sexta-feira, 23 de abril de 2010

O Corolla – Empresas e seus consumidores

http://www.istockphoto.com/file_thumbview_approve/8598579/2/istockphoto_8598579-warning-sign.jpg A Toyota foi obrigada, pela justiça de Minas Gerais, a deixar de comercializar o Toyota Corolla, um grande sucesso de vendas. Preço do sucesso? Não, foi o rompimento com o passado.

Quando o “toyotismo” se tornou realidade, especialistas apontaram as causas: a manutenção, contra todas as correntes, da filosofia japonesa de administração. Várias revistas publicaram estudos mostrando como a empresa ainda privilegiava o emprego até a aposentadoria, como os CCQs (Círculos de Controle de Qualidade) ainda estavam em plena atividades, etc..

Na crise das montadoras, a Toyota já vinha brigando cabeça a cabeça com a GM na disputa do posto de maior montadora do planeta. E, agora que o rei está desnudo, várias revistas apontam a quebra das tradições da Toyota para atingir esse ponto, como se valesse alguma coisa. Os prazos de montagem foram revistos, para atender “à nova ordem Mundial”, por exemplo, e o resultado, totalmente indesejado por todos, aí está.

Uma enorme crise nos Estados Unidos, que leva à ameaça de fechamento das fábricas (ou levou, no auge da crise). Agora, no Brasil, a suspensão das vendas pelo poder público, cada vez mais atuante e atento.

No famoso episódio da Johnson &Johnson do Tylenol, a decisão da empresa de retirar o produto do mercado, embora não tivesse culpa direta no ocorrido, resultou num enorme apoio da população, uma vez vencida essa crise. Claro que, imediatamente, houve um prejuízo à marca. As ações da empresa, embasadas no seu código de ética, e que colocavam a saúde dos consumidores em primeiro lugar, entretanto, foram fortes o suficiente para manter o Tylenol na lista dos remédios mais confiáveis (pós crise), e a J&J como empresa de absoluta confiança dos consumidores.

No Brasil, graças ao poder público é há avanços na área. Sabe-se de muitos produtos que apresentam problemas, de forma sistemática e repetitiva. Mas os recalls não surgem. Surgem mais em áreas delicadas, como produtos pára bebês e automóveis, em que há grande risco de morte. O Brasil ainda não tem uma instituição que sistematize essas queixas, e os compile de forma a apresentar dados bastantes para que os recall aconteçam. E, infelizmente, é preciso que seja uma associação não governamental, pois os organismos oficiais ainda não respondem a esse tipo de necessidade social (não respondem a necessidades ainda mais básicas).

Resta saber se os interesses dos brasileiros, defendidos tão renhidamente pelos Procons e associações pró consumidores interessam ao cidadão que vai adquirir seus produtos. Ou seja, o fato de a Toyota desdenhar das acusações, dizendo que a culpa é da má colocação do tapete (!!), recusando-se ao recall, e provocando essa proibição das vendas do Corolla, vai sensibilizar os consumidores a ponto de estes evitarem produtos da empresa?

Acho que não.

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