segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Limpeza profunda

Hoje tirei o dia para limpar. Limpei guarda-roupas e gavetas, separei o que pode ser dado do que é lixo. Fiz o mesmo no resto da casa, me surpreendendo com minha surpresa de ter tanta coisa desnecessária. Fui tirando coisas que já caducaram, perderam o prazo de validade, algumas nem deviam estar aqui… Doei coisas que não utilizava mais, e foi incrível como uma coisa largada aqui era uma largo sorriso ali… E meu apartamento foi ficando leve, limpo, fácil. E resolvi que era hora de, novamente, fazer isso na minha vida.

E fui levantando aquelas coisas que eu deixava que me aborrecessem, aquelas mágoas mal enterradas, defuntos insepultos. E, tal e qual no apartamento, e tal e qual em ocasiões passadas, a grande surpresa foi ter guardado tanto lixo. E, se havia, também era por culpa exclusiva minha. Às vezes, nos deixamos encerrados num momento, numa ocasião, num átimo de tempo que não define nada. Não nos permitimos enxergar a cena de longe, e não nos permitimos enxergar o outro lado. Escolhemos guardar uma imagem ruim, e a carregamos, concretizada em dissabores, sofregamente pelos nossos dias.

Para então, num dia mágico, percebermos que perdemos muito tempo, gastamos muita energia, desperdiçamos um pedaço da vida com esse tipo de coisa. E desapegamos dessas coisas ruins, estranhando que elas nos causem apego. Sim, é apego, porque decorrem de uma decisão nossa. Escolhemos ruminar, relembrar, incriminar… Ou nos omitimos, e o episódio toma conta de nós, escolhendo ele, então, que ruminemos, relembremos, incriminemos. E, nesse momento mágico desse dia de limpeza, retomamos o controle da situação e expulsamos das gavetas da alma essas coisas que nunca deveriam ter estado ali. E a alma fica leve…

Mas, diferentemente do apartamento, nesse temos uma escolha adicional. Podemos, voltando no tempo, resgatar e reviver momentos bons. Podemos trazer de volta as coisas que nos motivara, nos encantaram, nos emocionaram… E que nos faz procurar amigos sumidos, reler livros empoeirados, assistir de novo aqueles filmes que nos motivaram.

Enfim, findo o dia, mas com o sol ainda a postos, a conclusão: bem que podia ter mais dias assim. E vou!

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

CEPRE–Clube Etílico de Pescaria, Recreação e Entretenimento

No início, era somente uma turma que se reunia de vez em quando para tomar caldinho de feijão e comer porquinho de leito no Boteco do Vandeco tomando a indefectível cervejinha. Ao longo do tempo, a tensão sempre aumentando, surgiu a ideia de uma pescaria. Capitaneados pelo Edson, lá fomos nós para Pirassununga. Rio cheio, após uma temporada de chuvas, fomos apenas eu, Edson, Durval e Mário. Este foi jurado de morte após a pescaria, por causa da Chama da Verdade. Rápido e esperto, ainda hoje dorme com um olho aberto perto de nós.

A pescaria seguinte já foi na nossa sede. Piraju, rancho do Saudoso Dorinho, cunhado do Edson. Mas, ainda desta vez, um grupo pequeno (era um feriado prolongado de Páscoa). Mário e família, Edson e família, eu e apêndice, queríamos mesmo é ver a Rê presa, ops, a represa. Jurumirim, que viria a sediar boa parte de nossos encontros.

Depois, só mesmo o CEPRE. O pessoal, motivado pela primeira pescaria (e pela segunda, em termos), se reuniu e iniciou preparativos para a primeira de uma série. Teve até caderno com as músicas que cantaríamos. Sertanejas, do tempo da moda de viola, e Raul Seixas, mestre do Paulim. Nesta, já com presença do Zema, do Ari, do João (que mais tarde viria a ser o Ribanceira, história para outro dia). E a esta turma foram se juntando outros pescadores, como Wilson, Minoru, José Sérgio, o Léo, o João…

Pescarias inesquecíveis, fatos memoráveis. Como o caiaque que virou, a pedra de 600 toneladas que se movimentou e derrubou um cepreano no rio; o leme perdido em águas profundas; o dia do encontro especial: um caiaque, uma lancha, um barco a remo, alguém no jirau, e o Zema de teco-teco…

  • O cigarro de palha que o Ari fez para o Zema…
  • Meu chapéu que se perdeu na represa…
  • O carro do Zema, que só funcionava com ele…
  • Os óculos do Ari…
  • O frango com epocler do Ari…
  • O carro encalhado do Wilson…
  • O arrozinho bom prá cachorro…
  • A bala na boca…
  • Sapo seco, mão de anjinho, carovinha…
  • A 107, música que selecionávamos por horas a fio no posto da entrada da cidade (Piraju), até que alguém reclamasse…
  • O Durval, que aprendeu a tocar violão (só tocava a 107, mas cantávamos todas com ele tocando)…
  • A 107, claro, era Fio de Cabelo.

 

Tinha até uma discussão, em toda pescaria, para saber quem ia ficar comigo na beira do rio, porque eu fazia questão: vou pescar. E, ali, na beira do Rio Paranapanema e proximidades, comendo isca de peixe e batendo papo com os amigos, nossa amizade foi se estreitando, se fortalecendo, e ainda hoje é palpável o elo que nos une. Tínhamos nossos problemas na estatal em que trabalhávamos, mas ali eles não nos acompanhavam. E, mesmo sem combinar, cada um tinha seu papel na pescaria, assumidos e delegados de forma silenciosa. Nós nos tolerávamos como nunca, em nome da diversão. Alguns iam de madrugada, por causa do horário de trabalho, o que não impedia nossa perfeita interação.

Pessoas de diversos cargos na estatal em que trabalhávamos, isso nunca interferiu nas nossas pescarias. Ali éramos todos, como somos agora, uma turma de amigos reunidos. E como seremos em breve, no encontro que estamos agitando.

Por isso, o CEPRE se renova. E, mesmo longe uns dos outros fisicamente, prova que amizade mesmo, a verdadeira, ainda existe. É uma questão de escolha.

sábado, 19 de novembro de 2011

Quem entende o consumidor?

Na década de 70 houve o grande boom das computadores. Ainda os mainframes, mas foi quando as grandes corporações, a maioria financeiras, passaram a basear atividades repetitivas e de alto volume em PED (processamento eletrônico de dados). Houve uma revolução silenciosa na forma de trabalhar, e a vida ficou um pouco mais fácil nas organizações. Mas o grande problema com que se deparavam as empresas eram as chamadas soluções proprietárias, pois na hora de comprar insumos ou mesmo peças de reposição obrigatoriamente precisava-se recorrer ao fabricante. Várias tentativas de fugir dessa situação eram perceptíveis nas negociações de compra, mas a força da indústria ainda era muito forte nesse sentido. Afinal, gastava-se muitos milhões de dólares para adquirir equipamentos, trocá-los por causa da escravidão em relação ao fornecedor era praticamente impossível.

Quando o mundo viu a explosão dos então chamados PC, os computadores pessoais, o caminho ainda era o das soluções proprietárias. As compras de peças ainda eram na base do padrão utilizado, e eram muitos. A COMPAQ, uma integradora de soluções, liderou diversos consórcios de padronização para que essa diversidade tivesse uma convergência. Os modens, por exemplo, tinham padrões que alcançavam velocidades diferentes, e a padronização superava esses problemas. O mundo, então, iniciou sua convergência para as soluções abertas,fugindo daquelas que escravizavam o cliente. Isso tudo numa lógica corporativa, claro.

No meio da briga dos PC, uma empresa que fabricava um equipamento ótimo enfrentou o problema da solução proprietária: a Apple. Seus computadores pessoais, embora tivessem apelo de uso, acabaram se afastando do que o mundo estava adotando como padrão.

Por uma ironia, uma tal de Microsoft tornou quase que obrigatório seu sistema operacional, o Windows, contra outros aventureiros e marcas de renome (como a IBM). E ajudou, com esse padrão, a empurrar a Apple ao isolamento.

E então, quando o planeta entendia que as soluções abertas eram a solução (afinal, qualquer peça de reposição cabia em qualquer computador), eis que surge de novo a Apple com um padrão fechado. O iPod, sucesso de vendas, não tem sequer possibilidade de troca de bateria pelo usuário. Seus aplicativos somente podem ser adquiridos pela loja Apple, o iTunes. E somente quem recebe autorização da Apple pode vender por essa loja.

O sucesso foi tamanho que a Apple avançou para novos modelos e gerações de iPod, gerou o iPhone e o iPad, todos dentro da mesma filosofia restritiva. O consumidor, seduzido pelo design revolucionário e pela usabilidade, pouco se importou com as restrições, e a Apple se firmou como a rainha da solução proprietária no mercado. Outras empresas não conseguem sequer ter esse sonho. O Windows enfrenta forte resistência em alguns meios, e até usuários domésticos já usam o Linux, por exemplo. Mas os produtos da Apple passam ao largo de tais reações dos consumidores.

A situação será irrelevante se a prestação de serviços e os problemas que a família de produtos da Apple continuarem nos patamares em que se encontram hoje. Mas caso aconteçam com frequência problemas como na nova versão do sistema operacional do iPhone (IOS 5), que causava um superconsumo de bateria, os consumidores poderão começar a reagir.

