segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Criatividade: afinal, quem quer que sejamos criativos?

http://www.istockphoto.com/file_thumbview_approve/5830377/2/istockphoto_5830377-small-plant.jpg Em sua coluna diária na CBN, dia destes Max Gehringer falava da questão da criatividade. Que todos, em entrevistas de empregos, precisavam responder afirmativamente à questão “ser criativo”, mas que em sua carreira nada lhe era permitido em termos de criação.

É verdade. O ambiente corporativo suporte poucas inciativas criativas/criadoras. Com algumas exceções, claro. Por exemplo, a 3M tinha (não seis e ainda está ativo) um programa de Inovação, que garantia a seus participantes a defesa de suas idéias e, caso implementadas, a participação nos lucros. Tanto que, na época em que conheci o programa, mais de 70% de seus produtos eram produtos novos.

Se não se pode criar, afinal de contas para que se pede criatividade?

Infelizmente não é só no ambiente corporativo. No meio pessoal, muitas pessoas são conservadoras a ponto de não permitir senão raras ocasiões em que se pode criar: no que comer, no que vestir, no que dar/receber de presente. Onde comer (há um circulo de restaurantes que frequenta), a que shows assistir (sim, embora se possa ir a muitos shows, normalmente são de um/poucos cantores/as, ou são de um determinado gênero).

Isso é natural. Gostamos daquelas coisas que já estão identificadas, e frequentamos o que exprime esse gosto.

Mas se a vida pessoal é assim, como ser diferente no ambiente corporativo? Pois este é uma extensão de nossos credos pessoais, é o mundo em que colocamos em prática o que professamos na vida. Há poucas pessoas que, tendo um ordenamento ético, aceita trabalhar em empresas com ordenamento contrário. Contrário, ressalte-se. Pois o diferente ainda é aceito. Mas o ponto é que as pessoas levam seus comportamentos para a empresa, interagem com a cultura local e mesclam-se ambos os componentes.

A criatividade, por ser a exata expressão da pedra na água, faz com que a normalidade seja abalada. E, dias corridos, ninguém quer abalar nada que não seja absolutamente necessário.

O pedido das empresas por criatividade parece passar um recado claro: você precisa ser criativo, e eu preciso cercear sua criatividade.

Não, não por maldade das empresas. É a vida, no seu rumo inexorável. Àqueles poucos que ainda criam, precisamos agradecer.

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