenimento

Evento CEPREO nome, CEPRE, era uma brincadeira. Foi feito na primeira pescaria da turma principal, em que teve até caderno de música, que o Paulo e o Zema (mais o Mário) bolaram. A imagem do encontro, outra brincadeira, para acompanhar o nome.

O que foi real, entretanto, foi a verdadeira confraternização de amigos, (muitos) após 17 anos sem notícias uns dos outros.

Trabalhámos juntos, e esse tipo de relação sempre dá margem a pequenos desentendimentos. Que desapareciam magicamente nos momentos de pescaria. E que não estiveram presentes na nossa confraternização.

Anos idos, as cãs já estabelecidas, exceto em alguns que fugiram (Minori, desconfiamos que seja tintura; Mário, divorciou-se das vasta cabeleira). Mas todos invariavelmente com o mesmo entusiasmo.

Quando íamos pescar, as tarefas estavam bem divididas. Eu dirigia e pescava. E obrigava os outros a se rodiziarem, para ver quem ficava comigo na beira do rio (os perdedores do sorteio). O Mário, cozinhava, quando deixávamos. O Edson coordenava, comia, e era nosso cicerone. O Paulo, cantava… e assim vai.

O que a confraternização deixou claro é que a camaradagem que existia ainda está viva. E foi com real emoção que nos reencontramos, buscando nas feições já trabalhadas pelos tempos nossos rostos conhecidos.

Alguns não puderam ir (viagens, compromissos anteriormente assumidos). Um não quis ir. Os demais, todos estavam presentes. Vieram de Brasília, ou do estado do Pará, ou de perto mesmo, mas vieram. Tiramos fotos, contamos piadas, relembramos “causos”, inventamos fatos (afinal, encontro de pescadores é para quê?).

Saí do encontro revigorado e rejuvenescido. E com uma certeza: a amizade é mais bonita que flores, pois nem precisa de água. Basta um Black Label e uma Skol de vez em quando, para que ela se mantenha firme e forte.

Aos amigos, vida longa e próspera (não resisto…).

sábado, 28 de janeiro de 2012

Pinheirinho, e a fuga de responsabilidades

Num artigo brilhante, como de hábito, Hélio Schwartsman, hoje, na Folha de São Paulo (para assinantes), lembra que todos fizeram sua parte. Defenderam a legalidade da situação, cada qual na sua área.

Lembro que no julgamento dos criminosos nazistas, em Nuremberg, a alegação premominante foi a de que todos “compriam ordens”. Em resumo, todos sabiam e concordavam que o que faziam com os judeus era errado, mas cada qual cumpria ordens, como se a ordem dada obliterasse nossa capacidade de julgar e escolher.

Na famosa experiência de Stanley Milgran restou provado que as pessoas adotam comportamentos sabidamente contrários ao seu conjunto axiológico, desde que outra pessoa assuma a responsabilidade. Para quem não conhece a experiência: uma pessoa era selecionada para operar controle de um equipamento que dava choques. Voluntários eram conectados ao equipamentos e tinham de responder algumas perguntas. Quando erravam, levavam um choque, e estes aumentavam de intensidade de acordo com a quantidde de erros. O que se viu foi pessoas aplicando alegremente os choques, já que foram ordenados a isso. Outras, embora fossem empáticos com o sofrimento do voluntário que levava os choques, eram facilmente convencidos a aumentar a intensidade e aplicar o choque quando o “pesquisador” assumia a responsabilidade. A grande maioria foi até o fim, a despeito da dor demonstrada pelo voluntário respondedor. O que ninguém sabia é que esse voluntário era um ator, e os choques não existiam. Mas não deixa de ser esclarecedor sobre a natureza dos atos de grande parte dos seres humanos. Desde que a “autoridade” se manifeste assumindo a responsabilidade, atos bárbaros são cometidos.

Foi o caso do Pinheirinho, e de vários outros no Brasil de macunaíma.

Como lembrou Schwartsman, desde o juiz que ordenou a desoupação até o motorista dos tratores que puseram abaixo as casas têm responsabilidade na vida ora arruinada dos despejados. Mas es escusam dela atrás das ordens ou da legalidade.

Passamos um período longo de ditadura (qualquer ditadura é longa, mesmo que dure somente um dia). Recriminamos aqueles que retiravam inocentes (suspeitos) de suas casas e sumiam com eles, e fomos às ruas contra esse padrão de governo. Hoje, democracia de velas infladas, não nos dispomos a colocar a vida acima da lei, como a própria lei faz (vide casos de legítima defesa, furto famélico, estado de necessidade). Estamos amparados na lei, e isso nos escusa de toda humanidade e sentimentos de compaixão que deveríamos ter.

Não importa se os habitantes foram avisados. Não importa se foram manipulados por pessoas sem compromisso com a solução do problema. Importa que estamos, com nossa omissão sobre essa ação, fazendo com que o estado de direito entre na fase da desumanidade. A lei deveria nos proteger, nos amparar. A quem ela protegeu e amparou no episódio? Com certeza não aos despojados despejados.

Triste.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O circo maior que o pão

A recente polêmica do estupro no Big Brother Brasil, na sua 12ª Edição, mostra a profundidade intelectual em que vive o Brasil neste início de século XXI. Com sua economia sólida, sua democracia a caminho de uma estabilidade jamais vista, o povo continua alheado dos problemas reais, mas totalmente comprometido com as questões menores. Se Luiza está ou não no Canadá, se a piada teve ou não graça, se é prudente criticar o humorista…

Há poucas reações contra os estamentos que se beneficiam da falta de vigilância. Há poucas reações contra os estamentos que se insurgem contra a vigilância, no caso do judiciário. Há reações pequenas contra a tragédia anunciada do caso da desocupação dos invasores de terras… mas há uma comoção nacional por causa do comportamento de personagens daquele programa da TV.