Hoje a marca é um fetiche. Há celulares, por exemplo, com facilidades tão abrangentes quanto o iPhone, ou até mais. Mas não é um iPhone. E isso faz a diferença. Se a ausência de Jobs não abalar a prestação de serviços, a marca sobrevive. Mas já vimos essa situação uma vez: sem Jobs, a Apple mergulha no lugar comum das empresas produtoras de equipamentos.

O consumidor, por enquanto, está alheio a tudo isso.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Bullying como regra–o caso da USP

Com frequência assustadora, o jornalismo brasileiro engaja discussões baseadas em preconceitos. Não poderia ser diferente, já que jornalistas são humanos, e é imanente ao ser humano ter ideias preconcebidas.

Mas aos jornalistas cumpre – ao menos esperamos que seja assim – verificar a veracidade dos fatos que publica. Caso contrário, não é notícia, é opinião.

Já há muito tempo se noticiam crimes na UNICAMP e USP, ambos com vasta área aberta e com muita gente circulando. Por si só, este fato já seria capaz de gerar adesão imediata dos estudantes à presença da polícia nos campi, certo?

Errado!

O paralelo pode ser estabelecido com a invasão das favelas do Rio: sai o traficante, entra a polícia, mas o medo maior era o da polícia. Tanto que a última invasão, a da Rocinha, teve esquema especial para evitar abusos dos… policiais! Por exemplo, foram impedidos de entrar com mochilas, para que não houvessem saques. Isso quer dizer somente o seguinte: há aqueles que não seguem a orientação do comando, e abusam. Cometem os mesmos crimes que deveriam combater. E, se partiu do comando essas ações preventivas, é um reconhecimento de que, infelizmente, alguns ainda têm algo a esconder.

Os alunos da USP, chamados de baderneiros, bandidos, maconheiros, elite mal-criada, riquinhos, de daí por diante, queriam uma coisa muito básica: respeito.

Um respeito que eles não mostram? Talvez. Mesmo assim, merecem respeito. Nem todos são de classe média, ou resolvidos. Nem todos vão trabalhar em carrões. Nem todos apoiam o consumo da maconha. Mas todos querem que o policial os respeito da forma como preconiza a Constituição: “todo mundo é inocente”… E o desrespeito acontece mesmo sem a prova contrária.

A generalização do que alguns acham ser a verdade é a negação da democracia. Ao menos daquele inicialmente imaginada, a utopia “do povo, pelo povo, para o povo”. E quem não convive com a democracia, conviverá (conviveu) melhor com a ditadura?

Pessoalmente, sou contra esse tipo de violência cometida pelos estudantes. Somos inteligentes e criativos para sair dessa lugar comum de invadir e quebrar. Mas reconheço que a palavra nem sempre comove aqueles a quem dirigida.

O que houve como reação, entretanto, foi desmedida e irracional. Os “maconheiros”, “baderneiros”, “elite mal-criada”, sejam de qualquer classe social, são alunos de uma instituição de ensino que tem problemas. Não são (necessariamente) os causadores desses problemas, na maior parte das vezes são vítimas. Mas imprensa e parte da sociedade os condenaram antes de julgar seus atos e argumentos. Foi um bullying cometido pela forte imprensa, ecoado pela camada social que se faz ouvir pela imprensa. É de lembrar que o caso da Escola Base, em que a condenação antecedeu à apuração dos fatos, e os atingidos tiveram a vida devastada.

E, de mais a mais, como bem lembrou Ricardo Boechat na Band News: se estudantes, ou empresários, ou médicos, enfim, qualquer grupo (ou indivíduo) quiser discutir uma lei, quem somos nós para negar essa discussão? Afinal, a Teoria Tridimensional do Direito (Miguel Reale) dá suporte a esse tipo de discussão. A sociedade define, pelos seus valores, quais comportamentos são desejados ou indesejados, é a própria extração dos valores vigentes. Sem discussão, nunca se chegará a aprimorar (ou produzir) lei alguma.

Mas não era esse o caso dos estudantes da USP. Contra argumentos não há fatos, diria o cínico, e os argumentos dos valentões que têm a palavra se encarregou de sumir com o fato: a polícia precisa respeitar os alunos. Nem só direitos, nem só deveres: equilíbrio. De todos.

Chega de histórias mal contadas. Já basta o caso Luriam, o filho não noticiado do FHC, a Escola Base. Passamos dessa fase. Ela deveria ser uma triste memória, finda com a ditadura das armas. Infelizmente, teremos de combater a ditadura das palavras e versões. É demais, para o Brasil contemporâneo, que debate o fim do sigilo eterno dos documentos do governo, aturar tanta desinformação…

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Obrigado, e até breve

A vida me ensinou a dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração.

Charles Chaplin

Na virada de mais página da vida profissional, em frente a uma página nova e virgem, não seria justo deixar de agradecer as pessoas que, de uma forma ou de outra, ajudaram a escrevê-la.

Então, a gradeço às pessoas que, de forma fugaz ou duradoura, passaram pela minha vida nesse período. Por serem seres humanos, e por serem comportamentos imanentes a eles, há que agradecer àqueles que foram sinceros, leais, fiéis, verdadeiros. Aqueles que, sem prejulgamentos ou condicionantes, me ofereceram amizade e companheirismo. Aqueles que me ofereceram verdade, mesmo que pontiaguda, porque estes privilegiam o ser, em vez do estar. Agradeço àqueles que, mesmo distantes, se fizeram sempre presentes, pela amizade irrepreensível, ou pelo apoio consciente, ou pela simples história. Agradeço àqueles que criticaram, pois a crítica é a revisão da alma, que nos permite crescer (se quisermos). Agradeço àqueles que, além do profissional, se aproximaram da pessoa, que tem tanto a oferecer quando aquele, ou talvez mais. Agradeço as pessoas que olharam além das aparência, procurando a forma real, mesmo no nevoeiro, com o benefício da dúvida. Agradeço a todas as pessoas que, de uma forma ou outra, acreditaram contribuir para o meu crescimento, mesmo à custa de conversas mais ásperas, feedbacks necessários e opiniões sinceras. Estão são as pessoas que fazem com que o copo esteja sempre meio cheio.

E às pessoas que preferiram o outro lado da relação interpessoal, qual seja o da dissimulação, o conchavo, a fofoca, a crítica infundada, a semeação de intrigas, a supressão da verdade, a introdução da mentira, também a estas devo agradecer. Primeiro, porque elas nos dão aquele choque de realidade, lembrando que o mundo é mesmo cruel, e temos de estar preparados para tudo. E, acima de tudo, porque valorizam ainda mais os primeiros, pelo contraste triste e óbvio, aqueles que escolheram entre o ser humano racional e total. Normalmente, quem prefere a dissimulação à verdade não escolhe, é escolhido. Não decide com base em princípios, mas com base em alguma relação perde-ganha. Não enxerga o longo prazo, somente o prazer instintivo do momento. Não constrói relacionamentos, embora os tenha, mas frágeis a ponto de não suportar a verdade. Nem a ponto de reconhecê-la, por questão de princípios.

Mas somos seres humanos, dotados de capacidade de análise e discernimento, necessários para decisões e escolhas. Por isso, DECIDO que, não importa o passado, nem qualquer outro fato, todas as pessoas que passaram por esta fase de minha vida são do primeiro tipo. ESCOLHO interpretar pelo lado positivo todos os fatos e atos. ESCOLHO enxergar somente o lado bom, deixando todo o resto de lado. DECIDO que todos foram importantes, e, portanto, merecedores de minha gratidão.

Principalmente porque todos suportaram, à sua própria maneira, meus defeitos e intempestividades. E, como sabemos que não são poucos, agradeço.

Mas falando de defeitos, aqui um mea culpa: não sei fazer nada a não ser com compromisso total. Procuro a perfeição, e sempre me dedico além do possível, aquém do desejado. Há sempre paixão em excesso nas coisas que faço, e por esses defeitos peço desculpas a todos.

Enfim, obrigado e até breve.

Despedida

Rubem Braga

E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval — uma pessoa se perda da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito — depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado — sem glória nem humilhação.
Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.
E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?
Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras — com flores e cantos. O inverno — te lembras — nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil.
Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus.
A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A verdade, nada mais que a verdade

É extremamente fácil enganar-se a si mesmo; pois o homem geralmente acredita no que deseja.
Demóstenes

De todos os males dos relacionamentos, sejam pessoais, sejam profissionais, o mais avassalador deles é a mentira, ou a verdade que é escondida. A falta de sinceridade agride, machuca, faz com que todo o esteio do relacionamento se torne pó. E, das reconstruções, a confiança é a que mais se ressente da falta da verdade, pois o precedente grita aos nossos ouvidos o que foi o passado.

As pessoas mentem por diversos motivos, alguns até mascarados de boas intenções. Mas não há resultados louváveis na mentira, embora com ela alguns se locupletem. Há as mentiras proferidas por piedade, por maldade, por puro hábito. E há aquelas proferidas pela crença de que uma pequena mentira faz mais bem que qualquer verdade, o que pode ser defensável, mas não é verdade. E, não sendo verdade…

Os amigos deveriam se tratar apenas pela verdade, assim como cônjuges e familiares. Claro, na forma e no conteúdo, ou seja, sem agredir com a verdade, mas sem ferir com a mentira. A tentativa de manter uma paz artificial, uma paz forçada, uma calmaria falsa através da mentira é a zona de conforto falando alto, evitando que haja fluidez na conversa. É o medo, que nos faz esconder, em vez de enfrentar o problema.

