quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A Alegoria das Cavernas de Platão: em que posição estaremos?

istockphoto_13607459-cave-with-sunlight[1] Na clássica alegoria das cavernas, de Platão, há os que conhecem o mundo pelas sombras que a vida projeta em suas paredes, e somente por elas. Quando apresentados a uma verdade mais abrangem,te sua tendência é desacreditar, ou negar, aquilo que sua experiência não contempla. E, mais, distanciam-se daqueles que, conhecendo aquela realidade, lhes apresenta o contraste das idéias.

Em nossas vidas, vivemos, de diferentes formas e profundidades, da Síndrome da Caverna. Nossa experiência projetou, de acordo com nossa percepção dor-prazer, sombras da realidade em nossas paredes. E, mesmo que apresentados a realidades alternativas, emocional ou racionalmente, negamos a verdade, ao menos a nova verdade.

O que faz de nossas cavernas mais abrangente que a de Platão. Nossas cavernas têm níveis, e avançamos de nível cada vez que nos permitimos conhecer uma nova verdade. Ou, ao menos, uma nova percepção da verdade, e é disso que se trata.

O problema é que as sombras que nos condicionam não são representações objetivas da realidade. São percepções, caminhos, experiências. São resultado de um caminho construído, não um mero fenômeno físico. Por isso, mais complexas, e também por isso, de maior dificuldade de adesão. Como aceitar que a sombra que se projeta pode ser moldada, não por elementos objetivos, por por forças volitivas? E resultado de nossa volição, fruto de nossa vontade e de nosso esforço. Por isso, construção.

Tendemos a olhar nossos companheiros de caverna que ficaram para trás com uma ponta de piedade. Lamentamos sua restrição, sua limitação. Revoltamos-nos com sua negativa da realidade, evidente, real. Mas não percebemos que nós mesmos, mesmo nesse estágio, somente mudamos de caverna. Ainda há verdades fora de nossos alcance, mesmo aquelas que pertencem somente a nós. E, quando percebemos, não nos lembramos desse processo de análise de nossos ex-companheiros de caverna. Somente progredimos.

O processo de evolução da caverna poderia ser um grande aprendizado. Poderia ser a forma de percebermos que cavernas se sucedem, e nosso esforço está em aprender o que projeta as sombras que percebemos como vida, e, assim, enxergarmos o próximo nível. Mas não é. Nossa soberba nos faz sentir que, a cada evolução, está conquistado o mundo. E, talvez, não pudesse mesmo ser diferente. A angústia do ser perante sua perene falta de conhecimento poderia ser cruel demais. Em vez, vivemos a clássica tese das evoluções: tese-crise-antítese.

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