domingo, 5 de dezembro de 2010

Desapegando

Numa época de minha vida, amigos me flagravam olhando pela janela e já sabiam o que eu estava pensando: era hora de desapegar.
Porque algumas vezes, em nossas vidas, trata-se exatamente disso: desapegar. Precisamos exercitar o desapego, essa nossa capacidade / possibilidade / necessidade de deixar para trás aquilo que não tem mais lugar em nossas vidas.
Algumas vezes, recusamos-nos a desapegar, na esperança de que os momentos bons que vivemos voltarão. Ou na ilusão de que os momentos que gostaríamos que viessem venham de fato.
Mas o realista é basearmos-nos na história, e acreditar na máxima do Barão de Itararé (o inesquecível Aparício Torelly), que disse, mordaz:
De onde menos se espera , daí é que não sai nada.
Eu concordo.
Praticando o desapego
Fernando Pessoa
Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos.
Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos que já se acabaram.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas possam ir embora. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo – nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Encerrando ciclos.
Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.

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