Mas há aqueles que mentem porque, de tanto mentir, acreditam na mentira. Ou a rodeiam de circunstâncias tais que a mentira posa de verdade, fazendo com que até o mentiroso nela acredite e por ela morra. É a autoenganação, que é a precursora da enganação dos outros. Aqueles que acreditam nas sua próprias mentiras defendem-se da verdade, que lhes parece tão aterradora que não a conseguem encarar.

Assim, há os que acreditam-se injustiçados, os que acham que a mentira protege de um mal maior, os que acreditam que a mentira salva. Não há moral na história mentirosa, principalmente quando se acredita nessa mentira. Mas não há reflexão, e não há a manifestação daquela inteligência que pretensamente nos difere dos outros animais do planeta. Na verdade, essa esperteza da mentira, sempre baseada na Lei de Gerson, nos coloca no mesmo patamar de inteligência daqueles predadores que, por puro instinto, emboscam e capturam suas presas.

Ao homem na era da informação não caberia esse tipo de comportamento. Mas, como já se disse alhures, “consciência nada é senão o medo de estar sendo observado”.

Na era da informação, com computadores como itens básicos da vida, a consciência do ser humano deveria ter eliminado a compulsão pela mentira. A moral deveria imperar, e gerar mais compromisso com honra, lealdade e honestidade. Mas a era da informação também é a era da economia de mercado. Mais rigorosa que a Lei da Selva, ela mata quem não sobrevive, e uma das armas dessa sobrevivência é justamente a versão aceita. Verdade? nem pensar.

Por isso, muitos de nós vamos morrer pobres. Mas com uma jornada que terá valido a pena.

Mais uma vez, Drummond:

A Verdade (Carlos Drummond de Andrade)

A porta da verdade estava aberta,
Mas só deixava passar
Meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
Porque a meia pessoa que entrava
Só trazia o perfil de meia verdade,
E a sua segunda metade
Voltava igualmente com meios perfis
E os meios perfis não coincidiam verdade...
Arrebentaram a porta.
Derrubaram a porta,
Chegaram ao lugar luminoso
Onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
Diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual
a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela
E carecia optar.
Cada um optou conforme
Seu capricho,
sua ilusão,
sua miopia.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O câncer de Lula

Nosso ex-presidente está com um câncer (tratável, segundo as informações). E há uma polêmica forte nas redes sociais, sobre seu tratamento, uns defendendo que ele use a rede pública, outros defendendo o direito de Lula a escolher onde e como se tratar.

O câncer é uma doença terrível, ainda naquele patamar que assusta só pela ameaça de existir. Lula deve ter o direito de decidir onde se tratar, como fugir dessa imensurável fonte de medo.

Mas seria um desperdício de história se o cidadão médio não se valesse do momento para cobrar do ex-presidente ações que ele não tomou a respeito da saúde pública. Fosse esta uma afiliada importante de partido político, ganhando vida própria e influência, talvez a saúde pública tivesse ganhado alguns milhões a mais, entrando na linha dos aloprados, mas endinheirados. Lula foi tenaz e, como sempre professoral, ao defender os companheiros no famoso “todo mundo faz”. Fosse a saúde uma aloprada companheira, talvez tivesse tido mais consideração.

Na década de oitenta, ainda ingênuos, defendíamos Lula como a única possibilidade de mudar o Brasil. De acabar com a herança da breve democracia (recém retomada), que já derrubara um presidente sob acusações de desvios. Acreditávamos em Lula como o salvador, e no PT como num colegiado de notáveis que, inconformados com a ditadura e com a “democracia de mercado”, queriam mudanças na ética da política. Numa entrevista que fiz com Hélio Bicudo no início dos anos 90, o jurista ainda carregava o brilho da mudança nos olhos. Ainda era uma meta, um objetivo. O mantra da ética ainda imperava.

O discurso do PT, de Lula a todos que tivessem oportunidade de ter um microfone à frente, era contra a roubalheira, contra o fisiologismo, contra a impunidade. Mas, como se esse fosse um preço a pagar para manter o poder, foi justamente no governo do PT que essas coisas ganharam as manchetes e atingiram a tantos daqueles em quem depositávamos nossa fé (politicamente falando).

Lula, nordestino, trabalhador, cidadão classe remediada, seria aquele que valorizaria a educação, por ter sido negada a ele a facilidade de acesso. Assim como valorizaria a saúde pública, pois que da sua infância, acreditávamos, fantasmas de falta de atendimento e problemas de saúde mostrariam a ele quão importante era o tema. E assim, nessa linha de raciocínio, imaginávamos que Lula faria das dificuldades dos pobres e remediados suas bandeiras nas suas ações concretas. E acreditamos ainda mais nisso quando o deputado constituinte participou da elaboração da Constituição Cidadã, fazendo dessas premissas, mais do que direitos do cidadão, cláusulas pétreas da carta magna. O que rendeu (e ainda rende) tratados e mais tratados sobre a essência de uma cláusula pétrea, mas dúvidas não deixou sobre o que significava esse ato: que o direito era tão concreto, que deveria figurar como mandamentos imutáveis e indeléveis.

Mas, comunicador que é, Lula fez uma revolução na saúde, na educação, na segurança. Mas retórica apenas. “Nunca antes neste país”… Ou mentiram para o então presidente, ou este mentiu para nós e o mundo.

O fato é que Lula teve o poder (sim, assim como Fernando Henrique Cardoso, e pelo mesmo tempo). O fato é que nunca encaramos FHC como um “salvador da ética”. Lula sim. E, no poder, mimetizou-se a ele, ao menos na forma. Fisiologismos, abusos, escândalos, impunidade. Mais retórica que ação, mais justificativas que punições. Um triste fim para os sonhos daqueles que (ainda) acreditavam na ética na política.

Lula pode e deve tratar-se segundo sua consciência dita. Mas talvez fosse interessante ele receber a visita do fantasma de algum ex-companheiro, tornando-se o Lula Scrooge da Silva, e ver o quanto ele poderia ter feito e o quanto de fato fez. Que mostre a ele como foi boa a bolsa-família a curto prazo, mas como ela impediu que muitos brasileiros aprendessem a pescar. E como o dinheiro na cueca e Land-Rovers poderiam ter se transformado em benefícios reais, em vez de locupletação de companheiros.

Espero que Lula se cure. Mas bem que, junto com a cura, poderia vir um pouquinho de clarividência sobre o Brasil que ele (não) ajudou a construir. Ou é pedir demais?

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O ponto vulnerável das fraudes (em governos)

Não consideremos nem os divórcios, que, nos casos do Pitta e do Waldemar da Costa Neto. Nestes, os ressentimentos são tão grandes que a exposição da vida oculta é até compreensível.

Mas a grande vulnerabilidade das fraudes e das mentiras de representantes graduados do governo reside em pessoas como Eriberto Franca, Sandra Fernandes de Oliveira e Francenildo Santos Costa.

Eriberto França foi a testemunha chave no caso do PC Farias no governos Collor. Na sequência, Sandra Fernandes apareceu e denunciou a negociata envolvendo a Operação Uruguai, que se prestava a justificar uma certa parte da renda de Collor. E Francenildo Pereira desmascarou o mais poderoso dos ministros de Lula, ao confirmar sua presença em reuniões de correligionários. O que motivou essas pessoas?

Não se pode dizer. Mas inferir é possível.

São pessoas que se cansaram de ver que seu dinheiro, sofrido e suado, estava indo pelo ralo para o esgoto. Esgoto nas negociatas políticas. E ergueram a voz contra esses descalabros.

O ponto é que toda operação sempre tem alguém que, assistindo à comédia, sabe da verdade. E se dispõe, mesmo à custa de sacrifícios e riscos pessoais, a denunciar o acordos espúrios.

O ponto fraco das negociatas, portanto, é esse. Pessoas que agem com indignação contra os ataques à inteligência da população e contra os cofres públicos.

Toda negociata tem esse ponto fraco. Toda negociata tem um espectador, ativo, passivo ou inerte, que testemunha esses desmandos. O difícil, sempre, é a ação de denúncia dessas pessoas, por causa da impunidade que impera no Brasil. Mas há aqueles que, por testemunho ou provas incontestáveis, podem se aventurar sem medo. Ou melhor, com medo, com superado pela sensação de dever cumprido.

Precisamos dessas testemunhas dos assaltos ao patrimônio, para que nosso sistema de saúde, segurança, educação, tenham as verbas de que precisem. E basta de equipamentos superfaturados para hospitais, basta de rodovias a preços vis… Basta.

Precisamos dar um basta nessa visão dos políticos de que os contratos servem para locupletação. Precisamos de olhos atentos, mas ligados à boca, para que denunciem os fatos. Precisamos de políticos não profissionais, ou seja, daqueles que egressos do povo, continuem povo e em seu nome ajam. A própria essência da democracia. Confiamos num partido político para mudar essa história. Mas a história é que mudou esse partido político. Ou quem não lembra a frase de Nosso Guia, “todos fazem”?

Precisamos fazer com que valha nosso poder de escolha, criando, paralelamente, o poder de contestar. Precisamos, urgentemente, de medidas que nos possibilitem agir contra aqueles que, em nosso nome, enriquecem. Precisamos, portanto, fazer valor nossos direitos, claro, mas concretizar nosso dever. Cobrar, fiscalizar, denunciar.

