quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A verdade – Carlos Drummond de Andrade

Uma amiga  muito querida e há muito perdida, a propósito do fim das ativadades deste blog, me liga e me conta, ou melhor, reconta, uma antiga história. E me pede, por conta das histórias conjuntas, que deixe um pouco mais os textos (até que ela tenha tempo para copiar alguns, dos menos sofríveis. Ok, por conta da amizade. E ela pede também, a abusada, que eu republique o texto abaixo, marcante em nossas vidas. Concedidos.

 

A verdade – Carlos Drummond de Andrade

A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.


Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

Se concedo, é porque atendo ao nosso pacto, já amarelado pelo tempo, de contribuir para o crescimento mútuo. Pois que muitos dos textos concretizam uma preocupação compartilhada com crescimento pessoal e autoavaliação. E, como de praxe, que envolvia muitas gente, mas que o tempo foi deixando pelo caminho.

Nossas cãs, já predominantes, são o sinal de que o tempo está passando. Mas nossa dinâmica pessoal,  ao lado dos nossos e das pessoas que nos são caras tendem a desmentir as cãs. Sou pela fé na vida, que tudo coloca no lugar.

Obrigado pelas palavras amigas, que soam como luz guia quando a noite se faz mais escura.

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