terça-feira, 4 de agosto de 2009

O leão, o antílope e a cobra

Quem imaginaria que três inimigos figadais, com histórico de enfrentamento mútuo, predadores por vocação, um dia se entenderiam em função de um objetivo comum?

Rudyard Kipling, no seu The Jungle Book, no episódio da Grande Seca, imaginou todos os animais da floresta, independente de serem caçadores e caçados, lado a lado no que restava de água no rio, em momento de suspensão de hostilidades, ou melhor, uma trégua. Mas, findo o período de necessidades, sabiam todos, os ataques reiniciar-se-iam.

Claro que a premissa de Kipling era a de que os momentos de necessidade faziam com que os demais interesses seriam esquecido,ao menos relevados. Assim, o tigre vilão Shere Khan toma água ao lado dos antílopes e zebras, que tremiam somente pela lembrança dele.

Kipling construiu nessa obra uma interessante teia de moral e valor. Que se reproduzem, distorcidamente, na política brasileira. Quando três políticos poderosos, com histórico de enfrentamento, se unem contra outro que provocara um deles, evoca essa união entre predadores. Moral distorcida, valores mais financeiros que axiológicos, a selva está em crise. A falta não é de água, é de credibilidade. Então, para salvar a maioria, que todos se unam para o que se fizer necessário.

O ex-presidente do senado (que renunciou ao cargo), ao lado do ex-presidente da república (que tentou renunciar ao cargo, mas foi defenestrado), ambos ao lado do atual presidente do senado (do qual se cobra renúncia), contra aquele que é sempre lembrado como pilar ético da casa. A julgar pela ameaça do ex-presidente da república, ética controversa.

Talvez seja mesmo o caso de gritar, cara pintada ou não, pelas ruas deste Brasil: precisamos deste senado? Ou os animais criados por Kipling têm mais noção do que seja moral e valor?

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