Democracia é assim, e cidadania tem dois polos: os direitos e deveres. Sejamos, quando necessário, como Eriberto, Sandra e Francenildo: íntegros.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O país da falta de assunto – Rafinha Bastos, Gisele Bündchen…

Rafinha Bastos é um humorista. Só isso já devia bastar para que todos soubessem que nada do que ele diz tem pretensão de ser verdade. E humoristas são assim mesmo, esculacham com qualquer coisa. Não gostou? Simples, mude de canal. Eu, que não sou fã de piadas grosseiras, faço isso com o CQC e com o Pânico na TV. O interessante é que o Renato Aragão há muitos anos só faz piadas sexistas e machistas, num horário infantil, e ninguém se incomoda com isso. Piadas são inteligentes ou pobre, apelativas ou sutis, mas são piadas. Se o público não gostar, como parece ter sido o caso (da piada em si), o humorista recebe isso de volta como feedback nos aplausos, sejam eles virtuais ou reais. Quando o Pânico fazia (não sei se ainda faz) aquelas piadas com o “Vô/Num vô”, obviamente fazia uma avaliação sobre a “beleza” (ou a falta dela) do “alvo”. Não houve polêmica. Pegadinhas estúpidas do SBT não geram polêmica. Rafinha Bastos, por ser influente, deveria ser um santo? Não sei. Mas o fato é que a polêmica se estabeleceu. Prova disso é este post meu, falando sobre o assunto.

A Gisele, nos comercias que foram suspensos, faz o que a mídia internacional faz com o Brasil, mas tomada como elogiosa: divulga os dotes da mulher brasileira. Ou as feministas tomam os homens por completos imbecis que esquecem do limite do cartão por qualquer lingerie? Talvez pela Gisele, mas por favor… Há “crimes” de propaganda piores. As cervejas, que só escolhem “Boas” para estrelarem seus comerciais são diferentes? Ou são diferentes os comerciais de perfume, em que a modelo “veste” somente joias e perfume? Os comerciais de jeans nem sequer mostram mais o produto, apenas a garota-propaganda da vez…

Este deve ser um país sem assunto. Elis Regina talvez cantasse diferentemente o “Alô Marciano” neste mar de tédio em que se encontra o Brasil.

Pois os assuntos que estão em efervescência nos jornais não merecem o polêmica nacional. Senão, vejamos:

  • O judiciário quer acabar com as punições que o Conselho Nacional de Justiça impõe aos seus “condenados”. A aposentadoria compulsória está sendo questionada e o Supremo Tribunal Federal vai dizer se a medida é ou não legal;
  • O judiciário quer aumento. Ter 60 dias de férias ao ano não basta. E ganhar o teto dos salários do mundo público também não basta. Querem aumento;
  • O legislativo de São Paulo está em crise. Foi comparado a um camelódromo;
  • O Governo quer criar um tributo para a saúde. Mas não mostra como foram os gastos com o mesmo assunto;
  • A corrupção grassa nos ministérios. Ministros e assessores caem, vitimados por denúncias;
  • O shopping é interditado por risco de explosão. Passou parte do tempo que tinha para realizar obras de solução discutindo com a prefeitura e o órgão responsável pelo laudo. E se explodisse?
  • Os deputados chegam na terça a Brasília e na quinta de manhã voltam para casa. Votações são feitas por dois parlamentares, como se todos tivessem participado. Isso é legislar? Não, não é.

Há inúmeros problemas reais pelo Brasil afora. E adentro. Mas eles não cabem em redes sociais, pois não se prestam a linchar alguém. É uma coisa sem solução, uma dessas coisas que se aceita porque somos impotentes para resolver. Não incomoda ninguém nosso poder legislativo, nosso poder judiciário, nosso poder executivo. Interessam somente as grosserias dos comediantes, ou a apelação da propaganda.

A saúde, a educação, o trânsito, a segurança são assuntos secundários, que não nos interessam. Não nos mobilizam, não nos escandalizam mais. E comediantes e atrizes fazem seu sucesso nas redes sociais da vida…

Que país, este!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Realinhando…

Às vezes a noite não passa, e o sono não vem. Virando de um lado para outro, e pensando nos problemas, e em como solucioná-los, enquadro cada solução no credo pessoal, esse modelo moral-comportamental a que me propus há alguns anos. E é aí que a noite se torna mais longa, o travesseiro mais duro, e o sono foge de uma vez.

Quando crianças, tínhamos aquela imagem do Super-Homem, ou do Batman, ou o Zorro, que chegam na exata hora da necessidade, para acabar com o mal. Mas não há heróis para acabar com os males que nos afligem. Há somente a consciência.

Consciência implacável como o Grilo Falante, e que me mostra que, em algumas ocasiões, pode-se dizer, quando conveniente, aderimos adrede e felizes à tese de Milgram: se há quem assuma a responsabilidade…

Aí, chega uma hora em que a vida começa ai cobrar as dívidas. E os amigos somem, quando não se tornam inimigos. As pessoas já não o conhecem na rua, já não fazem mais questão de serem vistas com você. Aliás, virou um risco.

Mas, aí, quando estamos preocupados com isso, a vida coloca as coisas no lugar. Há os amigos que não desconfiávamos, os que se tornam amigos em função disso, há as pessoas que fazem, sim questão de mostrar seu apreço e apoio. São as pessoas sem peso nas costas, leves com a vida e com a consciência. E são estas que nos ajudam a levantar pás e pás de terra, enterrar o passo e seguir em frente.

Apagamos muita gente com essa terra. Mas, de novo, é o preço a pagar.

E nós pagamos…

domingo, 2 de outubro de 2011

O camaro e a hipocrisia no trânsito: é hora de limitarmos o poder de aceleração e velocidade máxima

De 0 a 100 em 4,8 segundos.

A força do motor de 406 cv …

No site da fabricante!

E por aí vai.

O que se vende é velocidade e potência. A velocidade final e o poder de aceleração são sempre itens destacados na propaganda desse tipo de carro. Não só dele. As SUVs, os esportivos de luxo, as versões especiais…

No Brasil, a embriaguez ao volante ainda é uma epidemia.E, associada ao poder de aceleração do automóvel (o tal do zero a cem em 4,8 segundos), tira daquele que não tem condições de reagir rapidamente qualquer possibilidade de evitar uma catástrofe. Para as vítimas dessa catástrofe, então, a reação é impossível.

As pessoas bebem e dirigem. Ou bebem muito e dirigem. Temos aí um componente comportamental socialmente aceito. Qual seria, então, a solução?

Paliativos, no máximo. Mas imaginemos que os automóveis tivessem um limitador de aceleração e de velocidade máxima. Quem precisa ir de zero a cem em pouquíssimos segundos? E quem precisa utilizar seus 406 cavalos para atingir 290, 300 km por horas nas nossas estradas que têm limite máximo de 120 km/h (isso as melhores)?

Mas os fabricantes são grandes financiadores de campanhas políticas. Têm, portanto, uma grande turma adulada defendendo seus interesses. Ou não querendo colocar o dedo na ferida. Quando Paulo Maluf obrigou a população de São Paulo a utilizar o cinto de segurança, foi primeiramente alvo de muitas críticas, mas manteve-se firme. Eu, que não sou fã desse político, tive de reconsiderar minha posição: a medida era utilíssima. Exemplos de pessoas próximas me mostraram que o cinto salva vidas.

Na questão da aceleração e da velocidade final, quanto é que alguém será corajoso o suficiente para sugerir restrições? Quando é que poderemos sair às ruas sem a preocupação de que, sem aviso, um carro super-esportivo surja sobre nós, nossos amigos e familiares e interrompa ou arruíne vidas para sempre?

Mas, pés no chão, vá sugerir que um carro como uma BMW ou um Audi tenha sua velocidade limitada a 120 km/h. Ou que sua aceleração lhe permita ir de zero a cem somente em, digamos, quinze segundo. Isso em nome da segurança. Acredito que ouviremos que isso contraria o fetiche que se cria em torno do carro. Mesmo que esse fetiche, associado ou não ao álcool, ceife vidas de nossos amigos e familiares.

Quando se diz que o estado intervém demais, eu sempre penso que esta é uma situação em que intervém de menos. Ou não intervém, simplesmente. A receita das multas, utilizada para milhões de coisas que não nos dizem respeito (até prova em contrário), até mesmo para comissionar o vendedor, poderia ser dirigida para essa  novidade: um limitador de aceleração e velocidade máxima.

Infelizmente só nos lembramos desse problema quando alguém próximo é atingido. Mas, analisemos: está cada vez mais próximo! Quem não conhece alguma família que perdeu alguém por causa de acidentes? E os acidentes tolos?

É preciso dar basta a essa situação. Acidentes de trânsito sempre ocorrerão, assim como sempre haverá aqueles que consumirão álcool antes de dirigir. Mas imaginemos qual seria o resultado se o automóvel que ele transformou em arma se transformasse de míssil para uma arma bem menos potente. Sim, ainda assim haveria mortos e feridos. Mas, creio, menos mortos, e menos feridos.

Já seria alguma coisa…

domingo, 25 de setembro de 2011

A terceira via na vida pessoal

“Se alguém assumir posição defensiva, é porque sua força é deficiente; se alguém atacar, é porque sua força é mais do que suficiente.”

Sun Tzu, em A Arte da Guerra

Esse livro, A Arte da Guerra, se tornou famoso no início dos anos 90. Trata de estratégias para lidar com inimigos e adversários. E no mundo corporativo, passou a ser referência, junto com outros livros surreais.

Em nossa vida pessoal, a posição pode ser neutra em relação a ataques e defesas. Deveria ser essa a normalidade de nossas vidas. Mas há situações, precisamos reconhecer, em que há necessidade de entrarmos em embate. O conflito é inevitável, ou é o jeito mais eficaz de tratar de alguma diferença de posição.

A citação acima, infelizmente, reproduz o ditado: “a corda sempre estoura do lado do mais fraco”.

