segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Chuvas, imprensa, governo e população

http://www.istockphoto.com/file_thumbview_approve/6899255/2/istockphoto_6899255-flooding.jpg Todos sabemos que nesta época do ano as chuvas são impiedosas. E que é comum, infelizmente, a ocorrência de alagamentos e inundações. E é comum, também infelizmente, a repetição das ladainhas que nos impõem o governo, a imprensa e os atingidos pelas tragédias.

A imprensa sobe o tom e dateniza os governos: faltou preparação, faltou planejamento, faltou ação, faltou vergonha…

O governo reage com a hipocrisia de sempre: as chuvas foram em maior intensidade, e nem os esforços do governo impediram as tragédias

As vítimas das enchentes e dos desabamentos reclamam da falta de socorro, da falta de prevenção, da falta de dinheiro, da falta do Ronaldo na seleção… esquecem-se que foram ocupar uma área de risco, e esquecem-se que seu lixo (o seu, o meu, o nosso) agravam o problema.

O fato é que há chuvas que realmente extrapolam a capacidade de absorção das nossas cidades impermeabilizadas. É assim na China, nos Estados Unidos, na França… É o tipo de calamidade que nos acontecerá por vezes, sem que tenhamos aviso para construir arcas… Mas acontecerá, eventualmente.

Também é fato que os governos são reativos, quando são alguma coisa. Os piscinões de São Paulo estão como, mesmo? Como está a ação da Defesa Civil na Prevenção? Como está o mapeamento das áreas de risco? Como está o planejamento das áreas de realocação das famílias? Como estão as ações emergenciais para limpeza de bueiros para evitar o agravamento dos problemas pelo lixo?

E a população, parou de jogar seu lixo nas ruas, nos terrenos baldios, nas portas de casa?

A imprensa, neste quesito, foge da discussão. Critica aqueles que falam dos lixos nas ruas. Ataca aqueles que lembram das consequências desses atos. Ou seja, em vez de educar, provocam o reforço do comportamento, no mínimo. E concentram a culpa na omissão do governo. Culpa quem cabe, seria o melhor.

Fato mesmo é que cada um espera que o outro resolva o problema. Enquanto a batata puder ser jogada para outras mãos, não haverá solução.

A sociedade civil (que, para mim, é uma lenda), os governos, a imprensa (se esta se dignasse) deveriam se unir para solucionar o problema. Requisitos: sem hipocrisia, sem demagogia, se, presunção. Discutiriam as causas e como evitá-las. Ou mitigar seus efeitos. O prefeito assumiria sua omissão, a população assumiria seu desleixo (com o lixo e com as ocupações), a imprensa deixaria de lado sua parcialidade para assumir os comportamentos e ações necessários para resolver o problema.

É, parece mesmo que a solução ainda está bem, longe.

 

 

 

 

Dateniza????? não resisti ao neologismo.

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