sábado, 3 de julho de 2010

Ressaca pós derrota - patriotismo e futebol

istockphoto_741043-you-re-out[1] Repercute hoje a derrota da seleção brasileira, claro. Não poderia ser diferente. Assunto para todos os locais, todos os momentos. A isso estão chamando de patriotismo.

Ao longo dos últimos anos, escândalos proliferaram no Brasil. Envolvendo diversos níveis de administração pública, poder executivo, legislativo e até mesmo polêmicas envolvendo o judiciário. Em nenhum deles o “patriotismo” colocou os assuntos no mesmo nível da seleção nacional.

Debater os erros de Dunga, o descontrole do Felipe Melo, isso é patriotismo. Deixar de comentar os desmandos dos presidentes do senado, os escândalos de meias e cuecas, os presentinho tipo Land Rover, dinheiro à vista de todos, emprego para o namorado da neta, isso não é falta de patriotismo.

Lembram-se todos que daqui a quatro anos teremos outra chance de exercer nosso patriotismo. Mas há outro evento que ocorre de quatro em quatro anos, e não recebe a mesma paixão: eleição. Poucos se preocupam em criticar a escalação dos times políticos, poucos se preocupam em analisar os erros. País com um dos maiores níveis de carga tributária do mundo, provavelmente para financiar escândalos, a população não lamenta, não chora, não berra contra isso. Mas o chute errado de Kaká, o cartão amarelo de Ramirez, isso é assunto nacional.

O futebol, o equivalente atual do circo romano (do pão e circo), tem mesmo esse poder. Abstrai a massa, polariza as opiniões, emociona tanto a ponto de tirar a atenção do que deveria interessar. E tome circo. Já vi mensagens dizendo que o negócio, agora, é olhar para os campeonatos de futebol locais. Cirquinho, talvez, mas ainda um elemento de distração.

Pobre país, em que o futebol mobiliza. Só o futebol.

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