A emissora quis esconder, fez que nada teve, mas o público foi atrás. A emissora reagiu, e gostou: recordes de audiência…

A lei que não é votada, o compadrio que toma conta, a verba que não chega ao destino… nada parece comover o brasileiro. Se fosse a verba de uma novela que não chegasse ao destino talvez a população se engajasse mais. Se fosse Sucupira o país real, talvez os brasileiros se indignassem mais. Se os casos de desvios de verbas fosse apresentados como um reality show… Mas aí é que estaríamos perdidos mesmo: o povo poderia querer repetições ad eternum, para seu próprio deleite, dos escândalos palacianos…

O pão foi garantido pelo Fome Zero, seja lá o que isso quer dizer. O país viceja em suas contas, já estamos quase sendo convidados a entrar nos Estados Unidos pela porta da frente, sem visto, essa é a promessa, veja só… Nós, que tivemos um embaixador que teve de tirar os sapatos para poder entrar naquele país. E foi tão grave que não teve carteirada.

- Você sabe com quem está falando???

Óbvio que sim.

Macunaíma, o rei da preguiça, iria adorar este país em que o circo é tão mais importante que o pão… O herói brasileiro talvez tivesse companhia na indolência em relação a tudo… Menos à novela e ao BBB…

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Opções do poder–o verdadeiro líder

O poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente.

Lord Acton

A história a seguir, do Livro “Os Sete Hábitos de Pessoas Altamente Eficazes”, de Stephen Covey, ilustrará o que quero dizer:

Dois navios de guerra, realizando uma missão de treinamento da esqua­dra, estavam no mar havia vários dias, enfrentando mau tempo durante as manobras. Eu servia no navio líder, e estava de sentinela na ponte ao cair da noite. A visibilidade era quase nula, devido ao nevoeiro, de modo que o capitão permanecia na ponte, atento a todas as atividades. Pouco depois do escurecer, o vigia da ponte avisou: - Luz à proa, a boreste.

- Parada ou movendo-se para a popa? - perguntou o capitão.

- Parada, capitão - o vigia retrucou.

Significava que estávamos em perigo; em rota de colisão com o outro navio. Imediatamente o capitão chamou o sinaleiro:

- Avise aquele navio: estamos em rota de colisão. Altere curso em 20 graus.

- É melhor vocês alterarem o curso em 20 graus. - A resposta veio logo.

- Envie a mensagem: Aqui é o capitão, mude a rota em 20 graus – o capitão retrucou.

- Aqui é um marinheiro de segunda classe. - Foi a resposta. - É melhor vocês alterarem o curso em 20 graus.

- Envie a mensagem: Este é um navio de guerra. Mude o curso em 20 graus - o capitão, àquela altura, já furioso, disse rangendo os dentes.

- Este é um farol terrestre - o homem sinalizou de volta.

Nós mudamos o rumo.

Não é raro percebemos um componente comportamental diferente em pessoas que conhecemos, e não é raro que essas mudanças aconteçam com pessoas que, de uma forma ou de outra, detenham algum poder. Basicamente, políticos apresentam esse componente, que é a arrogância. Mas supervisores, gerentes, diretores e presidentes de empresa também passam por esse processo. Que, como no caso dos políticos, começa com a arrogância.

O problema é que o poder vem cheio de adjetivações. Entende-se que o “poderoso” tenha que saber tudo, que ter resposta a tudo e, pior, muito pior, que tenha se antecipado a tudo. Por isso, conversar com um “poderoso” pode ser uma tortura sem fim. A arrogância atrai o que há de pior no ser humano, e torna-se difícil conviver com uma pessoa que se define pelo poder em si.

Porque o líder tem poder. Mas é um poder diferente do poder que procura subjugar. Em vez de mandar, convence. Em vez de desconfiar, aposta. E normalmente ganha. Em vez de diminuir seus circunstantes, transfere seu poder a eles, para que eles possam crescer, pessoal e profissionalmente. É o poder de sedução, de chamar a atenção, de ser ouvido. É o poder de ter a palavra e, utilizando-a, arrebanhar parceiros para seus caminhos. E, líder que é, não se sente obrigatoriamente certo. É humilde, reconhece seus erros, ouve os demais, ajusta suas percepções. E caminhos. Mas é líder por opção, não como meio de vida. Percebe seu poder de transformar, para melhor, a vida de seus liderados. E convive com o medo de estar errado, sem permitir que isso o paralise. Arrisca, dá seus passos, lembra-se de cada derrota, pois em cada uma há um aprendizado. E descarta suas vitórias, para evitar a soberba, e porque a vitória tem vida curta mesmo.

Podia optar pelo poder negativo. Podia obrigar, mandar, exigir. Podia humilhar, mas sua opção é o contrário. São pessoas que não necessariamente têm cargos, posses ou influências políticas traficadas. Mas são pessoas que, com seu sorriso, asserção e extrema atenção, nos fazem querer fazer parte de alguma coisa. Sua responsabilidade é dar vida a essa coisa. Pois há pessoas que ali dependem dele.

Aos poderosos líderes, vida longa. Aos poderosos egocêntricos, nada.