quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O ponto vulnerável das fraudes (em governos)

Não consideremos nem os divórcios, que, nos casos do Pitta e do Waldemar da Costa Neto. Nestes, os ressentimentos são tão grandes que a exposição da vida oculta é até compreensível.

Mas a grande vulnerabilidade das fraudes e das mentiras de representantes graduados do governo reside em pessoas como Eriberto Franca, Sandra Fernandes de Oliveira e Francenildo Santos Costa.

Eriberto França foi a testemunha chave no caso do PC Farias no governos Collor. Na sequência, Sandra Fernandes apareceu e denunciou a negociata envolvendo a Operação Uruguai, que se prestava a justificar uma certa parte da renda de Collor. E Francenildo Pereira desmascarou o mais poderoso dos ministros de Lula, ao confirmar sua presença em reuniões de correligionários. O que motivou essas pessoas?

Não se pode dizer. Mas inferir é possível.

São pessoas que se cansaram de ver que seu dinheiro, sofrido e suado, estava indo pelo ralo para o esgoto. Esgoto nas negociatas políticas. E ergueram a voz contra esses descalabros.

O ponto é que toda operação sempre tem alguém que, assistindo à comédia, sabe da verdade. E se dispõe, mesmo à custa de sacrifícios e riscos pessoais, a denunciar o acordos espúrios.

O ponto fraco das negociatas, portanto, é esse. Pessoas que agem com indignação contra os ataques à inteligência da população e contra os cofres públicos.

Toda negociata tem esse ponto fraco. Toda negociata tem um espectador, ativo, passivo ou inerte, que testemunha esses desmandos. O difícil, sempre, é a ação de denúncia dessas pessoas, por causa da impunidade que impera no Brasil. Mas há aqueles que, por testemunho ou provas incontestáveis, podem se aventurar sem medo. Ou melhor, com medo, com superado pela sensação de dever cumprido.

Precisamos dessas testemunhas dos assaltos ao patrimônio, para que nosso sistema de saúde, segurança, educação, tenham as verbas de que precisem. E basta de equipamentos superfaturados para hospitais, basta de rodovias a preços vis… Basta.

Precisamos dar um basta nessa visão dos políticos de que os contratos servem para locupletação. Precisamos de olhos atentos, mas ligados à boca, para que denunciem os fatos. Precisamos de políticos não profissionais, ou seja, daqueles que egressos do povo, continuem povo e em seu nome ajam. A própria essência da democracia. Confiamos num partido político para mudar essa história. Mas a história é que mudou esse partido político. Ou quem não lembra a frase de Nosso Guia, “todos fazem”?

Precisamos fazer com que valha nosso poder de escolha, criando, paralelamente, o poder de contestar. Precisamos, urgentemente, de medidas que nos possibilitem agir contra aqueles que, em nosso nome, enriquecem. Precisamos, portanto, fazer valor nossos direitos, claro, mas concretizar nosso dever. Cobrar, fiscalizar, denunciar.

Democracia é assim, e cidadania tem dois polos: os direitos e deveres. Sejamos, quando necessário, como Eriberto, Sandra e Francenildo: íntegros.

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