quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Dramas modernos

http://www.istockphoto.com/file_thumbview_approve/1915242/2/istockphoto_1915242-wrong-way-traffic-sign.jpg Cena 1: há um acidente envolvendo uma moto e um carro. O motociclista discute com o motorista, puxa uma arma, dá um tiro no rosto do motorista e foge. O motociclista era um policial militar.

Cena 2: um policial militar aborda algumas pessoas num ponto de ônibus. Um deles, também policial militar, discute com ele. Trocam tiros. Um deles morreu, o outro foi para o hospital.

Cena 3: o homem é baleado, a polícia persegue os ladrões, consegue cem anos de perdão, e os libera. O homem baleado morreu.

Alguma coisa está errada. A sensação de poder que a arma dá aos policiais, ao que parece, não é tratada pela corporação como problema. Depois todos temos de nos estupefazer com cenas como as acima.

A sociedade também não está encarando esse problema. Ao omitir-se com relação às condições de segurança, avaliza o papel do estado, que já se provou mais que equivocado. O policial ganha pouco, não tem o preparo adequado, não tem o ferramental adequado. Dizer que sua preparação psicológica não pé adequada é desnecessário, perto de tantas outras deficiências que já vivem.

Já a sociedade lembra-se das políticas de segurança quando é vitima de assaltos e outras violências. Não se lembra de questionar o presidente da república e os governadores antes do mal se efetivar. As promessas de campanha, sempre etéreas demais, não são nem possíveis de implementação. As armas dos bandidos, de alto calibre, colocam as dos policiais em condições semelhantes a estilingues: eficácia restrita. Mas nós, da sociedade, não bradamos como no gol do time, exigindo o controle da entrada e venda dessas armas.

Nem temos coesão social (sociedade??) para articular um movimento pela segurança. Somente quando alguém da classe média é morto é que a família a amigos se unem para clamar por “justiça”, não a legal, mas a psicológica. E, desse mesmo meio, destacam-se aqueles que compram drogas da mesma quadrilha que matou o(s) amigo(s). Ou seja, justiça, sim, desde que eu possa continuar com meus vícios?

O policial emerge de uma massa que procura empregos, tem família para cuidar. tem seus sonhos e frustrações. Não é menos merecedor de críticas, quando corrupto, que o político que se deixa vender por trinta dinheiros. Mas também não é merecedor de mais. Só são resultado do mesmo meio, e não estamos saneando esse meio.

A sociedade, estupidificada por razões muitas, vê-se refém de sua inércia. Que agrava sua estupidificação.Enquanto não houver a revolta social contra tais comportamentos, eles imperarão. E continuaremos a enterrar nossas vítimas. Vítimas do mal e do que deveria ser o bem.

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