E, no mundo corporativo, sempre há os mais fracos. Inútil buscar equilíbrio de forças. O que se obtém, na maioria das vezes, é a suspensão condicional das hostilidades. Mas, quando o mais forte acha que há necessidade, ataca. E ataca pesado.

Somos inteligentes, ao menos na definição. Precisamos assumir que essa inteligência também precisa e pode ser emocional. E precisamos, igualmente, assumir que somos interdependentes. O que quer dizer que nosso equilíbrio pode, sim, ser influenciado por algumas pessoas em nossas vidas. O cônjuge, os colegas de trabalho, os amigos… Sim, falamos de equilíbrio e este é o resultado de várias forças, vindas do trabalho, família, amizades, meio social, etc. Assim, sempre que uma das forças se apresenta fora do normal, as outras podem se juntar para trazer o equilíbrio de volta.

Mas, pois bem, há horas em que o conflito é inevitável, e a Lei da Selva (Kippling) nos mostra que ela é necessária ao menos como aprendizado. E precisamos estar prontos para ele.

Mas continuo afirmando que há a terceira via. O conflito tempestuoso, agressivo, predador, pode ser substituído pelo regido pela racionalidade. E é por ele que clamo. Por preguiça, pois dá menos trabalho. Por pragmatismo, pois dá melhores resultados. Por princípios, pois o olho-no-olho, o fio do bigode, ainda não encontraram substitutos à altura.

Todos temos um demônio interior. Que pode ser predador, tempestuoso e agressivo. Mantê-lo sob controle é o grande desafio de nosso dia-a-dia. Solto, esse demônio pode fazer coisas que não diriam que faríamos. Mas, a depender do que está em jogo, pode ser a única saída, ao menos para os olhos distorcidos pela raiva do demônio.

O direito penal nos mostra que em estado de necessidade ou em legítima defesa algumas ações são perdoáveis (exclusão de ilicitude da conduta). Aquele que rouba comida e está em estado de fome deve ser perdoado (furto famélico). A utilização de força (na medida certa) é a legítima defesa. Mas essas são condições individuais e subjetivas. Se o contexto, ou a sociedade se dispuser, tais medidas legais não passarão de anacronismos.

Assim como nossos conflitos pessoais. Precisamos e podemos chegar ao entendimento. Acreditando nisso, estamos a meio caminho dele. Sem essa crença, estaremos mais longe do que nunca.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Quando será a próxima corrida?

Nunca sabemos o que nos espera. Mas podemos escolher a atitude com que vamos enfrentar esse porvir desconhecido. Nesses ocasiões, sempre me lembro do texto de Lourenço Diaféria, "Quando será a próxima corrida?". reproduzido (novamente) abaixo.
Nossos dias estão sempre cheios de momentos em que deveríamos parar e pensar se aquilo é o que esperávamos da vida. Nem sempre é, e nem sempre tomamos as ações necessárias para que sejam. Ou seja, não estamos no comando de nossas vidas. Achamos que o mais fácil é esperar, aceitar, resignar. Como neste texto de Marina Colasanti.
Mas há os momentos em que, por ação ou reação, saímos de nossa zona de conforto e passamos à ação. Nesse momento, parece que nossos olhos se abrem, e as obviedades que sempre escondemos debaixo do tapete, saem para a luz do dia. Enxergamos os jogos, as falsidades, as omissões. Enxergamos nosso papel, triste, 'as vezes decisivo, nessas negações da moralidade. E podemos escolher, entre o peito inflado, iniciando uma nova jornada, ou o olhar baixo, procurando esconderijos...
Escolho o peito inflado.

Quando vai ser a próxima Corrida?

Lourenço Diaféria

Você venceu!
Você chegou onde queria.
Se lembra quando lhe disseram que a parada iria ser dura?
Muitos nem tentaram.
Muitos desistiram.
Muitos desanimaram.
Muitos falaram que não valia a pena.
Mas você chegou onde queria.
Foi difícil, a pista estava escorregadia.
Quantas pedras no meio do caminho.
Não eram todos que aplaudiam. Alguns o olhavam com olhar de descrença, diziam: - Coitado, é um sonhador.
Bolhas nos pés, tênis apertado, o suor escorrendo pelo rosto, a ladeira íngreme, e o dramático instante da dúvida: paro ou continuo?
Uma decisão apenas sua.

Alguns estavam caídos de cansaço e tédio.
Havia ainda um longo caminho pela frente,
e havia mais curvas do que retas.
Alguém o animou - Força, cara.
Alguém o provocou - E agora, cara?
Alguém tripudiou - Larga disso, cara.

Lembra?, você teve uma baita vontade de ir embora, de pegar suas coisas e dizer - Tchau mesmo, quero que tudo se lixe, pra mim chega, já dei minha cota, não tem mais jeito - e virar as costas à luta, à incompreensão, ao sacrifício.
Você teve vontade de ir para uma ilha deserta onde vertessem leite e mel.

Você olhou em frente. O horizonte era uma sombra parda.
Mas mesmo nessa hora tensa, pelo sim pelo não, você não parou de correr.
Talvez tenha diminuído o tamanho do passo, porque ninguém é de pedra e o coração da gente não pode ser medido com trena e compasso.
Mas você não parou porque sabia que no meio da multidão havia um recado mudo aguardando a sua decisão.
De sua decisão dependia a esperança de gente que você nem conhecia.
Então você tomou um fôlego, abriu o peito, e com os pés no chão e os olhos lá na frente, mandou ver.
Não importava tanto a colocação.
Você lutava para construir a sua parte no edifício do destino.

E foi seguindo.
Sem perceber, arrastou com seu exemplo muitos que pensavam em ficar no meio do caminho.
E você venceu.
Você chegou onde queria.

Ou você não venceu.
Você não chegou onde queria.
As coisas não deram certo, você tropeçou, havia um buraco, e outro buraco, e mais um buraco no chão feito de armadilha.
Você caiu, rolou, ah, houve gente que riu!
Alguém vaiou.
Você não venceu. Você não chegou onde queria.
Esfolou a pele, abriu ferida, em vez de estrelas o cobriu um manto cravejado de ridículo.
O suor de seu rosto foi em vão.
Em vão seus músculos latejaram.
Tudo em vão.
Apanhe seu embornal de mágoa, fique de mal com o mundo, abandone a pista.
Você teve a tentação.

Mas na multidão alguém esperava seu gesto de conquista.
Vamos, rapaz, esfregue a perna. Levante os ombros.
Não deixe que se apague o brilho dos seus olhos.
Escute o bater abafado do coração que insiste.
Você está vivo, e não está vivo à toa.

Você se levantou, se lembra?, e a vaia lhe soou como sinfonia.
Recomeçou a corrida e quando, por fim, você chegou - não em primeiro, como sonhava - mas chegou, o suor de seu rosto parecia purpurina.
Todos pensavam que você estivesse satisfeito por haver chegado.
Então você recolheu os retalhos de suas forças e perguntou:
- Quando é que vamos disputar a próxima corrida?
E foi neste momento que você venceu e chegou onde queria!


quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O dia da Pátria e a independência

Desfiles e desfiles. Festas, comemorações e feriado. Esse é o teor do “dia da pátria”. A comemorar o dia em que o alquebrado Príncipe-regente, rebelando-se contra ordens da corte portuguesa, declarou a independência do Brasil. Menos por amor à pátria, mais por amor ao poder, O Brasil era independente, seja lá o que isso quer dizer. E o 7 de setembro virou o dia da pátria.
Um governante de olho nas suas próprias necessidades e interesses, com um grande poder de convencimento de massas, foi o 7 de setembro. Mas, orwelianamente, o história se repete, como se fosse uma maldição do povo e um imperativo aos governantes: a história se repete mais e mais.
O povo brasileiro é independente. De tudo. inclusive dos próprios problemas do país. Quando os “representantes” eleitos agem contra sua vontade, a resposta é sempre o mesmo ensurdecedor silêncio. Na ditadura, entenda-se: havia risco à vida. Não só de quem se insurgia, mas de quem se suspeitava insurgente. Seu último capítulo foi uma enorme manifestação em apoio às “Diretas Já”. Como resposta, nossos representantes, claro, a rejeitaram.
Na manifestação dos Caras-Pintadas houve uma coincidência: o resultado desejado pelas “massas” era o mesmo que o desejado pela classe política. Mas por razões distintas. Enquanto o povo estava ofendido com as denúncias de malversação do dinheiro público (sim, um eufemismo), a classe política estava se ofendida porque se enquadrava na clássica definição de “negociata” do Barão de Itararé (“todo bom negócio para o qual não fomos convidados”).
Depois, nada de manifestação. Política, ao menos. Marcha da Maconha e Parada Gay, sim. Mas insignificantes protestos contra o presidente do congresso (vários: pode-se deixar em branco, para completar os espaços); nada de protesto contra o mega-consultor 20x; nada contra escândalos no turismo, nada contra escândalos nos transportes. Como se esses escândalos, ao longo do tempo, desde o impeachment, se transformassem em algo como um simples resfriado na lista de patologias contra a res publica. Ou como se a sociedade, cansada de derrotas por pontos, já nem entrasse nos ringues.
Isso para não falar de governos e prefeituras. Adicionam gravidade à situação já caótica em diversos indicadores da sociedade. São recursos da educação, saúde e segurança que, malversados, transformam o Brasil no país dos estamentos.
Mas, surpresa! Os mesmos envolvidos nos escândalos são representantes legítimos do povo. A grande maioria está com cargo eletivo garantido pelo voto daqueles a quem agridem com suas ações e omissões. Como não levam nenhum time a perder a Libertadores, não são objeto senão de indiferença, pelo povo que torce à base de pão e cerveja somente para esse circo.
A independência é uma quimera, em todos os pontos da vida. Vivendo em sociedade, a noção de ser independente é uma fuga acolhedora de nossa necessidade de privacidade, e talvez somente nesse ponto impere de fato. Em todos os demais aspectos, somos interdependentes. Votamos naqueles que nos roubam, e continuamos votando, e negamos a relação de causa-e-efeito? Olhamos para o outro lado para as “não conformidades” do dia-a-dia (contrabando, venda sem nota, amigos se locupletando, violações de regras de trânsito…) e achamos que isso é inconsequente? Não é, suas consequências são a ampliação da base de fatos que justificam a frase “todo mundo faz”, que até um presidente já sacou…
O dia da Interdependência, em que, conscientes, comemoremos o fato que as coisas são como são porque agimos ou deixamos de agir, mas são também responsabilidade nossa, esse é o dia que devemos comemorar. Sendo este o país do amanhã, quem sabe, se amanhã


