segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Confiança e credibilidade: valores inalienáveis

"Há pessoas que estão sempre atribuindo às circunstâncias aquilo que são. Não acredito nas circunstâncias. As pessoas que vencem neste mundo são as que procuram as circunstâncias de que precisam e, se não as encontram, as criam." 
George Bernard Shaw

Numa fase difícil, chamei uma funcionária de minha equipe e fiz um pedido, reconheço, difícil. E ela perguntou:

-- Por que está me pedindo isso?

Naquele momento, a resposta seria vazia. Respondi, então:

-- Eu preciso. Confie em mim.

E ela, me olhando nos olhos, com o olhar brilhante:

-- Ok! Eu confio.

E foi embora, em paz consigo mesma, para meu espanto.

Tempos depois, conversando sobre o fato, ela me explicou: nunca me vira colocar ninguém em má situação. Ao contrário, eu costumava mais era tirar as pessoas de situações ruins. Então, minha história, segundo ela, afiançava meu pedido.

Nesse momento, bateu o sentido da responsabilidade. pelo bem ou pelo mal, temos responsabilidades com pessoas ao nosso redor. Ela confiou, e eu podia estar errado. Mas ela confiou.

Nunca fui de fugir de responsabilidades. Nem de dizer amenidades para agradar, seja lá quem for. Mas, nesse dia, o peso bateu muito forte, porque ela confiou em mim e foi, como quem vai a um piquenique. Mas poderia ser um cadafalso.

Lideramos, às vezes, raramente, sempre, mas lideramos, em alguns momentos da vida. E a liderança tem seu preço: o futuro de pessoas. Quando dizemos que faremos, precisamos fazer. Precisamos de transparência, clareza, verdade. Precisamos ser o que gostaríamos que fossem conosco. Precisamos ser o ideal de nossa vida. Porque, embora alguns não liguem, há pessoas envolvidas…

E, mesmo se não liderássemos, sem pre há alguém que deposita em nós alguma confiança. Pode ser toda, alguma, muita. Mas confiança é um tesouro que não se pode desperdiçar. Quantos nos magoam simplesmente pela quebra dessa tal de confiança?

Então, é um compromisso. Assim como no caso de minha amiga, é mais que compromisso: é a expressão da verdade, que, esperamos, impere. Eu imagino se o resultado tivesse sido outro. Para mim, poderia ser a mesma coisa. Mas não seria, pela importância que dou às pessoas.

E, mais: minha credibilidade e a confiança resultante são os únicos bens que tenho. Assim, ao menos de forma bem egoísta, não me permitiria ser assim. Mas prefiro pensar que é um ato de altruísmo. Prefiro pensar…

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Dissimulação: o veneno sem antídoto

Dissimulação (Houaiss):

1    ação ou resultado de dissimular(-se)
2    ocultação, por um indivíduo, de suas verdadeiras intenções e sentimentos; hipocrisia, fingimento.

Neste mundo cão, esperamos que algumas pessoas sejam dissimuladas. Essas pessoas que nos geram tal sentimento são aquelas que não conhecemos, que querem nos vender alguma coisa, que não se importam com a continuidade de nossa história. São pessoas que, teoricamente, não se importam conosco.

Infelizmente, uma das facetas dessas pessoas dissimuladas é mostrar justamente o contrário. Que se importam. E que, na sua preocução conosco, querem o melhor para nós.

Melhor seria dizer que querem o melhor de nós.

A dissimulação é o estelionato moral. É o cheque sem fundo do caráter. É a personalidade fantasiada, eis que não resistiria à luz da verdade. A dissimulação é uma quase mentira, o que não a torna menos vergonhosa. A pessoa dissimulada pode ter que tipo de interesses, se não os escusos? E, se são escusos, representam uma triste realidade.

A dissimulação é um veneno para o qual não existe antídoto. Pois ela causa, no receptor, mágoas irreparáveis. Causa o pior tipo de relação, que é a permeada por desconfiança. E, onde desconfiança há, nunca haverá nada além disso. E, quando a dissimulação não atinge o destinatário, mas é percebida, mina a credibilidade do emissor de tal forma que, de novo, a desconfiança aflora.

Nunca há ganhadores no jogo da dissimulação.

De minha parte, corto de minha vida as pessoas dissimuladas. Cortando, dessa forma, o mal pela raiz.

domingo, 14 de novembro de 2010

As mentiras vencem?

istockphoto_11760157-poison-bottle[1]Em 1984, de George Orwell, há o Ministério da Verdade, que se encarrega de mudar os livros para se livrar das verdades inconvenientes. O aparato governamental se encarrega de, por coerção, “doutrinar” o povo a não questionar essas verdades metamorfoseadas, aceitando sempre a versão oficial. E é a base de todo o drama da história sempre atual do melhor drama político de todos os tempos.

Embora o enfoque seja político, sempre há componentes desse problema em nossas vidas pessoas. Há mentiras que, de tão propagadas, acabam por ganhar vida própria, e se tornam verdades, ao menos para aquelas pessoas que se dispõem a creditar nelas. Ou melhor, aceitaram acreditar nelas. É a base das lendas urbanas, e a base de muitos problemas, principalmente de relacionamento.

Mentiras são armas utilizadas por pessoas de baixo calibre moral, que escolhem explorar o pior lado do ser humano. Esse lado é, algumas vezes, a confiança que essa pessoa tem, e a usa para instilar problemas. Do outro lado, a mentira se instala quando há alguma insegurança, que, sabemos é sempre uma porta aberta para problemas.

Como no livro 1984, as verdades passam a ser ajustadas pela mentira, uma nova realidade, ao menos para aqueles em que nela acreditam. E tudo, absolutamente tudo passa a ser  justificado pela neo-verdade.

Mentiras têm vida própria, e são incontroláveis quando se movimentam independentes. Só podem ser vencidas por uma ação forte e decidida daqueles que, à sua manifestação, confrontam-nas com fatos e história. Não é fácil, porque a mentira, insidiosa, já se instalou, psicologicamente, de forma protegida na mente de seus patrocinadores. Mas nada que uma decisão pessoal não demova.

Sim, a mentira vence. Quando deixamos que ela vença. Quando permitimos que seu crescimento aconteça, quando evitamos enfrentá-la. Ela vence não somente com sua vida própria, mas suas consequências, indeléveis, e que persistem, muitas vezes, pelo resto da vida.

Mas ela não precisa vencer. Somos serem pensantes, com poder de arbítrio, e, mais, com força de vontade. Podemos matar qualquer mentira, se quisermos. Acreditar nas pessoas que nos são caras, ver o lado bom, fazer o que é necessário. Não estamos num livro, em que se fecha e se segue com sua vida. Estamos na vida real, em que a mentira, quando vitoriosa, arrasa vidas e vidas.

Podemos fazer a verdade prosperar e vencer. Basta que queiramos.