segunda-feira, 10 de maio de 2010

É preciso saber entender

1102206_question_mark_4[1] Na vida profissional, aprendi que pessoas têm comportamentos que são sempre motivados por fatos anteriores. ninguém os adota por mera escolha, mas para tentar evitar situações pela quais já passaram. Por exemplo, se alguém verifica, com muito zelo, se os relatórios do computador estão somados corretamente, provavelmente deve ser porque, numa ocasiãi qualquer, um erro desse tipo vitimou aquela pessoa de tal forma que ela vê sentido na sua ação.

E, com efeito, sempre que investigávamos a fundo os comportamentos que julgávamos disfuncionais, sempre achávamos motivos subjacentes não declarados,mas definidores.E, a partir desse conhecimento, a compreensão era sempre muito mais abrangente.

E a partir dessa experiência adotamos o que eu chamava de “Brincadeira dos Porquês”, que consitia, basicamente, emprocurar sempre o porquê de um comportamento, e os porquês dos porquês. Quanto mais profundaa compreensão, mais efetiva a solução. E alimentávamos esse comportamento através da adoção da “dúvida sistemática”.

No mundo pessoal, os ganhos também se fizeram presentes pela “dúvida sistemática”. Embora nem sempre coubesse a pergunta, a investigação não se eliminava. Por trás de todo comportamento, há sempre um motivo. E tentou pautar minha vida nessa busca obsessiva busca, que sempre trás mais benefícios que problemas.

Mas é um choque quando testemunho pessoas que tiram suas conclusões baseadas em sintomas superficiais. Pessoas que não tentam entender outras, e a seus problemas. Pessoas para quem suas conclusões são a mais pura expressão da verdade, independentemente do contexto.São as pessoas que se autodenominam “autênticas”, mas são míopes, somente: míopes em relação à vida.

São vítimas dessa miopia, por mais paradoxal que seja, os familiares e as pessoas mais próximas do “míope”, pois a intimidade traz uma falsa idéia de conhecimento. E a arrogância de conhecer a tudo e a todos pode ser a arma que destrói mais e mais relacionamentos.

O texto abaixo (que eu já publiquei aqui) trata magistralmente do tema, por um dos maiores especialista em Liderança: Stephen Covey. Permito-me republicá-lo porque a redundância age, neste caso, em bom nome.

Eu me recordo de uma mudança de paradigma que me aconteceu em uma manhã de domingo, no metrô de Nova York. As pessoas esta­vam calmamente sentadas, lendo jornais, divagando, descansando com os olhos semicerrados. Era uma cena calma, tranqüila.

Subitamente um homem entrou no vagão do metrô com os filhos.

As crianças faziam algazarra e se comportavam mal, de modo que o clima mudou instantaneamente.

O homem sentou-se a meu lado e fechou os olhos, aparentemente ignorando a situação. As crianças corriam de um lado para o outro, ati­ravam coisas e chegavam até a puxar os jornais dos passageiros, inco­modando a todos. Mesmo assim o homem a meu lado não fazia nada.

Ficou impossível evitar a irritação. Eu não conseguia acreditar que ele pudesse ser tão insensível a ponto de deixar que seus filhos incomo­dassem os outros daquele jeito sem tomar uma atitude. Dava para per­ceber facilmente que as demais pessoas estavam irritadas também. A certa altura, enquanto ainda conseguia manter a calma e o controle, virei para ele e disse:

- Senhor, seus filhos estão perturbando muitas pessoas. Será que não poderia dar um jeito neles?

O homem olhou para mim, como se estivesse tomando consciência da situação naquele exato momento, e disse calmamente:

- Sim, creio que o senhor tem razão. Acho que deveria fazer algu­ma coisa. Acabamos de sair do hospital, onde a mãe deles morreu há uma hora. Eu não sei o que pensar, e parece que eles também não con­seguem lidar com isso.

Podem imaginar o que senti naquele momento? Meu paradigma mu­dou. De repente, eu vi as coisas de um modo diferente, e como eu estava vendo as coisas de outro modo, eu pensava, sentia e agia de um jeito diferente. Minha irritação desapareceu. Não precisava mais controlar minha atitude ou meu comportamento, meu coração ficou inundado com o sofrimento daquele homem. Os sentimentos de compaixão e so­lidariedade fluíram livremente.

- Sua esposa acabou de morrer? Sinto muito. Gostaria de falar so­bre isso? Posso ajudar em alguma coisa? - Tudo mudou naquele momento.

Muita gente passa por uma experiência fundamental similar de mu­dança no pensamento quando enfrenta uma crise séria, encarando suas prioridades sob nova luz. Isso também acontece quando as pessoas as­sumem repentinamente novos papéis, como marido, esposa, pai, avô, gerente ou líder.

Poderíamos passar semanas, meses ou até mesmo anos usando a Éti­ca da Personalidade para tentar alterar atitudes e comportamentos, sem sequer nos aproximarmos do fenômeno da mudança, que ocorre es­pontaneamente quando vemos as coisas por uma nova óptica.

Torna-se óbvio então que a vontade de realizar mudanças relativa­mente pequenas combina com o foco nas atitudes e comportamentos. Mas, se desejamos empreender mudanças qualitativas significantes, pre­cisamos trabalhar com nossos paradigmas básicos.

Ou, nas palavras de Thoreau: "Para cada mil homens dedicados a cortar as folhas do mal, há apenas um atacando as raízes". Um salto qualitativo somente pode ser realizado em nossas vidas quando deixa­mos de cortar as folhas da atitude e do comportamento e passamos a trabalhar nas raízes, nos paradigmas que determinam nossa conduta.

O texto foi extraído do Livro "Os 7 Hábitos de Pessoas Muito Eficientes", de Stephen Covey, 5ª Edição, Editora Best Seller.

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