quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Dia de Reis e de alguns bufões

Hoje sim, sinto-me instado a fazer um balanço. Não somente do ano passado, mas dos anos todos já idos.

Trajetória em empresa estatal, depois substituída pela área da saúde, divorciado, uma filha… Filha que é a prioridade da vida, não materialmente, mas em termos de presença e apoio.

Em meu papel de pai, acredito que minha dedicação rendeu bons frutos, e renderá ainda. Tenho uma amizade deliciosa com minha filha, que nos permite um convivência fantástica, sempre de convergência, mesmo em nossas divergência. Sim, divergências, porque o bom relacionamento também os têm. Mas, respeitados os credos pessoais, o livre arbítrio e as idiossincrasias, tratar (bem) da divergência é a convergência que vence qualquer crise.

Em meu histórico profissional, orgulho-me de me dedicar (até mais que que devia) a cada atividade que empreendo. Senso de perfeccionismo, temperado com o pragmatismo que me permite (tentar) aperfeiçoar o pronto, sem atrasar a entrega. Neste ponto, um TOC: a busca eterna pelo melhor. Mas dedico-me, profundamente,  pois que se o conhecimento é ouro, a experiência não pode ser avaliada.

Em minha vida pessoal, o reflexo de meu pragmatismo profissional: não dou murro em ponta de faca. A não ser que, conscientemente, acredito que aquela faca, em especial, merece ser esmurrada. Então, não é teimosia, é opção, é uma questão de estabelecer princípios e defendê-los. Procuro atender às demandas familiares, mas nem sempre estou presente. na verdade, muitas vezes ausente. E, mesmo que presente fosse, será sempre muito aquém daquilo que eu almejaria.

De todas as experiências (profissional, pessoal, papel familiar), trago aprendizados. Erros, muitos. Acertos, em maior número. Arrependimentos, alguns. Procrastinações, muito poucas. Não confundo, entretanto, procrastinação com oportunidade: agir na hora certa, nem antes, nem depois. Os arrependimentos não me levariam (provavelmente) a ações diferentes. Porque hoje se sabe  resultado, no momento anterior ao erro não se poderia sabê-lo. E, na condição de ter de decidir rápido, o erro é sempre uma dos resultados possíveis. Mas, reafirmo, se não tomaria outro caminho, aprendi, necessariamente.

Procurei, nestes anos, fazer da minha credibilidade meu maior ativo, já que os credores não podem tomá-la. Assim, se prometi fazer, eu faço. Se não faço, que a verdade se apresente, e paguemos o preço por isso, Ou colhamos os frutos. O importante é que não evitemos conversas, de qualquer tipo, e com qualquer pessoa, porque falseamos verdades.

Procuro olhar nos olhos das pessoas. Nem sempre isso é possível. Há pessoas que merecem tanto nosso respeito que é imperativo conversar com o olhar. E há outras que, por um motivo ou outro, não merecem senão nossa indiferença. A estas, nego o olhar. Mas não o respeito.

Amigos, fiz muitos pela vida. Alguns dos quais, embora sem contato há anos, fazem parte cotidiana de minha vida. Às vezes, um recado abreviado, rápido, mas com um objetivo: eu vivo, e você ainda faz parte de minha vida.

Continuo míope. Não dos olhos, mas da alma. Escolhi acreditar nas pessoas, e pago o preço por isso. Quis ser malicioso, mas isto exige uma energia que a lei no menor esforço impediu. gasta-se muita energia para desacreditar, e é sempre mais agradável confiar. Mesmo que seja mais caro. Mas as decepções acontecem, inevitavelmente. Ainda assim, não luto contra essa miopia.

E, neste ponto da vida, ainda me ressinto da ausência de um Grilo Falante, da fada Sininho, a me soprar no ouvido meus pecados, de forma que pudesse conhecê-los e enfrentá-los. Alguns amigos fazem esse papel, mas pontualmente e sem conhecimento de causa. Mais palpites que interações. E está fazendo falta.

Enfim, do balanço a conclusão: tenho orgulho do que fiz, tenho grande apego às metas que tracei. lamento a ausência de alguns, festejo a de outros. Minha vida profissional encerrar-se-á no féretro, espero. E, embora impossível, queria ouvir, do féretro, que fui um pai amoroso. Um filho atencioso, um bom filho. Um profissional que não mediu esforços para atingir suas metas. Um colega de trabalho que se esforçou por proporcionar crescimento, ao mesmo tempo em que o buscou. Gostaria de ouvir que fui um bom marido, companheiro, e que minha vida se pautou pela verdade e pela clareza. Gostaria de ouvir, no meu momento final, que fui feliz. E até hoje, ao menos nesta questão, posso dizer que estou próximo disso.

Aos amigos, novos, antigos, expurgados, a mensagem: na dúvida, eu costumo perguntar. Peço: em caso de dúvida, pergunte. Matemos os mal-entendidos, para vivermos uma relação sólida.

Dia de Reis? Dia de desmontar a árvore de Natal. No meu caso, galho a galho…

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