Update: segundo isto aqui, não devemos desistir.


quarta-feira, 31 de agosto de 2011

As voltas que esta vida dá

Voltando à cidade que me transformou num tecnocrata, descubro que o tempo muda os amigos, mas não as amizades. Pelo menos as que sobrevivem. Novas situações, mudanças normais, mas o mesmo papo engajado de sempre. Como se a conversa tivesse sido interrompida para irmos ali... E já voltamos.No ambiente corporativo, qualquer realização é efêmera. Não o são, entretanto, aquelas cumplicidades formadas e firmadas no auxílio mútuo, que tanto oferecemos e recebemos e que amalgamou a relação de amizade. Um almoço ou um jantar é um tempo pequeno, pois queremos ouvir e contar histórias, as novas e as velhas e queremos notícias daqueles que não estão. E ainda fica um quê de sentimento de perda, pelo tempo que não compartilhamos e não compartilharemos. Lembramos, mal ou muito, daqueles que simplesmente tangenciaram nossa rota. Mas ainda eles são comentados e celebrados. Nessa trajetória corrida que temos, ter esses amigos é um privilégio e uma satisfação. Aproveite os sua ausente presença para manter viva a amizade. Com relação àqueles que perdemos, resta lamentar, e gravar em nossa memória os ótimos momentos que tivemos. Infelizmente, fui agraciado e amaldiçoado com uma excelente memória. Que permite reviver esses ótimos momentos sempre e sempre, sem, no entanto, evitar a saudade. A cada dia, um novo desafio. E saudades que se acumulam.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

At least, for a while…

No desenvolver de nossas vidas, convivemos com muitas pessoas. Não chegamos a conhecer todas, algumas perdemos sem ao menos ter tido a chance de saber o que pensam e a quem vêm.Outras nos decepcionam com sua presença, sem nos dar o prazer da ausência.Mas algumas se fazem essenciais, talvez somente porque tenhamos dado a elas a oportunidade de se deixarem conhecer.

São aquela pessoas que compartilham angústias, alegrias, temores. Abrem seu coração, arrancam-nos segredos. Mostram-se íntegras, não àquelas baboseiras morais, mas em relação à amizade que nos dedicam. São pessoas que colocam o respeito acima de tudo, mesmo no desrespeito. São aquelas que nos agridem porque querem bem, e mesmo essa agressão (retórica, óbvio) é sempre consentida e nunca acatada.

São pessoas que não nos compreendem, mas acham que nos conhecem mais que nós mesmos. Têm a solução de nossos problemas, saberiam exatamente como agir naqueles momentos que nossa indecisão se mostra mais dolorosa. Têm a capacidade de sumir quando mais precisamos, e de estar sempre presentes quando queremos ficar sós. Respeitam nossos horários desde que batam com os seus. Fazem-se impor perante nossas crenças, dizendo respeitar as nossas. São pessoas que sempre querem nos apresentar a outras pessoas, acreditando na tortura mútua da amizade.

Às vezes, essas pessoas não têm palavras. Fazem suas palavras de outros, sem cerimônia, para declarar o óbvio.

São pessoas que nos fazem de confidentes, que abusam de nossa boa vontade, que não sabem a hora de parar.

Enfim, quando achamos que seriam exatamente aquelas que deveriam nos dar o prazer de sua ausência, nos damos conta de que são pessoas que, celebrando a diferença entre nós, colorem nossa vida com contribuições que achamos que não queremos, mas que precisamos tanto. São pessoas irritantemente indispensáveis, angustiantemente amigas,  “desnorteantemente” necessárias.

Se há patos nessa vida, estas pessoas são cisnes. E, se a vida nos afasta delas,fisicamente, nunca há de apagar as lembranças do que sempre foi e sempre será uma bela amizade.

À Dra. Cristina…

Tá!

terça-feira, 19 de julho de 2011

O direito de matar - II

http://portugues.istockphoto.com/file_thumbview_approve/12230329/2/istockphoto_12230329-car-crashes.jpg Numa recente viagem a Joinville, partindo de Campinas, contei 11 acidentes na estrada. Em todos, havia um caminhão envolvido. Em vários, havia mesmo só o caminhão, que bateu contra barreira, ou perdeu o controle, ou…

O fato é que quem anda pelas estradas não se espanta mais com a quantidade de acidentes que envolvem caminhões e ônibus. Andam acima da velocidade permitida, sem a necessária facilidade para parar e desviar. Quando acontece alguma coisa, o desastre é certo.

Aliás, quem anda pelas ruas e estradas já viu também o fenômeno das SUV e carros esportivos. Andam a velocidades abusivas (muitos), protagonizando várias cenas de perigo. Mas, sejamos honestos: carros “populares” (baixa cilindrada: Gols e Unos) também têm tido esse comportamento. Assim como os carros já sucateados (acima de 20 anos de fabricação). Costumo dizer que sempre há um Chevette atrapalhando o trânsito, mas a verdade é que sempre há um  querendo nos ultrapassar.

A indústria automobilística faz sua propaganda baseada, na maioria das vezes, na velocidade final e na capacidade de aceleração dos carros. Que são dois dos componentes mais perigosos nos acidentes. De que adianta ir de 0 a 100 em 4 segundos, se o perigo que isso causa é devastador? E de que adianta chegar a 220 km (ou mais) por hora, se nossos limites de velocidade são 120 km/h? E isso nas melhores rodovias do país, nem todas alcançam esse limite.

O caso é que há necessidade de intervenção do estado. Placas de velocidade máxima já fazem parte da paisagem, são invisíveis para os motoristas que só procuram as placas de “Radar”. Os acidentes mais famosos do Brasil (o deputado do Paraná e o Porsche de São Paulo), em que há acusação de embriaguez teriam sido tão danosos se houvesse a limitação de aceleração e velocidade?

Certa vez, numa viagem, tive uma discussão acalorada com um amigo, que defendia que o limite há, e que quem dele descuidar deve pagar as penas da lei. Contrário a isso, digo a ele que quem paga, inicialmente, são as vítimas desse abuso irresponsável, e o motorista só raramente paga pelo seu “crime”.

O fato é que é uma indústria tão poderosa que não se avançará em idéia tão intervencionista.Até porque há um sentimento na maioria dos motoristas  de que a velocidade pode ser necessária num determinado momento, numa emergência médica, por exemplo, mesmo que pouquíssimas pessoas passem por isso. essa síndrome de super-homem também se manifesta na suposição de necessidade de aceleração e velocidade para fugir de um ladrão, ou alcançar um, mesmo que as estatísticas mostrem que só se alcança o descanso eterno com essas atitudes.

O cinto de segurança, banal perto desses acidentes atuais, foi alvo de muita controvérsia e só foi instituído porque um político resolveu bancar a medida. Depois dele, todos o copiaram, inclusive a legislação federal. Hoje, a utilização do cinto já está incorporado aos processos naturais da maioria dos motoristas. Não consta que nenhum deles tenha sido prejudicado por isso.

Contra o direito de matar, o direito de viver. Contra o risco de ver arremessado contra nós automóveis a mais de 150 km/h, por bêbados ou quem quer que seja!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

O cliente em primeiro lugar

Meu jormal não chegou. Entro no site para registrar o fato, e a resposta é bem ao estilo üm dia você recebe”…

 

O registro foi realizado äs 9h35m.

 

image

 

Ah, o jornal? Folha de São Paulo!

terça-feira, 15 de março de 2011

Relato do terremoto no Japão - Update 7

Por Thiago Junqueira de Castro Bezerra

Update 07

Tóquio - 15 de Março de 2011 - 15:50

Aqui no dormitório continua calmo, até demais. Isso pois meus amigos disseram que muita gente foi para outros lugares, deixando Tóquio, com algum medo obscuro. Novas notícias de Sendai também dizem que quase todos que conheço já não estão mais lá ou planejando sair até as coisas voltarem ao normal, já que apesar de ter água e eletricidade, ainda não há gás (cogitam em espera de até 3 semanas até voltar ao normal) e também os postos de combustível estão sem nada para vender. Comida ainda está complicado, com filas enormes para os supermercados e lojas de conveniência. Meu professor disse que em Yamagata há uma fila de 5km para abastecer o carro.'

Ontem o Thomas ligou para mim e disse que conseguiu chegar com segurança em Yamagata e que hoje iria para Niigata para pegar um avião de volta para França. Ele já tinha planos de voltar no final do mês para fazer uma entrevista de uma posição permanente de trabalho, então resolveu adiantar a volta. Compreensível.

