quinta-feira, 23 de julho de 2009

Os guerrilheiros eleitos

Estamos em guerra. uma guerra sem balas e barulhos de explosões, é verdade, mas em guerra.

O inimigo, veja só, é eleito por nós. A cada quatro anos, algumas vezes oito, vamos a locais previamente definidos, portando nossas identificações, e escolhemos aqueles que queremos que nos massacrem.

O exército muda pouco, e muda menos ainda sua técnica. Que é bem simples, parece a armadilha que encurralou os americanos no Vietnã: é uma guerrilha.

Inteligente, ágil, articulada. Mina os nossos principais pontos de necessidade. Esgota os recursos da saúde, o que impede a proliferação de hospitais, esses inimigos do establishment. Pois os doentes precisam de ajuda, os não doentes (ou curados, ou pretensamente curados, ou mal curados…) não precisam do assistencialismo de ninguém. Tirando recursos da saúde, tornam o adversário fracos, sem ânimo, gado de manobra.

E, inteligentes mais ainda, minam os recursos da educação. Pois que ainda há os que acreditam que chuva pode ser mandada por lei, veja só, os quase-analfabetos, e os quase alfabetizados ainda procuram por sub-empregos, os quais podem ser supridos, vejam só, pelo inimigo… Sem educação, não há articulação, não há argumentação, não há antítese. E viva o estamento!

E, mais uma vez, brilhantes, manipulam os meios de comunicação, qual criação orwelliana. Ministérios da Verdade há muitos, chamados ora de televisão, ora de repetidoras. E vemos, nas conversas de pai e filho (não de quaisquer, mas de próceres da república), o quão importante é ter uma repetidorinha, que seja.

E os inimigos, que somos nós, que temos papais e vovôs, na maioria das vezes, para o sacrifício da vida corrida, preocupada com o futuro, temos de nos preocupar com empregos, coisas que são propriedade de família lá dos inimigos.

Esses inimigos eleitos, por mim, por você, por nós, que defendem a democracia como se fosse um conceito, utilizam-na como um meio de vida. Válido, se sua preocupação fosse o bem comum. Desprezível, já que a locupletação é seu maior objetivo.

Cerram-se em fileiras de blindagem, chama a mídia, para defender uns aos outros. Mas esvaem-se em desculpas na hora de exercer suas nobres atividades. Mobilizados e bem mobilizados, agem somente de terça a quinta, ao menos à luz. Mas impõem-nos suas ações em todos os dias do ano.

Cada qual um O´Brien ainda orwelliano, transformam com cada um de nós, com capacidade ímpar, em pattyhearsts, pois somente e síndrome de Estocolmo justifica ainda os procurarmos nos momentos de necessidade. Não, minto. É sua tática de guerrilha: sem saúde, sem educação, mal informados, acham,os que eles nos salvarão. E, dançando, caminhamos para a boca do dragão.

Que os dragões me perdoem, não quis ofendê-los.

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