domingo, 8 de agosto de 2010

Dia dos pais?

Num dia corrido, correndo atrás de logística para uma viagem às Bahamas, recebemos a notícia: estávamos grávidos. Foi o ponto inicial de um relacionamento imorredouro. A viagem, cancelada, pois a gravidez não permitia.

Uma gravidez complicada, mas que nunca ameaçou a nova relação. Eu conversava todo dia com o feto, que nem sabia que sexo tinha, e ao qual eu chamava de “pinguinho de gente”. Pinguinho, portanto. Até sabermos que era uma menina. Daí virou Pinguinha, claro.

No dia de seu nascimento, um pai derretido frente àquela que mal abria os olhos, mas com quem já sabia ter um fortíssimo vínculo.

Nos anos de seu desenvolvimento, minha presença era uma constante. Apesar de divorciado desde que ela completou dois anos de idade, nunca me permiti ficar ausente de sua vida. Doenças, acidentes, a menarca, as angústias, assim como as brincadeiras, as felicidades, as descobertas. Brigávamos abraçados, com a mensagem subliminar, mas muito clara, de que nossa divergência não diminuía nosso amor mútuo.

Hoje, crescida, parece que ainda temos muito assunto, muita conversa, muita coisa por compartilhar. Sempre é hora, nunca é tarde demais, nunca é cedo demais. E assim vamos, pai e filha, mais amigos que parentes.

Por isso, não acredito em dia dos pais. É uma data comercial, em que os presentes são a tônica, e não necessariamente celebram uma boa relação. Acredito em amor e respeito, obrigatórios, nessa relação de paternidade. E, óbvio, de maternidade. Celebrar os dias separadamente é, repito, apensa um recurso comercial.

Sempre quis fazer de minha relação com minha filha algo muito maior. Sempre dediquei, além do meu tempo, do meu amor, e da minha dedicação, muito respeito. E, desde o momento que soube que ela estava ali, na barriga da mão, ela se tornou um dos motivos definidores da minha vida. Pois as nossas vidas estavam, desde muito cedo, entrelaçadas de forma inexorável.

Por isso tudo, não posso acreditar quando vejo notícias de abandono, de pais que maltratam, agridem, até mesmo matam seus filhos. Não consigo entender nem mesmo o que leva um pai a se afastar de seus filhos.

Ser pai é uma grande responsabilidade. E eu, que ainda preciso me aprimorar, fico sempre projetando quais os resultados de minhas falhas no decorrer da vida de minha filha. Mas a certeza de que existem falhas e pontos por melhorar não impedem que eu siga em frente, sabendo que amor e respeito serão sempre os valores que norteiam nossa relação.

Um comentário:

  1. Pai....é um ser... para todos os dias e todas as horas.
    Com suas atitudes como pai... eu vi que pai também ama incondicional...
    Mas o comércio agradece quem criou o dia dos Pais!!
    abraço
    Salete

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