quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Obrigado, e até breve

A vida me ensinou a dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração.

Charles Chaplin

Na virada de mais página da vida profissional, em frente a uma página nova e virgem, não seria justo deixar de agradecer as pessoas que, de uma forma ou de outra, ajudaram a escrevê-la.

Então, a gradeço às pessoas que, de forma fugaz ou duradoura, passaram pela minha vida nesse período. Por serem seres humanos, e por serem comportamentos imanentes a eles, há que agradecer àqueles que foram sinceros, leais, fiéis, verdadeiros. Aqueles que, sem prejulgamentos ou condicionantes, me ofereceram amizade e companheirismo. Aqueles que me ofereceram verdade, mesmo que pontiaguda, porque estes privilegiam o ser, em vez do estar. Agradeço àqueles que, mesmo distantes, se fizeram sempre presentes, pela amizade irrepreensível, ou pelo apoio consciente, ou pela simples história. Agradeço àqueles que criticaram, pois a crítica é a revisão da alma, que nos permite crescer (se quisermos). Agradeço àqueles que, além do profissional, se aproximaram da pessoa, que tem tanto a oferecer quando aquele, ou talvez mais. Agradeço as pessoas que olharam além das aparência, procurando a forma real, mesmo no nevoeiro, com o benefício da dúvida. Agradeço a todas as pessoas que, de uma forma ou outra, acreditaram contribuir para o meu crescimento, mesmo à custa de conversas mais ásperas, feedbacks necessários e opiniões sinceras. Estão são as pessoas que fazem com que o copo esteja sempre meio cheio.

E às pessoas que preferiram o outro lado da relação interpessoal, qual seja o da dissimulação, o conchavo, a fofoca, a crítica infundada, a semeação de intrigas, a supressão da verdade, a introdução da mentira, também a estas devo agradecer. Primeiro, porque elas nos dão aquele choque de realidade, lembrando que o mundo é mesmo cruel, e temos de estar preparados para tudo. E, acima de tudo, porque valorizam ainda mais os primeiros, pelo contraste triste e óbvio, aqueles que escolheram entre o ser humano racional e total. Normalmente, quem prefere a dissimulação à verdade não escolhe, é escolhido. Não decide com base em princípios, mas com base em alguma relação perde-ganha. Não enxerga o longo prazo, somente o prazer instintivo do momento. Não constrói relacionamentos, embora os tenha, mas frágeis a ponto de não suportar a verdade. Nem a ponto de reconhecê-la, por questão de princípios.

Mas somos seres humanos, dotados de capacidade de análise e discernimento, necessários para decisões e escolhas. Por isso, DECIDO que, não importa o passado, nem qualquer outro fato, todas as pessoas que passaram por esta fase de minha vida são do primeiro tipo. ESCOLHO interpretar pelo lado positivo todos os fatos e atos. ESCOLHO enxergar somente o lado bom, deixando todo o resto de lado. DECIDO que todos foram importantes, e, portanto, merecedores de minha gratidão.

Principalmente porque todos suportaram, à sua própria maneira, meus defeitos e intempestividades. E, como sabemos que não são poucos, agradeço.

Mas falando de defeitos, aqui um mea culpa: não sei fazer nada a não ser com compromisso total. Procuro a perfeição, e sempre me dedico além do possível, aquém do desejado. Há sempre paixão em excesso nas coisas que faço, e por esses defeitos peço desculpas a todos.

Enfim, obrigado e até breve.

Despedida

Rubem Braga

E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval — uma pessoa se perda da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito — depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado — sem glória nem humilhação.
Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.
E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?
Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras — com flores e cantos. O inverno — te lembras — nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil.
Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus.
A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.

2 comentários:

  1. Como assim? despedida?.... agora q te encontrei..tinha gostado tanto das suas idéias, seus comentários... pocha! fiquei tão entusiasmada em aprender mais... enfim, obrigada eu, por ter tido a oportunidade de crescer um pouco mais...
    boa sorte!!!
    Yvete Lima

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  2. Prezada Yvete: foi uma despedida para o pessoal da empresa da qual fiz parte durante os dois últimos anos. Para desespero de muitos, este blog continuará no ar, com meus preconceitos baratos e opiniões sem embasamento.

    Mas grato pelas palavras gentis.

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