terça-feira, 14 de setembro de 2010

O tempero da vida: vitórias e derrotas

istockphoto_2311855-trail-running[1] Publiquei este texto de Lourenço Diaféria, que ganhei em meio a uma grande crise, percebida por um grande amigo, que emprestou as palavras do texto para me animar. Desde então, sempre que necessário, recorro a ele, seja para servir da mesmo forma com que fui agraciado, seja para relembrar da atitude que escolhi para nortear minhas ações.
Seria pueril achar que a vida é feita só de vitórias.Mas, infelizmente, é o que todos gostaríamos que fosse. Que problemas não existissem, nem as soluções, por absoluta desnecessidade. Mas não é assim. E ainda bem que não é.
Mas só percebemos o valor da adversidade quando já a deixamos para trás. Somente quando é uma mera lembrança é que achamos que os problemas são úteis e importantes. No auge da crise, entretanto…
Problemas são as derrotas nossas do dia-a-dia. Mas são a motivação para que aprendamos, para que nos aprimoremos. São nosso teste da verdade, como que uma aferição do real valor que temos para atingir aos nossos mais altos ideais. E é tão difícil lembrar disso…
Pois bem! Se olharmos para trás, na busca de lições do passado, vamos lembrar que em todo problema, por maior que fosse, sempre tinha aquele momento em que tudo parecia perdido e sem saída. Aquele instante em que achávamos que nada mais se resolveria. Aquele momento de tensão tão aguçada que parecia mesmo o fim. E esse momento acabava passando, de forma muitas dissimulada, de forma drástica em outras vezes, mas acabava passando. É o ponto alto da escuridão da noite, que precede ao raiar do sol. Mas que, mesmo sabendo assim, nos intimida avassaladoramente. E nos apequena, nos fragiliza, nos faz sentir como se fôssemos um mero capricho…
E, no momento seguinte ao do surgimento da luz, quando finalmente damos o assunto por encerrado e superado, nem sequer nos lembramos do valor que demos ao problema. E nem à solução.
Pois bem, precisamos mesmo é querer a solução, fazer dela nosso motivo, e criar o brilho próprio, aquele que se encarregará do momento mais escuro da noite… precisamos é dar ao problema o exaro valor que ele merece, e ele não merece mais do que nossa engenhosidade permite. Ele sempre será limitado pela força de nossa vontade, pelo nossa determinação, pela nossa necessidade, ou pela nossa coragem, mesmo que irresponsável, se é que é possível.
Por isso, para nos dirigir ao que interessa, republico o texto:
Quando vai ser a próxima Corrida?
Lourenço Diaféria
Você venceu!
Você chegou onde queria.
Se lembra quando lhe disseram que a parada iria ser dura?
Muitos nem tentaram.
Muitos desistiram.
Muitos desanimaram.
Muitos falaram que não valia a pena.
Mas você chegou onde queria.
Foi difícil, a pista estava escorregadia.
Quantas pedras no meio do caminho.
Não eram todos que aplaudiam. Alguns o olhavam com olhar de descrença, diziam: - Coitado, é um sonhador.
Bolhas nos pés, tênis apertado, o suor escorrendo pelo rosto, a ladeira íngreme, e o dramático instante da dúvida: paro ou continuo?
Uma decisão apenas sua.

Alguns estavam caídos de cansaço e tédio.
Havia ainda um longo caminho pela frente,
e havia mais curvas do que retas.
Alguém o animou - Força, cara.
Alguém o provocou - E agora, cara?
Alguém tripudiou - Larga disso, cara.

Lembra?, você teve uma baita vontade de ir embora, de pegar suas coisas e dizer - Tchau mesmo, quero que tudo se lixe, pra mim chega, já dei minha cota, não tem mais jeito - e virar as costas à luta, à incompreensão, ao sacrifício.
Você teve vontade de ir para uma ilha deserta onde vertessem leite e mel.

Você olhou em frente. O horizonte era uma sombra parda.
Mas mesmo nessa hora tensa, pelo sim pelo não, você não parou de correr.
Talvez tenha diminuído o tamanho do passo, porque ninguém é de pedra e o coração da gente não pode ser medido com trena e compasso.
Mas você não parou porque sabia que no meio da multidão havia um recado mudo aguardando a sua decisão.
De sua decisão dependia a esperança de gente que você nem conhecia.
Então você tomou um fôlego, abriu o peito, e com os pés no chão e os olhos lá na frente, mandou ver.
Não importava tanto a colocação.
Você lutava para construir a sua parte no edifício do destino.

E foi seguindo.
Sem perceber, arrastou com seu exemplo muitos que pensavam em ficar no meio do caminho.
E você venceu.
Você chegou onde queria.
Ou você não venceu.
Você não chegou onde queria.
As coisas não deram certo, você tropeçou, havia um buraco, e outro buraco, e mais um buraco no chão feito de armadilha.
Você caiu, rolou, ah, houve gente que riu!
Alguém vaiou.
Você não venceu. Você não chegou onde queria.
Esfolou a pele, abriu ferida, em vez de estrelas o cobriu um manto cravejado de ridículo.
O suor de seu rosto foi em vão.
Em vão seus músculos latejaram.
Tudo em vão.
Apanhe seu embornal de mágoa, fique de mal com o mundo, abandone a pista.
Você teve a tentação.

Mas na multidão alguém esperava seu gesto de conquista.
Vamos, rapaz, esfregue a perna. Levante os ombros.
Não deixe que se apague o brilho dos seus olhos.
Escute o bater abafado do coração que insiste.
Você está vivo, e não está vivo à toa.

Você se levantou, se lembra?, e a vaia lhe soou como sinfonia.
Recomeçou a corrida e quando, por fim, você chegou - não em primeiro, como sonhava - mas chegou, o suor de seu rosto parecia purpurina.
Todos pensavam que você estivesse satisfeito por haver chegado.
Então você recolheu os retalhos de suas forças e perguntou:
- Quando é que vamos disputar a próxima corrida?
E foi neste momento que você venceu e chegou onde queria!

2 comentários:

  1. Lendo este texto, percebi que a laços.
    O que são laços?
    Laços são abraços, gesto de carinho são encontros e chegadas.
    Laços são o que une duas pessoas mesmo que em pesamento.
    E nas partidas, os laços são as lembraças...

    abraço
    Salete

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  2. q soh esse texto? precisa ter mais um montão iglul a esse......

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