terça-feira, 19 de julho de 2011

O direito de matar - II

http://portugues.istockphoto.com/file_thumbview_approve/12230329/2/istockphoto_12230329-car-crashes.jpg Numa recente viagem a Joinville, partindo de Campinas, contei 11 acidentes na estrada. Em todos, havia um caminhão envolvido. Em vários, havia mesmo só o caminhão, que bateu contra barreira, ou perdeu o controle, ou…

O fato é que quem anda pelas estradas não se espanta mais com a quantidade de acidentes que envolvem caminhões e ônibus. Andam acima da velocidade permitida, sem a necessária facilidade para parar e desviar. Quando acontece alguma coisa, o desastre é certo.

Aliás, quem anda pelas ruas e estradas já viu também o fenômeno das SUV e carros esportivos. Andam a velocidades abusivas (muitos), protagonizando várias cenas de perigo. Mas, sejamos honestos: carros “populares” (baixa cilindrada: Gols e Unos) também têm tido esse comportamento. Assim como os carros já sucateados (acima de 20 anos de fabricação). Costumo dizer que sempre há um Chevette atrapalhando o trânsito, mas a verdade é que sempre há um  querendo nos ultrapassar.

A indústria automobilística faz sua propaganda baseada, na maioria das vezes, na velocidade final e na capacidade de aceleração dos carros. Que são dois dos componentes mais perigosos nos acidentes. De que adianta ir de 0 a 100 em 4 segundos, se o perigo que isso causa é devastador? E de que adianta chegar a 220 km (ou mais) por hora, se nossos limites de velocidade são 120 km/h? E isso nas melhores rodovias do país, nem todas alcançam esse limite.

O caso é que há necessidade de intervenção do estado. Placas de velocidade máxima já fazem parte da paisagem, são invisíveis para os motoristas que só procuram as placas de “Radar”. Os acidentes mais famosos do Brasil (o deputado do Paraná e o Porsche de São Paulo), em que há acusação de embriaguez teriam sido tão danosos se houvesse a limitação de aceleração e velocidade?

Certa vez, numa viagem, tive uma discussão acalorada com um amigo, que defendia que o limite há, e que quem dele descuidar deve pagar as penas da lei. Contrário a isso, digo a ele que quem paga, inicialmente, são as vítimas desse abuso irresponsável, e o motorista só raramente paga pelo seu “crime”.

O fato é que é uma indústria tão poderosa que não se avançará em idéia tão intervencionista.Até porque há um sentimento na maioria dos motoristas  de que a velocidade pode ser necessária num determinado momento, numa emergência médica, por exemplo, mesmo que pouquíssimas pessoas passem por isso. essa síndrome de super-homem também se manifesta na suposição de necessidade de aceleração e velocidade para fugir de um ladrão, ou alcançar um, mesmo que as estatísticas mostrem que só se alcança o descanso eterno com essas atitudes.

O cinto de segurança, banal perto desses acidentes atuais, foi alvo de muita controvérsia e só foi instituído porque um político resolveu bancar a medida. Depois dele, todos o copiaram, inclusive a legislação federal. Hoje, a utilização do cinto já está incorporado aos processos naturais da maioria dos motoristas. Não consta que nenhum deles tenha sido prejudicado por isso.

Contra o direito de matar, o direito de viver. Contra o risco de ver arremessado contra nós automóveis a mais de 150 km/h, por bêbados ou quem quer que seja!