quarta-feira, 31 de agosto de 2011

As voltas que esta vida dá

Voltando à cidade que me transformou num tecnocrata, descubro que o tempo muda os amigos, mas não as amizades. Pelo menos as que sobrevivem. Novas situações, mudanças normais, mas o mesmo papo engajado de sempre. Como se a conversa tivesse sido interrompida para irmos ali... E já voltamos.No ambiente corporativo, qualquer realização é efêmera. Não o são, entretanto, aquelas cumplicidades formadas e firmadas no auxílio mútuo, que tanto oferecemos e recebemos e que amalgamou a relação de amizade. Um almoço ou um jantar é um tempo pequeno, pois queremos ouvir e contar histórias, as novas e as velhas e queremos notícias daqueles que não estão. E ainda fica um quê de sentimento de perda, pelo tempo que não compartilhamos e não compartilharemos. Lembramos, mal ou muito, daqueles que simplesmente tangenciaram nossa rota. Mas ainda eles são comentados e celebrados. Nessa trajetória corrida que temos, ter esses amigos é um privilégio e uma satisfação. Aproveite os sua ausente presença para manter viva a amizade. Com relação àqueles que perdemos, resta lamentar, e gravar em nossa memória os ótimos momentos que tivemos. Infelizmente, fui agraciado e amaldiçoado com uma excelente memória. Que permite reviver esses ótimos momentos sempre e sempre, sem, no entanto, evitar a saudade. A cada dia, um novo desafio. E saudades que se acumulam.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

At least, for a while…

No desenvolver de nossas vidas, convivemos com muitas pessoas. Não chegamos a conhecer todas, algumas perdemos sem ao menos ter tido a chance de saber o que pensam e a quem vêm.Outras nos decepcionam com sua presença, sem nos dar o prazer da ausência.Mas algumas se fazem essenciais, talvez somente porque tenhamos dado a elas a oportunidade de se deixarem conhecer.

São aquela pessoas que compartilham angústias, alegrias, temores. Abrem seu coração, arrancam-nos segredos. Mostram-se íntegras, não àquelas baboseiras morais, mas em relação à amizade que nos dedicam. São pessoas que colocam o respeito acima de tudo, mesmo no desrespeito. São aquelas que nos agridem porque querem bem, e mesmo essa agressão (retórica, óbvio) é sempre consentida e nunca acatada.

São pessoas que não nos compreendem, mas acham que nos conhecem mais que nós mesmos. Têm a solução de nossos problemas, saberiam exatamente como agir naqueles momentos que nossa indecisão se mostra mais dolorosa. Têm a capacidade de sumir quando mais precisamos, e de estar sempre presentes quando queremos ficar sós. Respeitam nossos horários desde que batam com os seus. Fazem-se impor perante nossas crenças, dizendo respeitar as nossas. São pessoas que sempre querem nos apresentar a outras pessoas, acreditando na tortura mútua da amizade.

Às vezes, essas pessoas não têm palavras. Fazem suas palavras de outros, sem cerimônia, para declarar o óbvio.

São pessoas que nos fazem de confidentes, que abusam de nossa boa vontade, que não sabem a hora de parar.

Enfim, quando achamos que seriam exatamente aquelas que deveriam nos dar o prazer de sua ausência, nos damos conta de que são pessoas que, celebrando a diferença entre nós, colorem nossa vida com contribuições que achamos que não queremos, mas que precisamos tanto. São pessoas irritantemente indispensáveis, angustiantemente amigas,  “desnorteantemente” necessárias.

Se há patos nessa vida, estas pessoas são cisnes. E, se a vida nos afasta delas,fisicamente, nunca há de apagar as lembranças do que sempre foi e sempre será uma bela amizade.

À Dra. Cristina…

Tá!