Procurando mais informações achei esses vídeos e fotos que também gostaria de compartilhar:

Vídeo tsunami chegando

http://www.youtube.com/watch?v=iQD-2tlppdY

Fotos de Sendai (para quem tem facebook)

http://www.facebook.com/album.php?fbid=10150432956200153&id=609430152&aid=635581
Vídeo da Região Central de Sendai após o terremoto

http://www.youtube.com/watch?v=eOkzIYlxh0g

Sexta-feira tem uma reunião do experimento que faço parte, em Atami, ao sul de Tóquio. Não foi cancelada e confirmaram minha presença, já que estou aqui. Os que estão em Sendai, obviamente não irão participar. Como em dois 2 conseguirei resultados para uma apresentação de meia-hora?

Sei lá, meio sem cabeça do que fazer e pensar. O sentimento de mãos atadas é terrível. Não vejo a hora de voltar à Sendai e ajudar no que for possível. Mas com as linhas de Shinkansen e Highway ainda fechadas, estou sendo forçado a esperar mais...

Enfim, sobre as usinas de Fukushima as notícias ainda são muito esparças e paradoxas. Cada hora falam uma coisa diferente e é difícil ter certeza do que realmente está acontecendo. Mas tem muita gente fazendo terrorismo e escândalo sem ter o mínimo de informação. Lembrem-se, antes de passar qualquer teoria do fim do mundo no boca-a-boca (e-mail, redes sociais, também vale heim) tenham certeza do que estão falando e se a fonte é confiável.

No mais, vamos seguindo. Para trás jamais!

Abraço a todos,
Thiago

Relato do terremoto no Japão - Update 6

Por Thiago Junqueira de Castro Bezerra

Update 06
Tóquio - 14 de Março de 2011 - 12:43 PM
Segunda noite em Tóquio, bem mais tranquila. Já tenho notícias de alguns amigos que deixaram Sendai em segurança e outros planejam o mesmo. Mas o único jeito é indo para Yamagata e depois Niigata, para então descer ao sul ou pegar um avião por lá mesmo, onde a situação está mais tranquila. Teremos racionamento de energia elétrica em Tóquio, para desafogar um pouco a rede e poderem suprir as áreas mais necessitadas. Como dividiram em várias áreas e fizeram uma cronograma, onde estou ficará sem energia entre 14:40 e 18:30.
Depois de um dia sem sentir tremores, hoje cedo houve outro, mas rápido e fraco como vem acontecendo desde então. Houve outro incêndio em outra usina nuclear de Fukushima, mas foi bem parecido com o que tinha acontecido antes e está sobre controle.
Para um número mais exato de fatalidades, achei esse link da NHK internacional (em inglês):
http://www3.nhk.or.jp/daily/english/13_33.html
Outro que é de impressionar são as fotos de satélite comparando antes e depois do tsunami:
http://www.abc.net.au/news/events/japan-quake-2011/beforeafter.htm
Não conheço este lugares, mas fui 4 vezes à baía de Matsushima, um lugar muito bonito é que também deve estar devastado, apesar de não ter conseguido achar informações sobre lá ainda. Fotos da primeira vez que fui lá, durante a Golden Week, em Maio do ano passado.
https://picasaweb.google.com/thiagojcb/Matsushima052010
=/ https://picasaweb.google.com/thiagojcb/Matsushima052010#5469188410432525906
Para quem tem Facebook, neste link tem o álbum de um colega japonês que ainda está em Sendai e conseguiu postar umas fotos. Acho que não está com bloquei de privacidade. Esses lugares são os mais comuns para nós, que estudamos lá.
http://www.facebook.com/photo.php?fbid=207030819309504&set=a.207030669309519.56716.100000077613578&theater#!/album.php?aid=56716&id=100000077613578
Aos poucos está tudo se estabilizando.
Muito obrigado pelas mensagens pessoal! Ainda não consegui responder todas individualmente, mas o farei!
頑張ろう!
Abraços,
Thiago

domingo, 13 de março de 2011

Relato do terremoto no Japão - Update 5

Por Thiago Junqueira de Castro Bezerra

Tóquio - 14 de Março de 2011 - 1:15AM
Ainda em Tóquio. As linhas de trem em Shinkansen para Sendai também não funcionaram hoje e recebi a notícia que houve alguns danos nas linhas e teremos que esperar os reparos terminarem. A Tohoku Highway continua fechada e só carros de resgate e com suprimentos podem usar.
Estou num dormitório com amigos brasileiros (muito obrigado Kaori, Maurício e Yul pela força!) e também já comprei algumas roupas extras e itens básicos que acabei esquecendo de trazer.
Finalmente consegui falar com todos os que ainda não tinha conseguido informações diretas e que ainda estão em Sendai. Estão todos bem, nas casas onde estão já tem água e eletricidade. Gás ainda vai demorar um pouco para voltar. Eles estão preocupados agora é com comida. Conseguiram comprar bastante mas os estoque das lojas estão acabando bem rápido. Caso não sejam reabastecidos logo eles não sabem o que fazer... Outros já saíram de Sendai para cidades onde os serviços estão funcionando normalmente.
Aqui em Tóquio está tudo funcionando normalmente. Ontem os trens estavam em número reduzido mas hoje parece normal. Nas lojas de conveniência ainda não tem muita coisa, mas está bem mais abastecido que antes, quando estava com várias prateleiras vazias.
O jeito agora é esperar com calma e ver o que dá para ir fazendo.
Mais uma vez obrigado pela força!

Abraços,
Thiago

sábado, 12 de março de 2011

Relato do terremoto no Japão – Update 4

Por Thiago Junqueira de Castro Bezerra

Update 04
Consegui ver na tv algumas imagens de Sendai e vi ruas com luz! Também conseguir conversar com Thomas pelo skype, na casa dele já tem luz, água e internet (instável). Só falta gás.
Também estão distribuindo água, usando caminhões pipas, em pontos estratégicos. Agricultores da região também vieram ajudar na distribuição de alimentos. Na estrada também pude ver helicópteros (3) voando em direção de Tohoku e alguns jipes e caminhões do exército.
Acabei de ver uma casa boiando... me pergunto se devo continuar assistindo só para ficar me angustiando...
abraços,

Thiago

Relato do terremoto no Japão – Update 3

Por Thiago Junqueira de Castro Bezerra

Update 03 - fotos e vídeos
A qualidade é péssima, desculpem, mas estou sem o cabo do celular e tive que mandar para este e-mail em qualidade baixa...
Os vídeos são: 1- fim do terremoto, quando consegui pensar em fazer alguma coisa. Ainda dá para houvir o som das coisas sacudindo.
2- fora do laboratório, esperando instruções.
As fotos tirei depois de uma meia-hora quando decidimos entrar no prédio de novo para desligar os equipamentos. E uma que tirei dentro de uma loja de conveniência, para mostrar como o fornecimento ainda está precário.
PS: Desculpem pela informações errônea, mas parece que o fato sobre Chiba é boato. Pensei ser verdade por ter escutado de duas fontes totalmente diferentes.
Thiago

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Relato do terremoto no Japão – Update

Por Thiago Junqueira de Castro Bezerra

 

Update 02
Tóquio, 12 de Março de 2011 - 10:04 PM
Finalmente, após mais de 26 horas dentro de um carro, conseguimos chegar em Tóquio!
No caminho conseguimos encontrar uma loja de eletrônicos aberta, que estava com um estoque curtíssimo e fechando, era umas 3 da tarde, onde consegui comprar um carregador de celular para usar no carro. Só assim, consegui ligar para alguns e responder uns poucos e-mails, fora que foi a primeira vez que vi fotos e vídeos do que o tsunami causou. Até então, só tinham notícia pelo rádio, quando tínhamos um sinal. É realmente impressionante e de tirar o fôlego. Recebi mais algumas informações de Sendai e muitos vão dormir nos abrigos hoje de novo. E eletricidade está voltando aos poucos em poucos pontos, pelo que estão escrevendo no Facebook.
Pelo que vi no caminho para cá e do que estou vendo na TV agora, Tóquio está funcionando normalmente. Porém, estou perto da estação de Ueno, não posso falar do local como um todo.
Só para refrisar, onde morarmos em Sendai os danos foram mínimos, por ser uma região central, razoavelmente longe da costa e com construções mais novas e resistentes.
Outras informações que tive, foi de um incêndio em uma escola e um vazamento de gás, isto em Sendai. Em Chiba está uma situação tensa por que teve um incêndio numa fábrica de produtos químicos e há riscos de chuva tóxica devido aos mesmos. Sobre a usina nuclear de Fukushima, foi isolado um raio de 20km em torno dela, e o anuncio oficial é que há risco de vazamento de elementos radioativos para o ambiente, está tudo dentro das contenções de segurança. A explosão foi fora dessas contenções. Não acreditem em tudo o que dizem por aí!
Ainda não consigo ligar para o pessoal de lá, mas constantemente mandam e-mails ou posts.
Esperamos voltar amanhã, e não vejo a hora de voltar e ver como todos estão...
Entro em contato se tiver notícias novas!
Thiago
10:20 PM - incrivelmente ainda podemos sentir pequenos tremores agora!

Relato do terremoto no Japão

Por Thiago Junqueira de Castro Bezerra

Algum lugar de Fukushima-ken, 12 de Março de 2011 – 8:55 AM

Olá família e amigos,

Primeiramente quero agradecer muito os e-mails e mensagens enviados até agora e por vir. É muito bom que, mesmo apesar da grande distância, há pessoas com quem podemos contar e que estão preocupadas como nosso bem estar.

