segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Comunicação é um processo. Confiança é uma construção

istockphoto_9994344-white-dove-carrying-message[1] Nem sempre comunicamos tudo que queremos. Ou como queremos. A comunicação, processo bidirecional,ainda depende dos tradutores mentais de que dispomos. Como na reação pavloviana, algumas mensagens podem ser interpretadas como nossa reações mais primordiais com relação ao conteúdo e mesmo emissor.

Como disse Stephen Covey sobre problemas de comunicação entre pessoas contaminadas por uma relação, o que a pessoa é às vezes fala mais alto do que a pessoa diz. Ou, a ironia moderna, contra argumentos não há fatos.

Ainda nos comportamos, e me incluo nisso, como escolhendo o pior cenário do que dizem. E, se me preocupo em esclarecer o conteúdo do que ouvi, sempre me fico com a impressão de estar demonstrando fraqueza, o que é intimidador no processo de comunicação. Por esse motivo, entendemos pelo lado menor, mais pejorativa, mais ameaçador, e dúvidas não esclarecemos, com medo de que a situação piore.

Na base disso, a confiança, ou falta dela. Como podemos esclarecer o que nos arrasa o peito se o próprio esclarecimento é ameaça? Como é que podemos clarificar o processo de comunicação se esse esclarecimento causa, ele próprio, uma cortina de fumaça mesmo naquelas pessoas nas quais confiamos?

E, assim, de decepção em decepção, colocamos o medo na comunicação, sendo sempre menos claros do que gostaríamos. Ou precisávamos. Escondemos-nos do que nos ameaça, mesmo que essa fuga nos cause decepções. Porque às vezes a decepção é preferível ao desnudamento, e menos invasiva.

Em “1984”, o livro de George Orwell, Winston se abre para O’Brien. E paga o preço por isso. Metaforicamente, os o’briens são essas pessoas em quem confiamos, mas que chama a polícia do partido para nos prender por causa de nossas opiniões. Estamos perdendo a capacidade de ouvir, interpretar,esclarecer, ou escolhemos não tê-la. Afastamos e afastamos-nos daqueles que nos são mais caros por causa dessa particularidade, e perdemos as pessoas.Ao menos, perdemos a proximidade, que uma morte, ao menos da amizade mais cara.

O ser humano saiu das cavernas, inventou a roda, as armas, e computador. Foi à lua, clonou um ser vivo, entendeu o átomo. Mas não consegue vencer as barreiras do medo, do preconceito, da comunicação. Ainda não existe remédio para a falta de disposição de ouvir, entender, viver harmoniosamente. O resultado são os divórcios, as inimizades, os assassinatos. E, menos trágicos, são os relacionamentos que terminam e as amizades que esfriam.

Eu queria poder ser o mais transparente possível, dizer das minhas angústias e percepções. Mas, droga, se isso me custar caro, obviamente vou evitar. Infelizmente, nossa casca de ostra nos protege. E nos impede de realizar , conjuntamente, um universo de coisas.

Droga!

 

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