segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Limpeza profunda

Hoje tirei o dia para limpar. Limpei guarda-roupas e gavetas, separei o que pode ser dado do que é lixo. Fiz o mesmo no resto da casa, me surpreendendo com minha surpresa de ter tanta coisa desnecessária. Fui tirando coisas que já caducaram, perderam o prazo de validade, algumas nem deviam estar aqui… Doei coisas que não utilizava mais, e foi incrível como uma coisa largada aqui era uma largo sorriso ali… E meu apartamento foi ficando leve, limpo, fácil. E resolvi que era hora de, novamente, fazer isso na minha vida.

E fui levantando aquelas coisas que eu deixava que me aborrecessem, aquelas mágoas mal enterradas, defuntos insepultos. E, tal e qual no apartamento, e tal e qual em ocasiões passadas, a grande surpresa foi ter guardado tanto lixo. E, se havia, também era por culpa exclusiva minha. Às vezes, nos deixamos encerrados num momento, numa ocasião, num átimo de tempo que não define nada. Não nos permitimos enxergar a cena de longe, e não nos permitimos enxergar o outro lado. Escolhemos guardar uma imagem ruim, e a carregamos, concretizada em dissabores, sofregamente pelos nossos dias.

Para então, num dia mágico, percebermos que perdemos muito tempo, gastamos muita energia, desperdiçamos um pedaço da vida com esse tipo de coisa. E desapegamos dessas coisas ruins, estranhando que elas nos causem apego. Sim, é apego, porque decorrem de uma decisão nossa. Escolhemos ruminar, relembrar, incriminar… Ou nos omitimos, e o episódio toma conta de nós, escolhendo ele, então, que ruminemos, relembremos, incriminemos. E, nesse momento mágico desse dia de limpeza, retomamos o controle da situação e expulsamos das gavetas da alma essas coisas que nunca deveriam ter estado ali. E a alma fica leve…

Mas, diferentemente do apartamento, nesse temos uma escolha adicional. Podemos, voltando no tempo, resgatar e reviver momentos bons. Podemos trazer de volta as coisas que nos motivara, nos encantaram, nos emocionaram… E que nos faz procurar amigos sumidos, reler livros empoeirados, assistir de novo aqueles filmes que nos motivaram.

Enfim, findo o dia, mas com o sol ainda a postos, a conclusão: bem que podia ter mais dias assim. E vou!