Aqui está tudo bem, estou dentro de um carro há pelo menos 15 horas, ao sul de Sendai, na prefeitura de Fukushima, numa parada para descanso, onde resolvi escrever este relato do quese passou até agora.

O dia começou normal, tirando o fato de que nos dois dias anteriores tivemos terremotos pela manhã. Eu estava no laboratório, quando, um pouco antes das 3 horas da tarde tudo começou a sacudir. Diferentemente das outras vezes, esse foi muito mais forte e longo, e a única coisa que pude fazer foi esconder-me debaixo da mesa, de onde podia ver as impressoras caminhando e uma chuva de livros. Digo longo, porque durou minutos, em vez dos segundos habituais. Logo que tudo acalmou saímos do prédio, todos muito assustados, e aguardamos por informações do que era para ser feito daquele momento em diante. Nisso o fornecimento de eletricidade já não estava disponível, além de estar muito frio e nevando.

Depois de um tempo, houvido notícias pelo rádio de pilha, fomos informados para retornar para casa e verificar se estava tudo bem, além do básico, de que deveríamos desconectar os aparelhos elétricos e fechar os regitros de água e gás. O celulares não estavam funcionando, não sei se por causa de congestionamento do sistema ou por garatir que pelo menos as chamadas de emergência pudessem ser feitas. Isso, pois a rede 3G estava acessível, e foi quando consegui enviar alguns poucos e-mails para avisar que estava tudo bem.

O próximo passo, foi entrar no carro com os Pos-docs do lab: Furuta-san e Thomas. O trânsito estava terrível. Gastamos, de carro, de 2 a 3 vezes mais tempo do que levaria se fossemos andando. E sempre havia âmbulancia e carros de bombeiros tentando passar.

Nisso, conseguimos deixar o Thomas na casa dele e fomos para o apartamento para onde me mudei. Quando chegamos lá já estava escuro. Difícilmente, com a luz do celular, consegui pegar umas coisas básicas e ver que estava tudo bem, tirando o fato da bagunça total. Pelo menos não havia vidros/janelas quebrados. Só na parte do banheiro que tinha água acumulada em torno do vaso, mas não consegui averiguar se ainda tinha algum vazamento, mas creio que não, já que o abastecimento de água e gás também foram cortados. Assim, rumamos para a casa do Furuta-san, onde conseguimos preparar uns cup-noodles salvadores e juntar mais alguns itens.

Foi então que decidimos rumar para o sul, onde aparentemente o terremoto deixou menos estragos. O tempo todos estamos com o rádio ligado e acompanhando as notícias. Por sorte, na área onde moro, entre a estação de trem de Sendai e o campus de Kawauchi da universidade de Tohoku, todos os prédios estavam intactos, e por estarmos há uns 10~15km da praia, os constantes alertas de tsunami não foram tão preocupantes. Infelizmente não tiveram a mesma sorte os que moram no lado leste, entre a estação e a praia. No inícios os alertas falavam de centímetros, até chegar nos atuais 10 metros. Tirando o rádio, não tenho como ver imagens ou saber como está tudo lá, provavelmente vocês sabem mais.

Enfim, conseguimos chegar numa região com eletricidade e uma loja de conveniência, lá pela 1:30 da manhã. Foi a primeira vêz que vi uma loja dessas quase sem nenhum produtos, devido a alta procura e falta de abastecimento. Dormimos no carro, pois também conseguirmos achar um posto de gasolina, e usamos o aquecedor.

Saímos lá pelas 7 da manhã pegamos a estrada de novo. No caminho até aqui, vimos alguns dos resultdaos do terremoto: um deslisamento de terra numa rodovia paralela que atingiu um caminhão, várias rachaduras, fissuras e elevações na estrada, casas que foram destelhadas, algo que parecia ser uma fábrica que os andares colapsaram, só o último ficando intacto, o resto parecia um sanduíche, além de um posto que o teto caiu e muros parciamente destruídos.

O mais surreal de tudo é que até agora conseguimos sentir, de tempos em tempos, terremotos menores, mas que quando estamos com o carro parado, ele sacode consideravelmente.

Bom, estamos tentando chegar numa cidade maior e encontrar um hotel. O que mais me deixa preocupado agora é não conseguir me comunicar com os outros e a falta de informação mais detalhada. Antes da bateria do celular acabar, consegui receber algumas mensagens deles falando que estavam bem. Acho que todos estão em abrigos, como ginásio de escolas, onde há comida e água. Também consegui muita informação pelo Facebook, já que só tínhamos acesso a rede 3G, e foi onde todos postaram informações que estavam bem.

Não estou me sentido nada confortável com essa situação, e o que mais penso agora é em voltar, ver como todos estão e poder ajudar no que for possível. Mas, Furuta-san acha que devemos continuar, achar o hotel, fazer a ligações e esperar que as coisas se acalmem. O trânsito no sentido oposto, rumo ao norte, também está todo travado, com um congestionamento gigantesco.

Apesar de todo o surrealismo da situação e transito infernal, quando estava em Sendai, a pessoas estavam calmas e fazendo que deve ser feito

Por fim, novamente obrigado pela conseideração de todos e desculpe pela demora. Quando der, mando também as pouquíssimas fotos, umas 3, que consegui tirar e o vídeo que fiz, quando consegui pensar em alguma coisa, quando o terremoto estava quase no fim.

Um grande abraço a todos,

Thiago Junqueira de Castro Bezerra, em frente a um MiniStop da rodovia 4 em Fukushima-ken.

9:30AM – a terra continua a tremer...

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Fazer a diferença

Há aqueles que acordam pensando na hora de voltar do trabalho. Há os que acordam entusiasmados com o novo dia. E há os que acordam entusiasmados com o novo dia e pensam no que podem fazer para torná-lo melhor. É destas que precisamos.

A vida muitas vezes maltrata tanto as pessoas que elas só se preocupam em proteger-se. Sobreviver. Chegar ao novo dia, mesmo que seja para esperar o próximo. Não sofrer é uma meta bastante confortável. E essas pessoas existem aos milhões.

Outras pessoas enxergam a vida por uma ótica distorcida por um otimismo resignado. Vêem a vida como se fosse um preço a pagar, mas alegremente, acreditando numa compensação ulterior, numa complementação sempre futura. Esquecem-se de que o hoje é garantido, o ontem é nossa assinatura, e o amanhã é o que queremos construir. São pessoas que fecham, os olhos aos problemas, e esperam que eles se resolvam sozinhos. Não precisamos dessas pessoas, mas também existem aos milhões.

Mas há aqueles que acreditam. Em que? Acreditam que a ação importa, e faz a diferença. São aquelas que acham que de um em um se chega aos milhões. Acreditam que o mal está em nós, assim como sua solução. Fazem com que os problemas sejam oportunidades, mais que falácias, ou lugares comuns. Entristecem-se com os problemas, mas não deixam que estes os vençam. Ao contrário, vêem na adversidade mais motivos para continuar fazendo. Acreditam que as pessoas podem, e nesse poder está a capacidade de fazer a diferença.

Não se desesperam perante os problemas, pois que o desespero não resolve nada. Mas se aplicam, se envolvem, se dedicam. Agem. E não está na ação sua maior força. Sua maior força está no exemplo. Está no caminho a seguir que mostram com sua ação. Está na liderança, está na capacidade de realizar. Não necessariamente grandes realizações, mas realizações concretas. São as pessoas que tem outras pessoas como pontos de referência. Como exemplos, que seja, ou como observadores de seu próprio exemplo, no próprio processo de liderança.

São pessoas que pagam um preço pessoal alto. Sua família se ressente de sua ausência, da mesma forma que se orgulha de seus feitos. Seus adversários se ressentem de suas realizações, da mesma forma que as temem. Seus amigos, entretanto, só veem força. E, com essa força projetada, inferida, imaginada, conseguem vencer seus próprios obstáculos.

Fazer a diferença é para poucos. mas poderia ser para muitos. Porque depende somente de uma decisão pessoal, de compromissos consigo mesmo e com aqueles com quem se importa. Enfim, fazer a difereça é resultado de uma escolha, ao alcance de todos, mas exercida por poucos. Por quê? Acredito que por falta de conhecimento. Mas não há como saber…

domingo, 30 de janeiro de 2011

A propósito

Soneto da saudade

Guimarães Rosa

Quando sentires a saudade retroar
Fecha os teus olhos e verás o meu sorriso.
E ternamente te direi a sussurrar:
O nosso amor a cada instante está mais vivo!

Quem sabe ainda vibrará em teus ouvidos
Uma voz macia a recitar muitos poemas...
E a te expressar que este amor em nós ungindo
Suportará toda distância sem problemas...

Quiçá, teus lábios sentirão um beijo leve
Como uma pluma a flutuar por sobre a neve,
Como uma gota de orvalho indo ao chão.
Lembrar-te-ás toda ternura que expressamos,
Sempre que juntos, a emoção que partilhamos...
Nem a distância apaga a chama da paixão.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Efemérides de 29 de janeiro

Do Wikipedia:

29 de janeiro (português brasileiro) ou 29 de Janeiro (português europeu) (AO 1990: 29 de janeiro) é o 29º dia do ano no calendário gregoriano. Faltam 336 para acabar o ano (337 em anos bissextos).

 

Eventos históricos

Eventos Culturais e de Média/Mídia

Eventos Desportivos

Nascimentos

Feliz aniversário, minha filha.