segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Comunicação, educação, elegância

http://www.istockphoto.com/file_thumbview_approve/8946594/2/istockphoto_8946594-discussion.jpg No processo de comunicação, há pessoas que se comunicam de fato, e há aquelas que dão seu recado.
As que dão seu recado podem não comunicar sua mensagem, mas deixam claro quem são. São as autodenominadas autênticas, que dizem o que pensam. E em momento algum se preocupam com os sentimentos de quem está à sua volta. Dizer o que pensa não é crime, ao contrário, é a pura manifestação da liberdade de expressão. Por outro lado, há diversas formas de concretizar esse direito. A forma agressiva que impera nessa manifestação é que proponho que seja repensada.
Há pessoas quer acham que o que pensam é a verdade absoluta. E, por isso, não admitem argumentos, não admitem discussão, não admitem a possibilidade de erro. Daí, sua manifestação ser sempre impositiva, autoritária, algumas vezes gritada, sempre intimidativa. São essas pessoas aquelas que gritam, que falam alto, que têm sempre uma ameaça, velada ou não, no seu discurso. Não precisam perguntar, basta afirmar. Quando flagradas em erro, não têm pejo: a razão é deles.
Mas há pessoas, muitas pessoas, que primam pelo respeito, pela educação. Perguntam-se e comportam-se como se pudessem estar erradas, como se sua premissa pudesse ser falsa. Então, comunicam-se com mais racionalidade, com menos certezas, com mais gentileza. Procuram, empaticamente, entender o outro e suas premissas, as razões que os levam a certezas tão contundentes. São elegantes, são comunicativas, não pela convicção impositiva, mas pelo convencimento, pelo maneira de atingir o interlocutor pela mensagem.
A educação que norteia esses comunicadores não é a educação formal, não é ensinada em escolas. É a aplicação do que se testemunhou, é a experiência falando, mesmo que seja a experiência de outras pessoas. Porque o constrangimento da certeza falseada é grande, assim como o é o do convencimento pela força bruta, onde só caberia a força de fatos e argumentos.
Também esses comunicadores têm suas certeza absolutas, mas colocam-nas de forma amena, palatável, permitindo-se questionar e, por extensão, argumentar. Têm preocupação com os sentimentos alheios, têm preocupação com pessoas. Nem por isso sua mensagem perde força, ao contrário. A verdade que provoca adesão é a mais poderosa. E, para que a adesão seja plena e verdadeira, a verdade tem de ser imune aos questionamentos, às dúvidas. Impõe-se, portanto, a dúvida sistemática, em vez da verdade obrigatória.
Parafraseando Vinícius, os grossos que me perdoem, mas gentileza é fundamental.

5 comentários:

  1. ... meditemos... a gentileza é vital...rsss

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  2. Oi, Sônia.
    Acho que não custa nada sermos educados, principalmente neste mundo já tão agressivo em que vivemos. Além do mais, a comunicação flui mais e melhor com gentilezas, que não provocam as famosas e desnecessárias barreiras da comunicação.
    Volte sempre, grato pelo comentário.

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    1. Oi, Chará. Isso me lembra um ditado que diz que a gente consegue pegar mais moscas com mel do que com vinagre (não me pergunte porque alguém gostaria de pegar moscas). Um "por favor, e um muito obrigado" vão longe.
      Renato

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  3. Olá, desculpe pela demora, mas quero agradecer pela visita no meu blog...
    Caso queira visitar novamente, fique à vontade...
    Caso tenha alguma sugestão, comente, sua opinião é importante para a evolução do nosso conteúdo...

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  4. O nome não condiz com o conteúdo do seu blog... Ainda bem... Continue assim, abraços, e grato pela gentileza.

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